Restos de Promessas
Há um silêncio nas palavras ditas em voz alta que não encontram retorno. Mesmo quando a resposta permanece ali, clara demais para ser tocada. É a teimosia que condena ou a que mantém vivo? Persistir é coragem ou apenas medo de aceitar o fim das coisas? Algumas perguntas parecem pequenas, mas exigem o corpo inteiro como resposta. Até quando uma promessa resiste? Até o cansaço? Ou até doer o suficiente para desistir sem culpa? Talvez seja só a mente falando alto demais num quarto vazio. Mas o tempo, esse juiz cansado, nem sempre resolve. Às vezes apenas assiste. E como. Então por que insistir? O que se espera salvar quando tudo já pesa? Talvez eu tenha pesado a mão. Outra vez. Como esquecer palavras que soaram verdadeiras demais? Tão verdadeiras que criaram futuros, ergueram expectativas maiores do que o chão podia sustentar. E lá no fundo, onde ninguém confessa, ainda ardia uma chama pequena de esperança. Tolice, eu sei. Mas nenhuma tolice nasce vazia. Sentimentos, ou a ausência deles, sempre vêm de algum lugar. E quase sempre nascem de expectativas que não sabiam ser medidas. Ou talvez não? Depois vem a frustração: as promessas que não couberam no tempo, nem na vontade. Ainda assim, a lua permanece. Observa em silêncio, testemunha as tentativas, encanta-se com o que se quebra. Talvez isso não seja ausência. Talvez seja apenas o resto do que se tentou escrever e não se viveu. ๋ ࣭ ⭑𝓨𝓾𝓶𝓲𝓷𝓼𝓴𝓲𝓮 ๋ ࣭ ⭑
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.