Não Me Abandone
Eu ainda estou aprendendo a andar Não vivi muitos anos Sofro tanto por tampouco e já aprendi a pecar Eu sinto muito por nunca me confessar É que já nasci ensanguentado no perdão Mas não aprendi a me perdoar Meu nome é Joao Por acaso não É assim que me chamam Mas ainda estou terminando de me interpretar Em meio a tantas desgraças Tento ser justo, coerente E também sim, audacioso De um jeito ou de outro As coisas retornam a mim Até porque sou um humano entre humanos Sinto que posso ser mais a cada dia Sinto tornando-me algo forte E que não deveria Sei que tenho algum propósito mas não sei ainda Vou retornar algum dia Pois quero me tornar um filho pródigo Que jamais imaginei que seria Mas antes Preciso aprender a entender A maldade que há neste mundo Preciso ser bom e ruim Humano e desumano Humilhar e ser humilhado Diminuir e ser exaltado Um pouco disto tudo Percebo minhas malicias Não sei se também perceberão Deus sentiu minha ausência na igreja Meus demônios se deliciaram na minha presença Os “irmãos” não Na busca da minha felicidade Me perdi nos caminhos da soberba Nas entrevias da vaidade Nessa pressa toda Fui tomado de ganância Livrado dos acidentes da cidade Confundi as palavras Os incidentes foram mais graves E por infelicidade Não percebi o “pare” Mas olha o quão longe eu fui Por ti ultrapassares Por quantos pares já passei Não parei pra pensar nas consequências Pensei ter chegado em algum lugar Cheguei em lugar nenhum Eu só me afastei Você me procurou, eu não fiz questão Na verdade, eu corri numa esteira Reparando bem Eu nunca sai da palma da tua mão Peço ao senhor, a tua calma Pois teço essas linhas Para alcançar respostas na minha própria alma Dar palavras amáveis e talvez ríspidas Aos meus traumas Mas bata todo dia à minha porta Porque sente minha falta Traga teu corpo e teu sangue Pois sinto sede e fome Preencha-me mesmo que eu ache que já estou cheio Mas, não senhor, por favor não me abandone.
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