Aos 25...
O drama ainda não morreu...
Ele ainda é o vestido favorito
que me veste.
O manto que me aquece nas horas frias,
a sombra persistente que me acompanha,
o vulto do outro lado da janela, evitando
as tardes ensolaradas.
Aos 25...
Ainda há esse vazio inexplicável...
que parece ter sido bordado nas
paredes da minha alma.
Esse contemplar o nada
em busca de respostas
e se perder mais ainda.
Aos 25...
Já foram tantas primaveras, tantas
histórias que compõem essa matéria,
tantas pessoas que ficaram marcadas
no tecido da minha existência...
tantas idas e vindas e tantas desistências.
Aos 25...
Eu ainda me pergunto...
Como superar o que nunca
me pertenceu...
Como aceitar que o erro foi meu?
Quando ele estava estampado na minha expressão assustada...
Mas eu juro por Deus
que não era a intenção...
Lançar aquelas lâminas naquele coração.
Aos 25...
Eu ainda enxergo o mundo
em preto e branco. A felicidade ainda
descansa em segundo plano.
A melancolia ainda é minha bebida
favorita, sempre me entorpecendo
no seu teor,
na vã tentativa de domesticar a dor.
Aos 25...
Eles te olham diferente...
como se eu já soubesse tudo,
como se ser um exemplo fosse
uma virtude, como se eu transbordasse
experiência por conhecer de cor
cada tempestade.
Por carregar cicatrizes que ninguém
conhece.
Aos 25...
É, pois é...
Ainda há essa pausa para pensar no que falar.
Eu ainda não tenho um discurso pronto
sobre quem eu sou,
sobre o que entendo
sobre o amor.
Jesswk 🥀
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Por quanto tempo vamos vagar
Nessa escuridão, sem saber onde chegar?
Em busca da luz do sol, tão distante,
Enquanto seguimos perdidos, sem rumo adiante.
Nossa visão tão distorcida do óbvio,
Nossos sentimentos tão confusos, mesmo sóbrios.
Por quanto tempo vamos fingir estar inteiros,
Se por dentro estamos em pedaços, em fragmentos derradeiros?
Quem irá encaixar as peças do nosso quebra-cabeça
E nos devolver o que perdemos, antes que o tempo desapareça?
Quando achávamos que sabíamos de tudo,
Sem perceber que já estavamos perdidos no mundo....
Quem irá nos ensinar a ter esperança,
Quando o fio já foi queimado ?
Por quanto tempo essa chuva irá cair
Sobre nossas cabeças, sem nos deixar fugir?
Nossos pensamentos não são dignos dessa tempestade,
Nem nossa tristeza merece tamanha intensidade.
Nenhuma dor irá nos cortar mais profundamente
Que essa dor instalada em nossas almas, permanentemente.
Quem irá escrever outra prosa melancólica?
Quem prolongará essa história?
Quem disse que a ausência traria a cura,
Que o tempo nos daria o esquecimento e a ternura?
Quem contou cada dia até lá?
Quem saberia dizer onde a saudade terminará?
Isso é mais do que eu disse,
Mais do que o silêncio algum dia permitisse?
Por quanto tempo vamos nos sentir sós,
Mesmo entre estranhos, sem reconhecer a própria voz?
Existindo entre pessoas conhecidas,
Respirando ao lado de quem amamos, mas com as almas perdidas.
Jesswk
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Olá, estado vegetativo Onde todas as flores que eu cultivei Morrem precocemente... Onde todo o sentimento que alimentei Adormece ironicamente.
É com pesar que eu lhe escrevo
essa elegia... que minhas palavras não sejam enterradas nessa expressão Pálida ao cair do dia.
Encarando a paisagem de ferrugem e neon... Quando o sol descansa no horizonte, exausto, a cidade veste as suas Sombras... e eu visto a minha solidão... nesse ambiente nefasto.
Vagando pela neblina que veste as ruas, num manto de melancolia fúnebre. O amor que outrora me reanimava, agora é apenas um vestígio distante, nesse meu estado lúgubre.
Meu espírito parece habitar um corpo condenado às cinzas... Há essa peculiaridade entre existir e viver.
