Quantos sacrifícios terei de fazer pra que meus filhos me amem? Tenho certeza que por muito menos me odiarão.
Por quantas vezes me entregaram amor desmedido e eu falei amém, irmão?
Um achando que estava amando
E um tentando se sentir amado
Cada um com a sua percepção.
— John Macálister.
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Sinto muito
Peço desculpas
Se não tenho mais tempo
Se tudo na minha vida me distrai
Me perdoa se tudo isso
Me destrói
Minhas escolhas
Foram racionais
Não sentimentais
Acho que até instintivas
Tipo um policial investigativo
Eu apenas chego e mostro o distintivo
Como se fosse parte de mim
Pois está sempre comigo
Mas não sei
Se você estará sempre comigo
Sinto o medo de um futuro
A sós com a minha própria
Companhia
Sinto o cheiro do revés
Quase como um vidente veria
E ao invés
De reverter este viés
Continuo indo rumo ao pútrido e relés
Portanto eu sinto muito
Não sei o que dói mais
Pisar na sua cara
Como se não fosse nada
Ou a dor que este caminho me causa
Parece que não sinto tanto
Quanto pensei, não é?
Um sarcástico hipócrita, não sou?
Então não acho que "sinto dizer"
Mas acho que me dói te dizer
Que sensação ruim
Te digo que sei o quanto dói me perder
Pois me perdi primeiro
Do que você de mim
Tive pernas pra correr pelos outros
E tive que voltar nadando
Perdi o "fôlego"
Flutuei sob uma poça
Onde pensei que não cabia uma mão inteira
Coube o meu mundo todo
Onde julguei ridículo
Ontem soou ínfimo
Não era efêmero
Era íntimo
Hoje soei por mínimos
O sútil que me tornava
E o efeito surtiu como um tornado
Então me desmanchei
Em meio a um céu nublado
Misturados com ar e raiva
Lamentar as lamentações
Engolindo as próprias lágrimas
É um preço salgado demais
Pra você “docemente” se perdoar
Como um anjo que nem conhecia o dinheiro
Eu era puro como a prata
Vazio e escuridão
Oxidaram um caráter de ferro?
Não!
Só acho que o anjo caiu pois perdeu seu escudo
Que na verdade era
A sua maior arma!
— John Macálister.
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Hoje chorei por você
Chorei sozinho
Sem olhos pra julgar
Nem cabeças pra pensar
Hoje chorei por você
Só Deus à espreita
Marcando presença
Chorei por sua ausência
Não consegui segurar meu rosto
Na minha própria cara
Então ela se desmanchou
Ficou feito um borrão
Ficou mal feito
Como um desenho Rabiscado no giz de cera
Normalmente eu amasso
Mas desta vez
Coloquei fogo
Consegui moldar uma estatueta
Ficou pior do que era
O meu melhor é ser o pior
O lado bom só me envenena
Meu lado mau me venera
E o que era bom
Não consigo viver agora
Só consigo lembrar do que éramos
Isso porque
Nem falei do amanhã
Que nunca haverá
Sofrer por algo enxuto
É como ser um galho seco
Que não dará mais frutos
É como ser um agasalho molhado
Que não te agasalha
E não acende na brasa
Porque estar encharcado
Só faz pesar mais nas palavras
E as palavras
Não pegam leve comigo
Por isso sinto que devo encará-las
Assopra-las em um assovio
Pros seus ouvidos são flautas
Em meu corpo soa íntimo
São meus demônios me cozinhando
Pra minha alma gritar
Gritar o quanto sinto sua falta.
— John Macálister.
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Nasci macio
Cresci não tão dócil
Cortei meus pelos
Hoje em dia sou áspero
E não é que seja fácil
Para mim
Isso não é como andar de bicicleta
É correr atrás a pé
é saber que sou eu
Contra todo o resto, além daquela cerca
O que você acha que seria de mim sozinho aqui?
Eu não tinha escolha
Eu tive que mostrar as garra
Tive que me vestir em pele de lobo
Não podia mais andar em quatro patas
Pois tinha medo de ser o alvo
Por ser uma presa
E não me prendi a isso
Me levantei
Me comportei como eles
Me tornando um alfa
Então fui marcado
Um tipo de mancha
Por isso escureci
Não sou mais tão claro
E isso explica muita coisa
E muitas coisas não se explicam
Por si só
E eu sou uma delas
Porque eu não significo
Quase não existo
Só eu neste pasto infinito
O que eu faço, meu pastor com esse vão?
