Contando até dez
Sempre que ouço música clássica eu choro, copiosamente. Assemelha-se, pra mim, a narração de uma história familiar só que sem as palavras, apenas com sentimentos suspensos. Sempre que eu olho pro céu não vejo apenas as nuvens... eu exploro o azul, as nuances, e ele conta só pra mim que o vento logo vai soprar. E quando sopra, eu me sinto amada. Sempre que eu toco as macias cobertas da cama eu sinto o aconchego, como um abraço carinhoso. Sempre que provo algo doce sinto de imediato um afeto, parece uma palavra leve dita com tamanha força que aquece o coração. Sempre que eu sinto o cheiro de chuva, eu lembro de mingau, e lembro a infância. Existia o pique-esconde, contávamos sempre até dez, era um preparo, um ritual, pra iniciar a brincadeira. E, por acaso, agora, lembrei que já não fazemos mais isso. Não contamos até dez em dias difíceis, não preparamos mais o nosso coração nem os dos outros para a grande aventura de viver. Então, me finco aqui, no final desse poema, que não tem a intenção de ser belo, apenas sincero. Vou recostar-me à parede, fechar os olhos, e contar do início... 1... 2... 3... 4... 5... 6... 7... 8... 9... 10!
POEMICIDA®
Ruth, dias melhores virão...
Ruth
Obrigada, Gil! 🥹🙏🏻🌷
Isaac Liadson
que lindo e que triste 🥀
Ruth
Obrigada pela leitura, Isaac! 😊🌷
Nilza Poetisa
Que poesia amiga! Relembrar é viver novamente a criança que ainda vive em você. Eu entendo cada verso Porque também sinto essa saudade. Um ótimo dia pra vc amiga 🌺
Ruth
Oi, querida amiga! Sim, a infância é uma época tão doce, mágica e simples. Acho que por isso que nos faz tanta falta. Um bom final de semana pra você! 😊❤️