Permanecer não significa estar presente, assim como respirar não constitui necessariamente a existência...
Essa minha existência decadente!
Rabisque sobre a minha pele...
Os meus versos, me enterre trajando
A poesia, para que enfim... eu descanse
Em paz ao fim do dia.
Jesswk🍂
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Você disse que existe um céu
estrelado para cada um,
mas, nesta noite... até as estrelas
sucumbem ao jejum.
Na ausência da luz,
há uma sombra aprendendo
a repousar
sobre aquilo que a noite
recusou nomear.
Milhares de escolhas
atravessam o caminho,
mas todas parecem me conduzir
ao mesmo vazio.
Entre tantas possibilidades,
termino sempre no
mesmo lugar,
ouvindo The Smiths
numa sexta-feira
qualquer,
enquanto o silêncio
aprende a me
acompanhar...
O cinza tinge lentamente
as horas,
desbotando aquilo que um
dia chamei de auroras.
Nem todas as noites vêm
com estrelas,
algumas são apenas ruínas
de constelações
que esqueceram como
voltar a brilhar.
Jesswk
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Eu desejo romper com esses sentimentos
que me assombram nas horas monótonas.
Lembretes aveludados que acariciam minhas feridas,
vestígios desenterrados que fazem pulsar meu coração,
abraçam minha alma em confusão.
Preciso esquecer o motivo pelo qual ainda
lembro. Como uma cidade corroída pelas estações,
guardando nas pedras a memória de todos os tempos
que a atravessaram.
Desejo adormecer em silêncio os meus pensamentos,
me ocultar nas trincheiras das noites silenciosas,
me perder em outros tons de tristeza.
Aceitar outra guerra sem vitória,
onde os mortos são as únicas testemunhas da glória.
Eu aceitaria qualquer condição se eu
pudesse apagar quem eu fui ontem,
esse dia distante que volta como flashbacks
sobre minhas poesias entediantes.
Escorrendo como a lágrima que nunca caiu,
quando eu segurei minhas palavras
e reprimi meus sentimentos.
Eu fui longe demais para decidir
que queria fugir,
e me acolher nas sombras.
Para que, num dia qualquer, eu erga mais um lamento,
como quem escava o passado à procura do próprio esquecimento.
Jesswk🥀
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Setembro chora em lágrimas violentas...
As nuvens se dissolvem no ácido das lembranças ausentes, há uma tempestade em cada estação, mas esta me submerge
Nas minhas próprias emoções.
Essa neblina encobriu meu destino novamente, sete dias parecem uma eternidade para meu espírito descrente... Estou desaparecendo lentamente, como o inverno que morre sem se despedir do presente.
As escrituras que o tempo escreveu em minhas cicatrizes já não falam de redenção ou de dias felizes, mas da lenta liturgia de tudo aquilo que em mim morreu sem
Sepultura.
A distância daquela frágil alegria é a única saudade que ainda me desafia. Mas como posso ter aquilo que o tempo decidiu me fazer perder?
Abandonei o verbal, mas a dor insiste
Em transparecer, se eu morresse sem ruídos, tudo eu teria sentido...
Seria moonlight sonata, em todos os seus movimentos.
Há algo de mim nesse instrumental, na pausa que sucede à guerra, num silêncio quase ritual. Essa melodia tocando no silêncio, costurando em notas aquilo que desfaço por dentro.
Jesswk 🥀
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Cada passo que eu dou me afoga em lembranças,
eu me lanço na correnteza até perder de vista a superfície.
Talvez algumas memórias sejam como águas profundas,
quanto mais tento esquecê-las,
mais fundo me conduzem.
Tenho ignorado qualquer reflexo dos dias
A luz atravessa a janela...
e parece morrer antes de alcançar minha melancolia.
Faço companhia para a poeira
que descansa sobre os móveis.
Ela se acumula onde ninguém toca,
silenciosa, paciente,
como aquilo que sinto
e nunca digo.
Escondi meus sentimentos
nas páginas desses livros interminados.
Entre capítulos Manchados e frases esquecidas.
Meu vulto parece se fundir
com a escuridão da minha casa ao anoitecer.
