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Veementemente, acredito que sou teu
De quem mais eu haveria de ser?
O tempo que passa e estamos juntos
Já é tempo demais só para o perder
Conheço teus jeitos e vias de fato
Um quebra-cabeça, como te monta
E toda a ausência que não toma lado
É toda presença que não se dá conta
Até o silêncio que não era estranho
Se agoniza fácil num assunto sem rota
Onde perdemos um amor tamanho?
Em que curva, terreno, qual foi a porta?
Eu tanto queria que fosse você
Achei que seríamos uma história tão linda
E fomos, pelo tempo que haveria de ser
Se não fosse perder, o fim que não era, ainda.
—Caio-Graco—
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O desejo é intrínseco a mim
Oras, se vos sou um humano amante
Se busco afeto em minúsculas coisas
Se o meu querer tem cor vibrante
Tal desejo que anseia por toque
E tudo o que depois o toque vira
Querer tanto que até nos sufoque
Por tempo suficiente quanto delira
E se não dividisse-nos estradas
Se não intransponíveis fossem os rios
Serias para mim, tantas vezes, moradas
Quanto eu seria para ti navios
E se concedesse, só hoje, um ato
Que por si só seria presença
Que fosse um beijo lento e apaixonado
Que apaziguasse a minha querença
—Caio-Graco—
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É fato que rosas de papel
Vivem mais que rosas de verdade
Mas estas, se morrem, vão pro céu
Aquelas, não tem essa vaidade.
—Caio-Graco—
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–
Nunca fui muito de ficar
Amo a luz solitária das madrugadas
Das mudanças repentinas
Mesmo que signifiquem algazarras
Ressignificados, curas e estados
Tudo aquilo que pode ainda servir
Não apenas muda-me do outro
Mas do que um dia era natural em mim
Tenho que: querer estar não adianta muito, em si
Talvez seja melhor honrar no que já é apresentado aqui
E se os questionamentos do mundo seguem sempre a mesma lógica
Vivo, então, para viver assim...buscando a minha felicidade analógica.
—Caio-Graco—
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~○~
Há sol e o interruptor aberto
Cortinas fechadas e a luz acesa
Há lâmpada iluminando o teto
Escrevo umas suaves certezas
Há silêncio em comum ao quarto
Comunicam-se as aves lá fora
É bonito o falar dos pássaros
Mas só noto sua beleza agora
Brilham verdes os podocarpos
E a luz incide muito quente
Após a chuva, os íris-arcos
Vibram as cores novamente
Queria ter sempre essa paz
Tão calada, ensandecente
Desejo que perene se faz
Não tão e também jamaz
Intermitente!
—Caio-Graco—
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Contrario a gramática dos animais
Sofro na língua materna
Onde está o certo, é grifado?
Onde está quem a governa?
Se entro na escola e me repreendem
Sou brasileiro preto e nasci livre
De quem então os da razão descendem?
Na verdade os donos, meu irmão, a vivem!
Ao menos olham na cara com educação
Esta Qual somente eles tiveram acesso
Ensinaram o outro a só olhar pro chão
E ainda se acham super donos do universo
E não me repreenda não, meu caro
De falar o que entala a garganta
Não falei errado, isso há, de intensão, sobrado!
Evidenciar-lhe, sim, a verdadeira anta!
—Caio-Graco—
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♡
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Ontem olhei pela janela
Vi uma história passando
Uma meio quebrada
Outra saltitando
Desejei olhar mais de perto
Medo de entenderem mal
Sempre fui mais aberto
Nem sempre normal
Decidi me aproximar
Com todo cuidado
Nada de errado
Pra não assustar
São incríveis as pessoas, não?
Doam tudo de si…uma causa
Simplesmente em vão?
Vivem, se constroem, sonham
Amam, dormem com outras
Faxinam, comem pão
Amo a simplicidade do sujeito
Mesmo se de estado e transitivo direto
A m a r é verbo de Ação
—Caio-Graco—
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As certezas, ascertezas, assertezas
-
Sabemos muito de tudo um pouco
Pouca és tu, encharcada de avarezas
Fez de mim tão confuso e o louco
Projeção revolta das tuas certezas
Quem me dera ao dar-te ares
Não me perdesse em meu dizer
Como podes, se me perversares
És só tu: você, você e você
Narcísica, impositiva e melancólica
Dona da bipolaridade viril
Uma hora tão vil e eufórica
De outrora calada e senil
Sei mais nem o que faço contigo
Moça, como chegaste até aqui?
Incerto o teu mundo, jovem senhora
Moça das certezas que vão além de si
—Caio-Graco—
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A donzela adormecida
Cria sonhos de montão
Monta castelos
Monta cavalos
Monta seda e algodão
A donzela adormecida
Cria sonhos de montinho
Monta fadas
Monta fados
Monta estradas e moinho
A donzela adormecida
De sonhos, quase nada
Acorda ligeiro e
Desfaz de mansinho
tudo a
Cortes de espada
—Caio-Graco—
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— – —
Odeio olhar o pessimismo
Detesto ter pena do ingrato
Sou contra as doses de absinto
Que o faminto há se alimentado
Que dó do infame carente
Óh céus, mais um exilado
A morte que é carnificente
Insaciada, tem o louco saciado
Odeio todos. Odío. Odeio gente
Juro! Que não queria ser humano
E no intervalo de tempo de um ano
Pessimeio sentir o que o homem sente
Que amor?
Que dó
Que dor
...
De dente!
—Caio-Graco—
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