O cinza da praia
Tudo cinza. Tarde cinza de um dia cinza, com um céu sem cor sobre o mar acinzentado. Algumas gaivotas, igualmente acinzentadas, encolhiam-se sobre a areia desbotada, como se quisessem buscar agasalho do vento que, se tivesse cor, seria cinza também. E então, eu descalcei as botas. Permiti que meus pés – arroxeados, e não cinza – afundassem no gelado da areia fofa. E permiti a todos os meus sentidos que contemplassem o frio da paisagem. O vento insistia contra o meu rosto como se quisesse me manter acordada. O cinza insistia contra meus olhos como se quisesse me mostrar o infinito. O som regular das ondas quebrando me fazia abstrair algum tipo de estabilidade, algum sentido de permanência que eu não sentia em mim. Esse conceito – essa certeza – aos poucos tentava me invadir. Havia uma verdade inconsolável no céu cinzento. Havia uma constante absurda no frio da areia. Havia um desespero colorido em mim. Não havia nada de cinzento em mim, embora eu costumasse vestir um bom tanto de frio. É que não era um frio como do vento cortante, nem frio como do mar de inverno, mas um frio como o de uma lata de tinta fresca, que é, afinal, feita de cor. Eu contrastava na paisagem cinza. Eu oscilava na eternidade da praia. Eu tremia e talvez nem fosse mais de frio. Eu tremia era de cor. Mas havia algo entre o cinza e a confusão. Era o meu pé na areia, o roxo que se fantasiava, coberto de cinza. Entre meu pé e a areia, algo da praia era meu, algo em mim era a praia. (05/2022 - Por: Giovana Lucas)
R E J O
anatomia grey
Pó de giz
episódio especial na praia kkkk
Nilza Poetisa
Nossa Giovana Eu amei teu poema. Valeu meu dia cinza daqui do Sul. Estou deslumbrada Quanta beleza numa escrita 👏🌺🌺🌺🌺
Pó de giz
Aaaa obrigada de coração, querida Nilza! 💟😘😊