Eu sinto a tristeza sem nome da qual tanto falam.
Meu coração está apertado e sinto coisas sem nomes concretos.
Não há outras pessoas, só existe eu e Você.
Para onde ir?
Agora é que vejo quem realmente importa, é Você.
"Tá triste, Sara?"
Sim, tô. Sinto muito.
Sinto saudades de casa.
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é bizarro!
tenho tanto a falar, mas não sei como.
fico entalada de coisas a dizer, estou assim há anos.
qualquer dia desses, se eu espirrar, cairão livros de mil páginas aqui e ali.
eu fiquei olhando por horas a porta que você deixou fechada quando partiu.
fora do comum, amor.
você sempre foi assim, fora do comum.
eu fico pensando no que você diria, no que faria, na maneira que mentiria.
e o pior de tudo é o silêncio.
a porta fechada não deixa entrar o som dos carros, da cidade que se move morta, das baladas cheias de gente se enganando, do caos de lá de fora, nem o som de você voltando e dizendo que não era pra valer.
eu fico olhando por horas a porta que você deixou fechada quando partiu.
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eu não sei o que querer.
Se tudo que quero é impossível,
pra que querer?
Mas não tem como não querer,
porque mesmo se eu não querer coisa alguma
já vou estar querendo não querer algo.
EU não sei.
sei NÃO eu.
não, eu SEI.
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todo mundo escrevendo sobre amor
e eu fico espiando tudo isso, todos eles.
é que hoje é meu aniversário
e amor seria uma boa resposta para tudo que já vivi e vi nesses “longos” 19 anos,
mas eu ainda sou leiga demais
tenho que viver mais 19.
de mim para mim mesma: parabéns, Sara. vocês dois chegaram longe juntos e que continuem. u rock, my little one! xo (não tente entender)
de mim para você: vai se amar também, dengo =} (por favor entende)
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mamãe disse que você não presta
mas você disse que cigarro não é arma
mamãe chorou quando eu disse que te amava
mas você me pediu pra passar uma noite na sua casa
mamãe odeia álcool
mas você fala que até Jesus bebeu
mamãe me mandou te esquecer
mas você não deixa
me perdi nessa conversa sua
mas saí certinho das estranhas entranhas da mamãe
então diz, Carlos
“e agora, José?”
o cigarro apagou
sua cama esfriou
o álcool cortou
você tomou três tiros na alma
e eu ainda tô perdida.
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Most of us are strangers
Who want someone to save us
We're looking out for angels
And something we can hold on
We are sirens that suffer in the silence
I am getting tired of trying
And tired of being alone
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Muitos de nós somos estranhos
Que quer alguém para nos salvar
Nós estamos procurando por anjos
E alguma coisa para nos agarrarmos
Nós somos sirenes que sofrem em silêncio
Eu estou ficando cansado de tentar
E cansado de estar sozinho
Most Of Us Are Strangers por Seafret
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eu quero você
não sei, anseio
eu me quero
e ainda não sei
eu acho que o problema é que eu me quero primeiro.
Eu fecho os olhos e vejo,
na verdade eu vejo de olhos bem abertos,
eu ouço e logo vejo.
Vejo uma cidade destruída,
tudo é cinza e enxergo tons de marrom também.
O cheiro é de poeira, mas é suportável.
Entro devagarinho e encaro uma coruja no mesmo tom do cenário, cinza.
Ela abre as asas e o bico emitindo um som alto, ela está assustada, mas logo percebe que eu também estou e se acalma.
É isso. É o lá, casa.
É ver que os nossos sangues vermelhos são iguais e ao invés de guerra, fazer paz.
Ela se apoia sobre um parede quebrada e cheia de rachaduras.
O tom areia da tinta velhíssima combina com a dona coruja assustada.
Eu lembro de Marte, seria ele?
Eu acho que não,
Marte anda viajando alto pelo céu esses dias.
Eu sei que nessa cidade muitas coisas aconteceram e eu nunca serei capaz de contar ou lembrar de tudo.
Tudo bem.
Uma ou duas histórias virão para mim quando for o momento.
Seria pompeia? Eu também não sei.
Num “click” eu volto para aqui,
saio do imaginário.
Eu amo ir até lá, todavia a graça disso é a efemeridade desses momentos de alegria, inspiração, sonho. Casa.
A cidade de ruínas e a coruja, assim como Marte e tudo que eu já conheci lá em casa ficarão aqui comigo.
O lar comigo, o lá comigo.
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não é triste que as histórias não falem nada sobre nós?
não é triste que a princesa do romance que estamos lendo não é —nem de longe— um pouco como nós?
é triste porque ela não chora como choramos, não sente as dores que sentimos e seu maior problema é escolher um momento para passear com o príncipe —que também é nada como nós.
é triste que a história seja tão distante
seja tão vaga que nem nos atinja.
A R G !
mas talvez eu entenda,
talvez eu compreenda o porquê de ser assim.
é que aqui fora já é suficiente.
já é difícil e triste o bastante
para que as páginas de algo tão precioso —livros— também o seja.
então que seja. não me importo mais.
a princesa nunca vai rir como nós rimos,
nunca vai poder passar um dia todo só comendo besteiras e assistindo algo legal e irreverente,
não saberá como é ter o segundo e o terceiro amor já que ela tem que se casar com o primeiro amor dela —o famigerado príncipe encantado.
não somos em nada como as histórias perfeitas ou os contos de fadas
e tá tudo bem, né?
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