São poucas pegadas pra muito chão
Quase não tô deixando rastro
Por isso ando me perdendo tanto
E aí, não me encontro
Era para ser um desenho com traços
Mas me atravessei
E passei tantas vezes por cima de mim
Que veja só
Estou todo rabiscado
Não sei se isso apaga
Se a queimadura sara
Se meu pelo vai crescer de novo
Nem se voltarei para casa
Mas se for tarde demais
Eu aceito o castigo
"Olha o que eu fiz comigo"
Isso não me levou a nada!
— John Macálister.
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Eu tô vivendo parado
Como se não fosse eu
Vivendo cansado
Tipo, ninguém queria ser eu
Não olho pro “meu lado”
Tipo, não quero ser mais eu
Ninguém entende meus lábios
Por isso mesmo eu sou mais eu
Eu não me entendo
Por isso nem me falo
Como se a conversa não fosse sobre eu
Como falar tão abertamente comigo
Mas com a boca tão fechada?
No currículo tá escrito “Fichado”
Na foto 3x4 “fachada”
“Olha o tamanho dessa cara!”
Que não me diz nada
Na bíblia diz tudo
Minha família condiz tudo
Sobre isso?
Coloco apenas um sobretudo
Conversa de adulto
E ainda por cima que vergonha alheia
Me escondendo feito criancinha
No escuro debaixo da poeira dos tapetes
Igual o preto abaixo das olheiras
Vou tapando minhas orelhas e ocultando os problemas
Pois os dois já cresceram bastante
“Nem me fala”
Com o tamanho que estou
Posso dizer que sou
Um elefante nessa sala
Que só olha e não fala
Mas era apenas meu reflexo
E na verdade isso era uma farsa
Então era outra das minhas “caras”?
“Que careta!”
Ou só mais uma das minhas máscaras?
John Macálister.
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Eu ainda estou aprendendo a andar
Não vivi muitos anos
Sofro tanto por tampouco e já aprendi a pecar
Eu sinto muito por nunca me confessar
É que já nasci ensanguentado no perdão
Mas não aprendi a me perdoar
Meu nome é Joao
Por acaso não
É assim que me chamam
Mas ainda estou terminando de me interpretar
Em meio a tantas desgraças
Tento ser justo, coerente
E também sim, audacioso
De um jeito ou de outro
As coisas retornam a mim
Até porque
sou um humano entre humanos
Sinto que posso ser mais a cada dia
Sinto tornando-me algo forte
E que não deveria
Sei que tenho algum propósito mas não sei ainda
Vou retornar algum dia
Pois quero me tornar um filho pródigo
Que jamais imaginei que seria
Mas antes
Preciso aprender a entender
A maldade que há neste mundo
Preciso ser bom e ruim
Humano e desumano
Humilhar e ser humilhado
Diminuir e ser exaltado
Um pouco disto tudo
Percebo minhas malicias
Não sei se também perceberão
Deus sentiu minha ausência na igreja
Meus demônios se deliciaram na minha presença
Os “irmãos” não
Na busca da minha felicidade
Me perdi nos caminhos da soberba
Nas entrevias da vaidade
Nessa pressa toda
Fui tomado de ganância
Livrado dos acidentes da cidade
Confundi as palavras
Os incidentes foram mais graves
E por infelicidade
Não percebi o “pare”
Mas olha o quão longe eu fui
Por ti ultrapassares
Por quantos pares já passei
Não parei pra pensar nas consequências
Pensei ter chegado em algum lugar
Cheguei em lugar nenhum
Eu só me afastei
Você me procurou, eu não fiz questão
Na verdade, eu corri numa esteira
Reparando bem
Eu nunca sai da palma da tua mão
Peço ao senhor, a tua calma
Pois teço essas linhas
Para alcançar respostas na minha própria alma
Dar palavras amáveis e talvez ríspidas
Aos meus traumas
Mas bata todo dia à minha porta
Porque sente minha falta
Traga teu corpo e teu sangue
Pois sinto sede e fome
Preencha-me mesmo que eu ache que já estou cheio
Mas, não senhor, por favor
não me abandone.
