O SAPATO 👞 Parte III
E, quem sabe um dia,
aquele rapaz volte àquela mesma porta.
Com outro currículo.
Com outro sapato.
Ou talvez com o mesmo.
Mas desta vez
sem abaixar os olhos.
E diga:
— Eu vim tentar novamente.
Porque há sonhos
que não morreram.
Apenas ficaram escondidos
por algum tempo
dentro de um velho sapato.
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O SAPATO 👞 Parte II
não mede inteligência.
Que uma camisa simples
não determina competência.
Que um currículo feito pelo vizinho
não apaga o desejo de aprender.
Ninguém lhe contou
que existem políticas públicas
que prometem qualificação,
aprendizagem,
profissionalização,
inclusão,
trabalho decente.
Ninguém lhe disse
que o direito ao trabalho
também deveria ser
o direito de chegar à porta
sem sentir vergonha de si.
Porque existe uma diferença dolorosa
entre ter uma oportunidade no papel
e conseguir atravessar a porta
com a autoestima inteira.
Ele saiu dali.
Não sabia se havia perdido a vaga.
Mas sentia que havia perdido algo maior:
a coragem de tentar novamente.
O caminho de volta parecia maior
que o caminho da ida.
O mesmo sol estava lá.
As mesmas ruas.
A mesma padaria.
Mas o rapaz já não era o mesmo.
Na ida, carregava um sonho.
Na volta,
carregava uma pergunta:
“Será que eu não sou bom o bastante?”
E talvez essa seja
uma das maiores violências da desigualdade:
não é apenas tirar do jovem
a oportunidade.
Às vezes,
fazê-lo acreditar
que ele nunca foi feito
para aquela oportunidade.
Mas, rapaz,
se algum dia estas palavras chegarem até você,
escute:
o seu sapato não define seus passos.
A sua roupa não determina seu valor.
Seu endereço não escreve seu destino.
Seu currículo pode ser pequeno,
mas seu desejo pode ser imenso.
E aquela manhã
em que você viu a placa
e disse:
“Eu vou!”
não foi uma derrota.
Foi coragem.
Talvez a sociedade ainda precise aprender
que políticas públicas não podem apenas abrir portas.
Precisam ajudar o jovem
a chegar até elas.
Precisam garantir formação,
acesso,
permanência,
equidade
e, sobretudo,
a possibilidade de acreditar
que aquela porta também pode ser sua.
Porque emprego não deveria ser
um lugar onde alguns entram
e outros aprendem a se sentir pequenos.
Trabalho digno
deveria ser encontro:
do direito com a oportunidade,
da formação com a possibilidade,
do sonho com a realidade.
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O 👞 Casos da Vida Parte I
Foi comprar pão numa manhã qualquer,
sem saber que o destino o faria parar.
Numa placa simples, pregada na parede,
uma frase começou seu coração a iluminar:
“Precisa-se de embalador.”
Ele leu uma vez.
Leu duas.
E sorriu.
— Eu vou!
Naquele instante,
não era apenas um emprego.
Era uma porta.
Era um começo.
Era a possibilidade de dizer à vida:
“Agora eu também posso.”
Voltou para casa apressado,
contou a novidade com os olhos brilhando,
mas a porta do trabalho lhe pediu um papel
que ele ainda não sabia fazer.
— “Precisa de currículo, jovem.”
E ele voltou.
Voltou com a esperança nas mãos,
bateu à porta do vizinho:
— “Por favor, você pode me ajudar?”
O vizinho fez o currículo.
Colocou o número.
Mandou.
E começou a espera.
Até que um dia
o telefone tocou.
“Você foi selecionado para a entrevista.”
Meu Deus!
Naquela noite
ele sonhou acordado.
Sonhou com o uniforme,
com o primeiro salário,
com a carteira assinada,
com a mãe sorrindo,
com a comida na mesa,
com um futuro menos apertado.
Sonhou que o emprego
não era apenas um trabalho.
Era dignidade.
Era pertencimento.
Era a chance de construir
uma história diferente.
Mas então chegou o dia.
E veio a pergunta:
— Que sapato eu vou usar?
Abriu o armário.
Procurou.
Não havia outro.
Aquele era o seu único sapato.
A melhor calça.
A melhor camisa.
O único sapato.
E foi.
Foi levando no corpo
tudo aquilo que possuía.
Quando chegou ao lugar da entrevista,
olhou ao redor.
Camisas passadas.
Sapatos brilhando.
Cabelos arrumados.
Perfumes.
Pastas.
Currículos impecáveis.
Então olhou para si.
Olhou para o próprio sapato.
E, naquele instante,
alguma coisa dentro dele
começou a diminuir.
Não era o sapato.
Era o sonho.
Pensou:
— Que chance eu tenho?
E ninguém lhe disse
que pobreza não é falta de capacidade.
Ninguém lhe explicou
que um sapato usado
não mede inteligência.
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Saudades!!
Hoje volto à casa onde um dia fui menina,
onde o cheiro do café ainda conhece meu nome,
onde o abraço de minha mãe continua sendo o lugar mais seguro do mundo.
