100 anos de solidão
Havia um inverno em pleno Novembro E um gesto suspenso que não se cumpriu, Teu nome calado na borda do tempo, E o mundo, de súbito, se contraiu. As horas passaram em passos contidos, Como quem pisa pra não se envolver, E o frio do nada Tão bem calculado Soube, exato, onde me doer. Nenhuma palavra, nenhum desengano, Só o vazio polido entre nós, E esse silêncio, tão firme e tão frio, Que apaga meu rastro e dissolve minha voz. Cem anos se passam em cada segundo, De quem é julgada por só reagir, Enquanto o delito caminha impune, E eu sigo presa por ainda sentir. Teu não foi ausência, foi quase presença, Um corte sutil que ninguém pode ver, Mas feito de gelo, de esquiva e distância, Ensinou meu afeto a se recolher. E eu, que só era um impulso sincero, Virei desmedida, excesso, senão, Pois onde não houve sequer um ruído, Nasceu uma injusta condenação. Pela reação houve julgamento Cumpro pena desde então numa cela feita de silêncio e ausência Condenada a cem anos de solidão. J. 10/04/2026.
_ JeSs _
Que lindo!!!
Rafa
muito obrigada❤️
Ricardo Ferreira Guedes .
belíssimo poema