Estou falando com as paredes
e numero quatro delas
cheia de esquadros e estantes
mas nenhuma janela
As paredes me abraçam
sem me trair depois
mas a um acusa a três
e a quatro acusa a dois
As paredes tem um tom
de brilho cintilante
não há dor ou agonia
somente uma luz alvejante
Então durmo profundamente
e desperto num intenso pranto
as parades que tanto aconselhavam
nem um "a" estão professando
As paredes não acusam
e nem sopram mais aos meus ouvidos
não me aludem de afeto
nem me chamam mais de amigo
então desmonto tudo
para que nada as esconda
retiro os quadros e estantes
para não se formar nenhuma sombra
Então mesmo com vossa ausência
as questiono após remover os quadros
Parade um, parede dois
Parade três, parade quatro
quantas mentiras são necessárias
para me manter neste quarto?
E mesmo com a ausência
do respectivos numerados
ainda me recusei a sair
mesmo com o véu descortinado
Então durmo profundamente
mesmo com o latente sofrimento
desperto mais alarmado
sentindo tudo o que não estava vendo
Não havia se quer paredes
e muito menos que soubessem falar
apenas eu aprisionado
no que me forcei a acreditar
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Amor onÃrico
adormecido em travesseiro
meu amor tem tantos sonhos
que mal sei qual veio primeiro
e antes que adormeça
lhe acudo com meu despertar
e acaso a dormência volte
deixe-me vosso sonho vislumbrar
então toque-me forte
se o pesadelo atordoar
até que a paz retorne
quando vosso anjo lhe vier guardar
mas antes do toque
quero o sonambulismo imáculo
em vosso sono descobrirei
se até os sonhos podem ter átomos.
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Ao meu esquálido Diabo
Estou encarando Diabo
vosso sussurro estou a escutar
tem pele negra e duas galhadas
e uma beleza impossÃvel de mensurar
estou encarando o Diabo
não numa pintura aquarela
está visceral na minha frente
iluminado pela lua que transpassa a janela
estou encarando o Diabo
com sua perfeição tão imunda
quando o Diabo me olha nos olhos
minha face de lágrimas se inunda
eu estou encarando o Diabo
mas no insondável encarar
de seus olhos vermelhos
finalmente pude notar
que apenas estava me olhando no espelho.
- chris vilas | @relampejei
feito com amor.
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enlouqueço devagar
para não deixar a garganta ardente
quando não consigo tocar o ar
somente o insano me é pertinente
sem poder me preocupar
se a loucura está ausente
então sigo a perscrutar
meu coração tão estridente
se para trás quero chegar
meu coração puxa para frente
se ponho os pés no mar
meu coração se torna enchente
e não há quem possa contestar
tal mistério tão confiante
estou falando de olhar
a realidade sem usar lente
porque se meu peito rasgar
e abrir cicatriz permanente
usarei o sangue que jorrar
para escrever o que vem na mente
e se nada me sustentar
em meio ao caos latente
sei que irei conquistar
o vácuo do espaço transcendente
e quando a noite se findar
com o sereno desvanescente
para a lua irei cantar
até que O Sol volte novamente.
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poucas coisas são mais fortes
do que a dor que em mim deságua
quando a dor lateja em meu espÃrito
faz estremecer meu corpo e alma
poucas coisas são mais fortes
do que aquilo que me impede de prosseguir
mas tenho um cálice de vinho
então por hoje vou me divertir
poucas coisas são mais fortes
do que o choro de minha criança
quando ela chora dentro de mim
a sua dor vem e me alcança
poucas coisas são mais fortes
do que a minha confidente solidão
sei bem que nem após a morte
encontrei a compreensão
poucas coisas são mais fortes
do que a neblina que invade meu peito
mas antes do chegar da morte
eu me levantei do leito
poucas coisas são mais fortes
do que a tristeza que me invade
então pego a flecha e o arco
e miro nela antes que seja tarde
poucas coisas são mais fortes
do que o meu transbordar de receio
por isso tenho de mirar no alvo
e o tiro será certeiro
poucas coisas são mais fortes
do que a lamina que fez meu sangue jorrar
e uma destas coisas mais fortes
é o dom de poder me curar
poucas coisas são mais fortes
do que tudo isto que sucedeu
mas se eu ainda respiro
então o mais forte sou eu.
