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John Macálister

@opoetamacalister · desde 2019

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Drama

Tal pai tal filho

Quantos sacrifícios terei de fazer pra que meus filhos me amem? Tenho certeza que por muito menos me odiarão. Por quantas vezes me entregaram amor desmedido e eu falei amém, irmão? Um achando que estava amando E um tentando se sentir amado Cada um com a sua percepção. — John Macálister.

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Drama

Abandono

Sinto muito Peço desculpas Se não tenho mais tempo Se tudo na minha vida me distrai Me perdoa se tudo isso Me destrói Minhas escolhas Foram racionais Não sentimentais Acho que até instintivas Tipo um policial investigativo Eu apenas chego e mostro o distintivo Como se fosse parte de mim Pois está sempre comigo Mas não sei Se você estará sempre comigo Sinto o medo de um futuro A sós com a minha própria Companhia Sinto o cheiro do revés Quase como um vidente veria E ao invés De reverter este viés Continuo indo rumo ao pútrido e relés Portanto eu sinto muito Não sei o que dói mais Pisar na sua cara Como se não fosse nada Ou a dor que este caminho me causa Parece que não sinto tanto Quanto pensei, não é? Um sarcástico hipócrita, não sou? Então não acho que "sinto dizer" Mas acho que me dói te dizer Que sensação ruim Te digo que sei o quanto dói me perder Pois me perdi primeiro Do que você de mim Tive pernas pra correr pelos outros E tive que voltar nadando Perdi o "fôlego" Flutuei sob uma poça Onde pensei que não cabia uma mão inteira Coube o meu mundo todo Onde julguei ridículo Ontem soou ínfimo Não era efêmero Era íntimo Hoje soei por mínimos O sútil que me tornava E o efeito surtiu como um tornado Então me desmanchei Em meio a um céu nublado Misturados com ar e raiva Lamentar as lamentações Engolindo as próprias lágrimas É um preço salgado demais Pra você “docemente” se perdoar Como um anjo que nem conhecia o dinheiro Eu era puro como a prata Vazio e escuridão Oxidaram um caráter de ferro? Não! Só acho que o anjo caiu pois perdeu seu escudo Que na verdade era A sua maior arma! — John Macálister.

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Lágrimas

Ausência

Hoje chorei por você Chorei sozinho Sem olhos pra julgar Nem cabeças pra pensar Hoje chorei por você Só Deus à espreita Marcando presença Chorei por sua ausência Não consegui segurar meu rosto Na minha própria cara Então ela se desmanchou Ficou feito um borrão Ficou mal feito Como um desenho Rabiscado no giz de cera Normalmente eu amasso Mas desta vez Coloquei fogo Consegui moldar uma estatueta Ficou pior do que era O meu melhor é ser o pior O lado bom só me envenena Meu lado mau me venera E o que era bom Não consigo viver agora Só consigo lembrar do que éramos Isso porque Nem falei do amanhã Que nunca haverá Sofrer por algo enxuto É como ser um galho seco Que não dará mais frutos É como ser um agasalho molhado Que não te agasalha E não acende na brasa Porque estar encharcado Só faz pesar mais nas palavras E as palavras Não pegam leve comigo Por isso sinto que devo encará-las Assopra-las em um assovio Pros seus ouvidos são flautas Em meu corpo soa íntimo São meus demônios me cozinhando Pra minha alma gritar Gritar o quanto sinto sua falta. — John Macálister.

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Poema

Ovelha negra

Nasci macio Cresci não tão dócil Cortei meus pelos Hoje em dia sou áspero E não é que seja fácil Para mim Isso não é como andar de bicicleta É correr atrás a pé é saber que sou eu Contra todo o resto, além daquela cerca O que você acha que seria de mim sozinho aqui? Eu não tinha escolha Eu tive que mostrar as garra Tive que me vestir em pele de lobo Não podia mais andar em quatro patas Pois tinha medo de ser o alvo Por ser uma presa E não me prendi a isso Me levantei Me comportei como eles Me tornando um alfa Então fui marcado Um tipo de mancha Por isso escureci Não sou mais tão claro E isso explica muita coisa E muitas coisas não se explicam Por si só E eu sou uma delas Porque eu não significo Quase não existo Só eu neste pasto infinito O que eu faço, meu pastor com esse vão? São poucas pegadas pra muito chão Quase não tô deixando rastro Por isso ando me perdendo tanto E aí, não me encontro Era para ser um desenho com traços Mas me atravessei E passei tantas vezes por cima de mim Que veja só Estou todo rabiscado Não sei se isso apaga Se a queimadura sara Se meu pelo vai crescer de novo Nem se voltarei para casa Mas se for tarde demais Eu aceito o castigo "Olha o que eu fiz comigo" Isso não me levou a nada! — John Macálister.