Já não sei onde termina o quarto
e onde começo a desaparecer.
Ando em círculos tentando
silenciar minha mente.
Eu estou em um colapso autodestrutivo. quanto mais procuro uma saída,
mais perto estou
Do abismo.
A bebida já não me serve de anestesia.
O vinho apenas mancha as páginas,
mas não alcança a raiz da agonia.
Há dores que não dormem,
apenas se escondem
Embaixo de sorrisos forçados.
Recito meus discursos existencialistas
para as paredes.
Elas me devolvem apenas o silêncio,
como se já soubessem que
certas perguntas...
nascem sem resposta
e morrem sem testemunho.
Escrevo para o vácuo
que paira sobre este estado, qualquer vestígio meu, eu descarto...
Estou me tornando cinzas.
Aos poucos, estou desaparecendo,
como a fumaça que a noite desfaz.
Talvez eu seja apenas o que vai se perdendo,
enquanto o mundo continua
e eu fico para trás.
Que a noite guarde o que eu era.
Se tudo em mim virar ausência,
que a poesia seja a última matéria.
Jesswk
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Numa quarta-feira qualquer de julho,
eu me fundi à tristeza,
mergulhei no meu próprio entulho,
e perdi de vista a certeza.
Num silêncio paralisante,
meus pensamentos fazem tudo
distorcer,
há um demônio em cada instante,
há mil razões para desaparecer.
Um para cada ano da minha existência,
um para cada ferida que calei,
a esperança morreu em silêncio,
e a pouca fé que tinha, abandonei.
Minha confissão, tão silenciosa,
não seria capaz de me salvar,
entre lágrimas, uma mente que me autosabota e um coração que
insiste em acelerar.
Eu preciso ir mais longe,
mas sequer sei quem sou,
qualquer palavra me esconde,
qualquer certeza se apagou.
Permaneço inerte nesse vazio,
Como quem morre calada...
deixo meu corpo entregue ao frio,
Como quem vaga pela madrugada.
Pergunto a mim mesma, em segredo,
por que insisto em permanecer?
Talvez eu tenha feito do medo
uma casa onde aprendi a viver.
Espero pela tempestade,
que venha sem pedir perdão,
destruindo com sua crueldade
meus castelos de areia e ilusão.
Jesswk 🥀
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Pegue sua jangada
e navegue na vastidão
desse oceano
que tem desvios
para a escuridão.
Siga a sua rota,
para onde o vento aponta
lá estão seus mistérios,
lá, onde a alma se encontra.
Mire para o céu,
acompanhe as nuvens se afastar...
procure, entre o horizonte,
onde possa descansar.
No silêncio das águas frias,
onde a paisagem se alinha,
deixe que o instante permaneça
antes que o tempo o defina.
Capture na retina,
veja a imagem então ficar
uma recordação que não jaz
para quem sabe admirar.
Porque há beleza que se perde
quando só queremos compartilhar
E há momentos que pertencem
a quem soube contemplar.
JessWk
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Lá vem a melancolia de novo,
entrando pela fresta da porta,
desenhando lágrimas em meus olhos
castanhos escuros de tanto
absorver a fuligem dos incêndios que atravessei.
O azul está voltando a ser a cor
que pinta, lentamente, os meus dias...
sob um céu deprimido,
pisando nas folhas secas,
vestindo o cinza sobre minha
pele gélida.
Tentando me misturar
entre almas sem tempo,
me lançando ao vento frio
do inverno,
escrevendo nesse deserto
onde minha mente se encontra.
Meus sonhos estão adormecidos,
sepultados sob o pó das horas,
como flores que esqueceram
a estação de desabrochar.
Há um silêncio crescendo
dentro de mim,
feito raiz sob a terra.
Ninguém o vê,
mas ele conhece o caminho
de todas as minhas ruínas.
E... lá vem ela de novo...
me lançando nesse abismo,
nessa paisagem sombria
do mês de agosto.
Seu coro entristecido
Se derrama
pelas janelas, como um réquiem
sem nome,
para tudo aquilo que em mim
ainda não morreu,
mas também nunca permaneceu.
Jesswk
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