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gosto do que é real
sem aqueles contos
de inÃcio, meio e fim
quando desejo viver uma ficção
sei que só estou mentindo pra mim
não quero que meu amor
venha resolver meus problemas
deixe que eu mesmo cuido disso
sei que eu mesmo posso romper as algemas
quando almejo viver
uma realidade contrastante
sei que só quero suprir
aquilo que está faltante
deixe que eu mesmo sinta isso
mas com a alma, e não tato
deixe-me ver a realidade
sem usar lentes de contato
gosto do que é real
mas as vezes nem tanto
mas é melhor enxergar o real
do que sofrer fantasiando
então deixe
que eu toque vossa realidade paralela
tocar seu coração de carne e sangue
e não um pintado em aquarela
despeça-se das fantasias
e mostre-me cada um de vossos lados
que tem fazem ser o que não és
para suprir aquilo que não lhe foi dado
sorria para mim
e isto é tudo o que peço
e me mostre cada falta
que você esconde em vossos excessos.
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a terra está agarrando meus pés
e me puxando para minha origem
quando eu ascender ás forças telúricas
minha vida carnal estará em vertigem
a terra está agarrando meu quadril
querendo me sugar feito espiral
quanto a mata inteira me engolir
tornar-me-ei um espÃrito florestal
a terra está agarrando meus ombros
a casa instante que estás a passar
sinto meu corpo inteiro ser plantado
para um dia poder germinar
a terra me engoliu por completo
e ela secará a qualquer instante
mas eu sei que renascerei
em uma mata verde num lugar distante.
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recebi uma carta do céu
com estrelas e um brilho lunar
tinha textura de nuvem
e um bálsamo intenso de almÃscar
para abri-lá
era necessário uma força
que não me era detida
as estrelas que a selavam
não eram facilmente rompidas
vou à janela pedir ajuda à lua
enquanto em vosso brilho me deleito
e a carta foi aberta apenas com um toque
não de força, mas de jeito
ao abrir, noto uma frase
que cintilava feito a luz do luar
é isto o que diz, aquele brilho que seduz
"não se pode conhecer os mistérios da noite
se a escuridão não for contemplada como a luz"
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Amor brasileiro
afetivo-tropical
lhe amo até mesmo
após festivo carnaval
nos escombros telúricos
do recanto florestal latino
se me dou por inteiro
você diz que estou mentindo
até nos chãos sujos
dos arcos lapianos
não importa quem passe
é você quem estou amando
e por você, meu bem
aprendo todo o tronco linguÃstico Tupi
e as encantarias do Catimbó
e peço aos Deuses antigos
que façam nós dois sermos um só
e meu amor por ti
floresce como dama-da-noite
e e perfuma todo ar
exalando o amor
brasileiro lunar
não deixe que nosso amor
fique esquálido como nossas havaianas
quando eu me deleitares em vosso ombro
não demores para dizer que me amas
corra para a mata comigo
onde fugimos de toda dor
pegue a tela e os pincéis
e tinja a vida com tinta-cor
e toda vez que pensares
que não me dou por inteiro
tenha ciência, meu bem
que meu amor por ti
és tropical-brasileiro
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As luzes de natal cintilam
então debruço-me no bálsamo de canela
posso te ver do outro lado
e as luzes brilhando em vossa janela
as luzes de natal cintilam
num verão brasileiro-tropical
posso ver você pondo a estrela
no topo da árvore de natal
as luzes de natal cintilam
vermelho, amarelo, verde e azul
posso sentir você me observar
enquanto estou deitado semi-nu
as luzes de natal cintilam
num brilho que não se pode cessar
acordo, e já é dia vinte e quatro
e sinceramente, não espero lhe encontrar
as luzes de natal cintilam
num tom lúdico-fosforescente
mas desejo mesmo, que na meia-noite
nos abracemos novamente
as luzes de natal cintilam
já posso notar o fogaréu
da chama que assa o pernil
e dos fogos de artifÃcio no céu
as luzes de natal cintilam
e o relógio crava no doze
e tudo sai do esperado
do que eu esperava que fosse
as luzes de natal cintilam
e eu lhe encontro no meio da ceia
pude logo sentir
um tom sublime que em mim incendeia
as luzes de natal cintilam
e depois de tanto fugir
da minha sombra abissal
encontrei ela à meia-noite
durante a ceia de natal
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