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Eu sou um espelho da minha mãe
Eu sou pedaços
Estilhaços dos cacos dela
Eu sou ciscos de coragem
Farelos de um flagelo, por isso nasci com o coração repartido
A outra metade ela não tem porque ela me deu
Era eu
A água que escorria daqueles panos torcidos
Suor que descia pelo teu rosto
O sol que queimava a sua pele
As contas atrasadas
O salário apertado
A geladeira com água
As cobranças que não se pagava com dinheiro
As pedras na cruz, a falta de luz
A sua ausência conosco
Os brinquedos que eu não ganhava
Os surtos, os gritos, os choros, as orações, os sussurros nos ouvidos de Deus
Os momentos que não se divertiam por si só
Os remédios que devoravam nossa comida
As saídas que não à tiravam disto, nenhum segundo se quer
E aquilo tudo era eu..
Eu, duas irmãs e uma mãe solteira.
– John Macálister.
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O homem tão certo dos teus domínios
Não sabe onde mora seus demônios
Até onde vai um ser humano pelo o que acredita?
Até onde pode-se dizer que é harmônio
Até onde você vai parar quando não se acredita?
Até onde sua mente sucumbe?
Até onde sua ética é errônea?
Princípios secundários como fichários
Guardados no armário
Desaparecido
Um moleque que uma vez foi homem
E nunca mais foi encontrado
A vida cotidiana é monótona
Veja como as coisas te olham de volta
Olhe como você se vê na volta
O que suas mentiras te disseram hoje?
Exatamente o que você queria ouvir
Dar espaço a algo tão vazio
Só te deixará mais só
Essas coisas te agarram e não soltam
E aí em breve
Você aparecerá numa série de serial killer
Assassinado várias vezes
Pego de refém por um momento breve
De angústia e ego mas acima de tudo
Fraqueza
Que te deixará amarrado por anos num sótão
Tempo suficiente pra você escrever um livro na sua cabeça
“O meu primeiro Thriller”
Você não vai querer que alguém o leia
Então você vai perceber que tem coisas
Que só você e deus sabem
E achar que pode esconde-las dele
É o seu maior erro
Pois não se esconde um elefante debaixo do tapete
Não seja ridículo
E eu não serei irônico
Então desembarace estes nós
Porque isso tudo não cabe em mim
Não cabe em você
Não cabe a nós.
John Macálister.
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Te deixo
Deixo-te mergulhar em mim
Traga-me força feito maremotos
Aqui está muito calmo feito o céu nublado em dia ruim
Sinta as fraquezas nos meus mares mortos
Veja como parece que o céu ficou de ponta cabeça
O fundo é o mais alto que consigo ir
Meu coração é uma área abissal e inexplorada
Pois ninguém teve fôlego para imergir
Então flutue como uma água-viva neste mar morto que sou eu
Se camufle em meio às feridas
Não sentirei seu toque de alta “vontade”
Pois não sei mais diferir o que menos ou mais doeu
Independente do que aconteceu ou aconteça
Tome meu corpo
Eu sacio os nossos prazeres
Arreganhando suas pernas
Eu te como tão como um caranguejo no prato
Na minha cama um regaço
Num banquete eu te molho no molho te mastigo como um regalo
Depois não teve trocas de afetos e abraços
Só trocamos de roupas e quartos
Troquei afeto por afetado
Eu fiz sexo
Não fiz amor
Eu fui mal amado
E este é o viés
Eu te enganei pra não ser enganado.
Você se afogou em mim por alguns instantes
Mas nem sequer molhou os pés
Devaneando à beira da imensidão
Você ficou pairado.
John Macálister.
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Como uma garrafa sou vazio e me quebro por pouco
Mas não me acolha com as mãos nuas e vazias
Pois corto elas como uma navalha
Por um descuido bobo
Me amar é decepcionante
É delicado o tempo inteiro
Como se estivesse nas suas mãos facas com "fios" de corte
E você tentando acariciar o meu cabelo
Meu cabelo é de negro
É áspero, volumoso e felpudo
Não é pra acaricia-lo
Se fosse fofo eu tinha cachos
Não tirei as pontas
Fiz um nudred e deixei pontudo feito meus traços
A ponta do meu lápis pontiaguda feito uma agulha
Vou escrevendo por cima dos machucados
Tapando marcas e cicatrizes
Como um tatuador
Com um lápis num papel sem margens
Eu tatuo a dor
Lembranças desastrosas são imagens
Então imagine a dor
Eu entro pra polícia como retratista
Desenhando delatos e delitos de amor
E eu nem sou profissional
Sou apenas um amador
Falando o que sinto e retratando na arte
Sou um quadro à parte
Nem um gênio
Nem nada de mais
Eu só amo a dor.
John Macálister.
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