O SAPATO 👞
O SAPATO 👞 Parte II não mede inteligência. Que uma camisa simples não determina competência. Que um currículo feito pelo vizinho não apaga o desejo de aprender. Ninguém lhe contou que existem políticas públicas que prometem qualificação, aprendizagem, profissionalização, inclusão, trabalho decente. Ninguém lhe disse que o direito ao trabalho também deveria ser o direito de chegar à porta sem sentir vergonha de si. Porque existe uma diferença dolorosa entre ter uma oportunidade no papel e conseguir atravessar a porta com a autoestima inteira. Ele saiu dali. Não sabia se havia perdido a vaga. Mas sentia que havia perdido algo maior: a coragem de tentar novamente. O caminho de volta parecia maior que o caminho da ida. O mesmo sol estava lá. As mesmas ruas. A mesma padaria. Mas o rapaz já não era o mesmo. Na ida, carregava um sonho. Na volta, carregava uma pergunta: “Será que eu não sou bom o bastante?” E talvez essa seja uma das maiores violências da desigualdade: não é apenas tirar do jovem a oportunidade. Às vezes, fazê-lo acreditar que ele nunca foi feito para aquela oportunidade. Mas, rapaz, se algum dia estas palavras chegarem até você, escute: o seu sapato não define seus passos. A sua roupa não determina seu valor. Seu endereço não escreve seu destino. Seu currículo pode ser pequeno, mas seu desejo pode ser imenso. E aquela manhã em que você viu a placa e disse: “Eu vou!” não foi uma derrota. Foi coragem. Talvez a sociedade ainda precise aprender que políticas públicas não podem apenas abrir portas. Precisam ajudar o jovem a chegar até elas. Precisam garantir formação, acesso, permanência, equidade e, sobretudo, a possibilidade de acreditar que aquela porta também pode ser sua. Porque emprego não deveria ser um lugar onde alguns entram e outros aprendem a se sentir pequenos. Trabalho digno deveria ser encontro: do direito com a oportunidade, da formação com a possibilidade, do sonho com a realidade.
Jack Mayala Seven
Que lindo Que contraste doloroso e bem escrito, poetisa Olinda Fez-me pensar bastante.
Olinda do Socorro Machado Soares
gratidão pelo retorno
Nilza Poetisa
Um poema simplesmente perfeito amiga. Eu não tiraria uma vírgula. Vc escreve com exatidão. Adorei tudo 👏👏👏👏👏❤️❤️