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Drama

Quem Vai Fazer Por Mim?

Eu tô vivendo parado Como se não fosse eu Vivendo cansado Tipo, ninguém queria ser eu Não olho pro “meu lado” Tipo, não quero ser mais eu Ninguém entende meus lábios Por isso mesmo eu sou mais eu Eu não me entendo Por isso nem me falo Como se a conversa não fosse sobre eu Como falar tão abertamente comigo Mas com a boca tão fechada? No currículo tá escrito “Fichado” Na foto 3x4 “fachada” “Olha o tamanho dessa cara!” Que não me diz nada Na bíblia diz tudo Minha família condiz tudo Sobre isso? Coloco apenas um sobretudo Conversa de adulto E ainda por cima que vergonha alheia Me escondendo feito criancinha No escuro debaixo da poeira dos tapetes Igual o preto abaixo das olheiras Vou tapando minhas orelhas e ocultando os problemas Pois os dois já cresceram bastante “Nem me fala” Com o tamanho que estou Posso dizer que sou Um elefante nessa sala Que só olha e não fala Mas era apenas meu reflexo E na verdade isso era uma farsa Então era outra das minhas “caras”? “Que careta!” Ou só mais uma das minhas máscaras? John Macálister.

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Não Me Abandone

Eu ainda estou aprendendo a andar Não vivi muitos anos Sofro tanto por tampouco e já aprendi a pecar Eu sinto muito por nunca me confessar É que já nasci ensanguentado no perdão Mas não aprendi a me perdoar Meu nome é Joao Por acaso não É assim que me chamam Mas ainda estou terminando de me interpretar Em meio a tantas desgraças Tento ser justo, coerente E também sim, audacioso De um jeito ou de outro As coisas retornam a mim Até porque sou um humano entre humanos Sinto que posso ser mais a cada dia Sinto tornando-me algo forte E que não deveria Sei que tenho algum propósito mas não sei ainda Vou retornar algum dia Pois quero me tornar um filho pródigo Que jamais imaginei que seria Mas antes Preciso aprender a entender A maldade que há neste mundo Preciso ser bom e ruim Humano e desumano Humilhar e ser humilhado Diminuir e ser exaltado Um pouco disto tudo Percebo minhas malicias Não sei se também perceberão Deus sentiu minha ausência na igreja Meus demônios se deliciaram na minha presença Os “irmãos” não Na busca da minha felicidade Me perdi nos caminhos da soberba Nas entrevias da vaidade Nessa pressa toda Fui tomado de ganância Livrado dos acidentes da cidade Confundi as palavras Os incidentes foram mais graves E por infelicidade Não percebi o “pare” Mas olha o quão longe eu fui Por ti ultrapassares Por quantos pares já passei Não parei pra pensar nas consequências Pensei ter chegado em algum lugar Cheguei em lugar nenhum Eu só me afastei Você me procurou, eu não fiz questão Na verdade, eu corri numa esteira Reparando bem Eu nunca sai da palma da tua mão Peço ao senhor, a tua calma Pois teço essas linhas Para alcançar respostas na minha própria alma Dar palavras amáveis e talvez ríspidas Aos meus traumas Mas bata todo dia à minha porta Porque sente minha falta Traga teu corpo e teu sangue Pois sinto sede e fome Preencha-me mesmo que eu ache que já estou cheio Mas, não senhor, por favor não me abandone.

