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Yuminskie

@samie · desde 2021

Escrevo o que o tempo apagou talvez pra lembrar que ainda existo.

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Em Meio ao Silêncio

Em meio ao silêncio, vejo a dor se instalar. Sem ruído. Sem pressa. Apenas observando, paciente, o instante inevitável em que desabo. E desabo. Não do corpo, o corpo continua aqui, erguido pela obrigação. Mas há pensamentos que aprendem a afundar o coração até que respirar pareça um esforço consciente. Às vezes sinto a loucura batendo à porta da mente, insistente, como quem sabe que uma hora será atendida. E os pensamentos… ah, os pensamentos. Assustadores. Repugnantes. Silenciosos o suficiente para crescerem escondidos. Eles me lembram do esconderijo da dor. Esse lugar estranho onde tudo permanece tão bem guardado que quase esquecemos sua existência. E então seguimos vivendo como se a vida fosse, inevitavelmente, boa. Como se existir não doesse em silêncio. Livre por fora. Cheia de vida aos olhos errados. Mas presa pela própria dor. Uma dor que talvez só o céu reconheça. Porque basta uma única gota para que a tempestade se anuncie. E aquilo que parecia pequeno de repente se torna furacão. O pânico sabe crescer assim: quieto. Nenhuma verdade é absoluta. Até o sorriso mais bonito pode esconder o peso mais cruel. Uma coisa nunca anulou a outra. E entre o desespero dos pensamentos que não cessam, prefiro a calmaria do tempo. Ou talvez não a calmaria. Talvez apenas a falsa sensação de estar bem. Como se a paz fosse isso: uma imaginação bonita o suficiente para enganar a dor por mais algumas horas. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑

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Um Talvez

Um dia alguém vai olhar para você e dizer que valeu a pena. E talvez, só talvez, esse alguém seja você. Um dia você vai sentir falta de amar. E, ainda assim, vai lembrar exatamente por que aprendeu a ter medo. E talvez, só talvez, pense em mudar. Um dia vai olhar para o passado e sorrir. Não por saudade, mas porque já passou. E talvez, só talvez, entenda que tudo o que foi permanece apenas nisso: foi. Um dia vai se arrepender. Do que não tentou, do que não viveu, do que deixou passar como se o tempo fosse esperar. E talvez, só talvez, perceba que nada nunca foi feito para durar. Mas esse dia… quando chegar, o que ele traz? Alívio? Vazio? Ou apenas a estranha sensação de que demorou demais? E aqui estou, tentando apressar o tempo como se pudesse atravessá-lo antes de vivê-lo. Como se entender o futuro diminuísse o peso do agora. Só espero que, um dia, eu consiga voltar a ser um pouco mais eu. Se é que esse “eu” algum dia existiu inteiro. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑

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O Instante em Que Falta

Certa vez, cansada, olhei para o céu como quem espera que o alto responda o que o dentro não alcança. Perguntei demais. Tanto, que aquilo que eu tinha começou a perder a curva, como se a dúvida apagasse o valor das coisas. E ainda assim, bastava a ausência de um dia para que tudo voltasse com mais intensidade. Como se o que falta gritasse mais alto do que o que permanece. Dizem que certas coisas são importantes por serem, simplesmente. Eu desconfio. Há uma estranha lógica na perda: é ela quem ilumina o que antes passava despercebido. Como se o valor não estivesse nas coisas, mas no vazio que deixam quando partem. E isso é quase injusto. Se é preciso perder para compreender, qual o sentido de possuir? Se a lua deixasse de existir por algumas noites, sentiríamos falta ou apenas estranharíamos o escuro? Perceberíamos? Ou seguiríamos vivendo, ocupados demais para notar o que desaparece? O tempo escapa de nós. Sempre escapou. Então por que corremos tanto atrás dele? Medo? Controle? Ou apenas a ilusão de que é possível segurar o que nunca foi feito para permanecer? Talvez só sintamos falta daquilo que acreditávamos dominar. E talvez, no fundo, não seja perda. Seja apenas o instante em que percebemos que nunca tivemos controle algum. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑

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Até Onde Vai o Amor

Até onde o amor vai? Até onde ele aguenta? E aguentar, é amar ou apenas temer o vazio depois da perda? O que é o amor, afinal? Quatro palavras bem ditas, organizadas o suficiente para parecerem verdade? Ou algo que simplesmente existe sem pedir definição? É escolha ou é destino? E, se for escolha, até quando se escolhe? Existe um limite onde o amor cansa? Ou amar alguém é um caminho sem retorno, irreparável mesmo quando já não faz sentido? Queria entender o amor. Talvez assim eu soubesse proteger o que realmente importa. Dizem que é o sentimento mais bonito. E por um tempo, eu acreditei. Acreditei com a facilidade de quem se deixa levar pela promessa do que ainda não viveu. Havia beleza nas palavras. Havia encanto suficiente para fazer parecer real. Mas palavras sabem ser belas sem serem verdadeiras. E o amor - ou aquilo que chamamos assim - às vezes se mostra apenas isso: um sentimento. E sentimentos são usados. Ditos com cuidado, soam como poesia no ouvido de quem recebe. Mas nas ações… nas ações, às vezes não chegam. E é aí que o amor se afasta. Não porque deixou de existir, mas porque deixou de alcançar. E então ele se torna isso: algo bonito de dizer e difícil de reconhecer. Quase distante. Quase triste. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑

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Onde o Vento Guarda Perguntas

Há perguntas que nunca encontram resposta. Não porque sejam impossíveis, mas porque o tempo necessário para respondê-las às vezes simplesmente não acontece. A vida, em certos momentos, exige explicações. Quer motivos, quer razões, quer algo que organize o que se quebrou. Mas e se não houver nada? E se algumas coisas apenas acontecem porque precisavam acontecer - mesmo que ninguém saiba por quê? Ainda assim insistimos em procurar. Olhando para a lua, seu brilho parece quase hipnotizante. Lembro de certos olhos que tinham a mesma luz. E, mesmo assim, fizeram falta. Como o pôr do sol quando desaparece sem avisar. A noite chega, e a lua toma seu lugar. Mas desta vez não eram mais aqueles olhos. Era apenas a lua. Porque, de alguma forma, você se foi. Sem explicação. Sem motivo. Ou talvez com um motivo que eu nunca perguntei. Há perguntas que escolhemos não fazer. Digo a mim mesma que é sensatez. Mas talvez seja apenas a estranha aceitação de que algumas pessoas deixam de ser a nossa pessoa. E então restam perguntas. Leves demais para permanecer, pesadas demais para esquecer. Perguntas que eu não guardo. Perguntas que eu deixo com o vento. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑

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Cartografia do Caos

O caos me olhou. Não como quem invade, mas como quem reconhece um lugar antigo. Como quem retorna. Não havia pressa em seus gestos. Nem violência. Havia algo pior: familiaridade. Como se ele soubesse que, cedo ou tarde, eu acabaria entendendo. — Como foi que eu entrei na sua vida desse jeito? Não sei se foi ele quem perguntou ou se fui eu. Às vezes a mente cria vozes só para suportar certas respostas. Demorei a perceber que ele não perguntava quando começou. Perguntava por que eu ainda fingia não reconhecê-lo. Sempre pensei no caos como aquilo que desorganiza. Aquilo que rompe, que desloca, que tira as coisas do lugar em que fingiam caber. Mas existe um tipo de caos que não destrói. Ele revela. Revela o que já estava mal sustentado. O que parecia firme apenas porque ninguém tocava. Eu dizia querer evitá-lo. Mas evitar o caos seria evitar movimento. Seria desejar permanência num mundo que nunca prometeu estabilidade. Foi então que entendi algo que me inquietou mais do que o próprio caos: não era ele que me assustava. Era a perda de controle. Era não saber o próximo passo. Era admitir que nem tudo pode ser previsto. Nem contido. O meu próprio caos eu conheço. Ele tem nome. Tem memória. Tem limites. O dos outros, não. E talvez seja isso que realmente desorienta. No fim, o caos não é desordem. É transição. Não é destruição. É deslocamento. Não é o fim das coisas. É o fim das certezas. E talvez o medo nunca tenha sido dele. Talvez o medo seja perceber que aquilo que chamamos de ordem era apenas uma pausa breve antes de tudo se mover. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑

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Mentes Pensantes

Sempre acreditei que a vida, em algum momento, revelaria um sentido. Não um grande sentido, apenas algo suficiente para justificar a existência das coisas. Como se o inexistente pudesse, de repente, acontecer. Talvez seja assim que o sol nasce: sem explicar nada, apenas espalhando laranja e roxo pelo céu como se fosse natural que a beleza existisse. Eu queria que a vida fosse assim também. Algo que simplesmente acontece e, por acontecer, já basta. Mas penso demais. Às vezes meus pensamentos me levam para longe. Outras vezes me deixam exatamente onde estou, o que, curiosamente, é ainda mais distante. Gosto de acreditar que um sorriso faz diferença. Talvez porque faça diferença para mim. Há em cada pessoa uma estranheza silenciosa, algo desalinhado, como uma peça do mundo colocada no lugar errado. E então alguém sorri e por um instante parece que tudo se encaixa. Mas logo achamos isso patético. Talvez porque a ironia seja uma forma elegante de defesa. A ironia é curiosa: ela carrega verdade suficiente para ser suportável. A verdade pura, às vezes, não é. Então começo a me perguntar: Confiamos porque acreditamos ou acreditamos porque precisamos confiar? E quando acreditamos, é realmente fé ou apenas uma história que contamos a nós mesmos para que o mundo não pareça tão vazio? Cada pessoa tem suas próprias verdades. Verdades íntimas, frágeis, que só fazem sentido dentro da própria mente. Ou dentro das mentes que aceitam partilhá-las. Mentes pensantes nunca descansam. Elas inventam perguntas onde talvez não exista nada para perguntar. Criam significados como quem acende pequenas luzes no escuro. Mas quem pode afirmar o que é certo? Ou pior: quem pode afirmar que o errado realmente existe? Talvez prudência e argumento sejam apenas palavras tentando organizar o caos. Talvez tudo seja apenas uma tentativa de tornar suportável o fato de que pensamos demais. No fim, sou apenas isso: uma mente que pensa. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑

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Em Alguns Olhares

Temos sorte, a bela sorte de nos encontrar. De convivermos juntas e crescermos lado a lado. Temos sorte de errar e aprender com o que nos quebra. Mais sorte ainda porque mesmo nos perdendo todos os dias, no fim, a gente sempre se acha. Meio borocoxô, às vezes meio sensível, outras meio desesperançosa. Insegura, desacreditada… eu poderia listar o mundo inteiro, mas ainda assim: temos sorte. Sorte que a gente escolheu. A pequena eu e a jovem eu, andando de mãos dadas com a mulher que ainda vai chegar. E ela vai entender, com um olhar mais calmo, com menos pressa de se cobrar, o porquê dessa sorte. Mas sorte? Talvez a palavra certa seja outra. Destino. Não aquele que cai do céu como milagre, mas o que se constrói no caminho: um passo depois do outro, um tropeço depois do outro, um recomeço depois do outro. Fomos destinadas, sim. Não a acertar sempre, mas a continuar. E assim, entre alguns olhares, a gente amadurece… e se encontra de novo. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑

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Restos de Promessas

Há um silêncio nas palavras ditas em voz alta que não encontram retorno. Mesmo quando a resposta permanece ali, clara demais para ser tocada. É a teimosia que condena ou a que mantém vivo? Persistir é coragem ou apenas medo de aceitar o fim das coisas? Algumas perguntas parecem pequenas, mas exigem o corpo inteiro como resposta. Até quando uma promessa resiste? Até o cansaço? Ou até doer o suficiente para desistir sem culpa? Talvez seja só a mente falando alto demais num quarto vazio. Mas o tempo, esse juiz cansado, nem sempre resolve. Às vezes apenas assiste. E como. Então por que insistir? O que se espera salvar quando tudo já pesa? Talvez eu tenha pesado a mão. Outra vez. Como esquecer palavras que soaram verdadeiras demais? Tão verdadeiras que criaram futuros, ergueram expectativas maiores do que o chão podia sustentar. E lá no fundo, onde ninguém confessa, ainda ardia uma chama pequena de esperança. Tolice, eu sei. Mas nenhuma tolice nasce vazia. Sentimentos, ou a ausência deles, sempre vêm de algum lugar. E quase sempre nascem de expectativas que não sabiam ser medidas. Ou talvez não? Depois vem a frustração: as promessas que não couberam no tempo, nem na vontade. Ainda assim, a lua permanece. Observa em silêncio, testemunha as tentativas, encanta-se com o que se quebra. Talvez isso não seja ausência. Talvez seja apenas o resto do que se tentou escrever e não se viveu. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑

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Os Ha's da Vida

Há um sorriso suspenso no ar Como algo que quase foi Há um brilho que se perdeu no caminho Um amor que nunca chegou a existir E tantas coisas não vividas Que o nada acabou ocupando espaço demais Há um céu absurdamente azul lá fora E ninguém disposto a levantar os olhos Há pores do sol que morrem anônimos Pinturas que só poucos decifram Porque nem toda beleza grita Algumas apenas aguardam quem saiba sentir A vida é isso: um acúmulo de “há’s” esquecidos Presenças que passam despercebidas E ausências que aprendemos a carregar E ainda assim, há algo que todos dividem em silêncio: O desejo de ser diferente, ou de viver algo que escape da rotina da dor Há mentiras pequenas que inventamos Para continuar de pé, para não encarar as consequências do que sentimos de verdade Porque, às vezes, fingir que está tudo bem Parece menos assustador do que admitir Que algo dentro de nós pede mudança Admitir a rachadura no peito É dar permissão para a luz entrar Mas preferimos o mofo do antigo Ao risco de ter que recomeçar ​Construímos muros com os "quases" e telhados com o que "poderia ter sido" Morando em casas de vidro e silêncio Onde o grito é um hóspede proibido ​Mas a vida, em sua teimosia, insiste em bater à janela Ela não quer a nossa perfeição Ela quer apenas que sejamos parte dela ​No fim, o que resta do inventário Não é o que fingimos para sobreviver Mas a coragem de, ao menos uma vez Deixar o que há em nós simplesmente ser. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑ & 𝒢𝑙𝑎𝑢𝑏𝑒𝑟 𝒮𝑎𝑛𝑡𝑡𝑜𝑠

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