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Um Terço De Você

Eu sou um espelho da minha mãe Eu sou pedaços Estilhaços dos cacos dela Eu sou ciscos de coragem Farelos de um flagelo, por isso nasci com o coração repartido A outra metade ela não tem porque ela me deu Era eu A água que escorria daqueles panos torcidos Suor que descia pelo teu rosto O sol que queimava a sua pele As contas atrasadas O salário apertado A geladeira com água As cobranças que não se pagava com dinheiro As pedras na cruz, a falta de luz A sua ausência conosco Os brinquedos que eu não ganhava Os surtos, os gritos, os choros, as orações, os sussurros nos ouvidos de Deus Os momentos que não se divertiam por si só Os remédios que devoravam nossa comida As saídas que não à tiravam disto, nenhum segundo se quer E aquilo tudo era eu.. Eu, duas irmãs e uma mãe solteira. – John Macálister.

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Poema

Ser Humano

O homem tão certo dos teus domínios Não sabe onde mora seus demônios Até onde vai um ser humano pelo o que acredita? Até onde pode-se dizer que é harmônio Até onde você vai parar quando não se acredita? Até onde sua mente sucumbe? Até onde sua ética é errônea? Princípios secundários como fichários Guardados no armário Desaparecido Um moleque que uma vez foi homem E nunca mais foi encontrado A vida cotidiana é monótona Veja como as coisas te olham de volta Olhe como você se vê na volta O que suas mentiras te disseram hoje? Exatamente o que você queria ouvir Dar espaço a algo tão vazio Só te deixará mais só Essas coisas te agarram e não soltam E aí em breve Você aparecerá numa série de serial killer Assassinado várias vezes Pego de refém por um momento breve De angústia e ego mas acima de tudo Fraqueza Que te deixará amarrado por anos num sótão Tempo suficiente pra você escrever um livro na sua cabeça “O meu primeiro Thriller” Você não vai querer que alguém o leia Então você vai perceber que tem coisas Que só você e deus sabem E achar que pode esconde-las dele É o seu maior erro Pois não se esconde um elefante debaixo do tapete Não seja ridículo E eu não serei irônico Então desembarace estes nós Porque isso tudo não cabe em mim Não cabe em você Não cabe a nós. John Macálister.

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Poema

Te Deixo

Te deixo Deixo-te mergulhar em mim Traga-me força feito maremotos Aqui está muito calmo feito o céu nublado em dia ruim Sinta as fraquezas nos meus mares mortos Veja como parece que o céu ficou de ponta cabeça O fundo é o mais alto que consigo ir Meu coração é uma área abissal e inexplorada Pois ninguém teve fôlego para imergir Então flutue como uma água-viva neste mar morto que sou eu Se camufle em meio às feridas Não sentirei seu toque de alta “vontade” Pois não sei mais diferir o que menos ou mais doeu Independente do que aconteceu ou aconteça Tome meu corpo Eu sacio os nossos prazeres Arreganhando suas pernas Eu te como tão como um caranguejo no prato Na minha cama um regaço Num banquete eu te molho no molho te mastigo como um regalo Depois não teve trocas de afetos e abraços Só trocamos de roupas e quartos Troquei afeto por afetado Eu fiz sexo Não fiz amor Eu fui mal amado E este é o viés Eu te enganei pra não ser enganado. Você se afogou em mim por alguns instantes Mas nem sequer molhou os pés Devaneando à beira da imensidão Você ficou pairado. John Macálister.

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Arte

Marcado à lápis

Como uma garrafa sou vazio e me quebro por pouco Mas não me acolha com as mãos nuas e vazias Pois corto elas como uma navalha Por um descuido bobo Me amar é decepcionante É delicado o tempo inteiro Como se estivesse nas suas mãos facas com "fios" de corte E você tentando acariciar o meu cabelo Meu cabelo é de negro É áspero, volumoso e felpudo Não é pra acaricia-lo Se fosse fofo eu tinha cachos Não tirei as pontas Fiz um nudred e deixei pontudo feito meus traços A ponta do meu lápis pontiaguda feito uma agulha Vou escrevendo por cima dos machucados Tapando marcas e cicatrizes Como um tatuador Com um lápis num papel sem margens Eu tatuo a dor Lembranças desastrosas são imagens Então imagine a dor Eu entro pra polícia como retratista Desenhando delatos e delitos de amor E eu nem sou profissional Sou apenas um amador Falando o que sinto e retratando na arte Sou um quadro à parte Nem um gênio Nem nada de mais Eu só amo a dor. John Macálister.

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