Vou ao encontro dos meus irmãos, companheiros das primeiras lembranças,
guardiões das histórias que o tempo jamais conseguiu apagar.
Mas, enquanto meus passos seguem estrada afora,
meu coração insiste em olhar para trás.
Porque, na casa que deixei, ficaram os meus filhos, os pedaços mais vivos de mim.
É estranho esse amor que nos divide sem nos partir.
Uma saudade nasce antes mesmo do reencontro acontecer.
Sinto falta da mãe enquanto estou longe dela.
Sinto falta dos filhos enquanto caminho para seus braços.
Descobri que a saudade não é ausência.
É a prova de que o amor aprendeu a morar em muitos lugares.
E hoje sigo assim: com um sorriso no rosto,
uma lágrima escondida e o coração inteiro,
porque nele cabem minha mãe, meus irmãos, meus filhos
e todas as versões de mim que o amor construiu ao longo da vida.
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Não quero você para viver tempestades,
nem para ouvir promessas eternas.
A vida já me ensinou que o amor
também pode florescer em silêncio.
Hoje, não sou mais de me apaixonar
como quem perde o rumo do coração.
Aprendi a amar com os pés no chão,
com a alma tranquila e o olhar sereno.
Você não veio preencher um vazio;
veio caminhar ao meu lado.
Completa meus dias sem me prender,
faz companhia ao meu silêncio
e transforma o comum em aconchego.
Não sonho com outro casamento,
nem preciso de alianças
para reconhecer o valor do que vivemos.
Respeito você.
Admiro sua essência.
E amo sua presença na minha vida.
Se o amor tem muitas formas,
a nossa é feita de paz,
de liberdade, de cuidado
e da escolha diária de permanecer.
E, para mim, isso basta.
Porque há amores que não precisam de promessas para serem eternos;
basta serem verdadeiros.
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Prefácio
Não escrevo porque minha vida foi fácil.
Escrevo porque ela aconteceu.
Cada página nasceu de uma
lembrança.
Cada verso foi tecido com lágrimas, sorrisos, perdas, reencontros e fé.
Não procure nesta poesia uma heroína.
Pois Você encontrará,
uma mulher comum, que muitas vezes teve medo,
que caiu, que pensou em desistir,
mas que descobriu, passo a passo, que Deus nunca a abandonou, mas lhe acolheu com amor
Minha memória é o lugar onde ainda converso com quem partiu,
agradeço a quem me estendeu as mãos,
abraço meus filhos e;
encontro vida nas crianças que hoje dão sentido à minha profissão.
Enquanto muitos escritores criam
personagens, eu apenas abro as janelas da minha alma.
Se minhas palavras alcançarem alguém que esteja cansado de lutar,
então cada lágrima que derramei terá encontrado um propósito.
Esta não é a história de uma vida
perfeita que encanta
É a história de uma vida verdadeira.
E, por isso mesmo, cheia de esperança.
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Chorei silêncios guardados no peito,
conheci a dor em sua profundidade,
Porém levando no caminho, meu jeito
de conviver com a saudade.
Houve dias de sombra e incerteza,
de lágrimas caindo sem explicação,
mas dentro da minha tristeza
nascia uma nova canção.
A ferida que trouxe tristeza,
com o tempo virou aprendizado,
a queda mostrou a grandeza
de quem se levanta renovado.
O medo que antes me prendia,
hoje é força para caminhar,
a nostalgia que antes me cobria
deu lugar a luz ao meu despertar.
Não nego as marcas da vida,
nem escondo o que senti,
cada dor foi uma partida
para a pessoa que construí.
E assim sigo, com a esperança acesa,
transformando quedas em vitórias,
pois até a mais profunda tristeza
pode escrever páginas de superação e glória.
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Pediram-me uma lembrança feliz,
um dia guardado em algum lugar,
uma manhã de sol na memória,
um instante bonito para recordar.
Procurei nas gavetas do tempo,
entre retratos que não pude ver,
busquei uma voz, um abraço,
um motivo antigo para sorrir e poder dizer.
Mas encontrei apenas o silêncio,
um vazio tranquilo no coração,
como uma página em branco
esperando uma canção.
Não achei um dia perfeito,
nem uma cena para recordar,
mas descobri que o meu caminho
também merece ser contado devagar.
Talvez a felicidade não tenha sido
um grande momento a brilhar,
talvez tenha morado escondida
nas pequenas coisas do caminhar.
E se hoje não encontrei um dia feliz
para colocar nas mãos de alguém,
talvez eu esteja aprendendo
a construir
um amanhã também.
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Depois de tanto tempo
Fui filha antes de ser mulher,
fui abrigo antes de ser acolhida,
fui mão estendida tantas vezes
que quase esqueci da minha própria vida.
Carreguei ausências nos ombros,
costurei pedaços de mim pelo caminho,
aprendi a ser forte em silêncio,
mesmo quando o que precisava era carinho.
Não me lembro de viver dias de festa,
O que vivi foram dias de coragem.
Minha felicidade não fez barulho,
ela morou no aconchego da minha viagem.
Hoje olho para mim com calma,
depois de passar tantas estações,
descubro que eu também mereço
um lugar na sombra das minhas próprias mãos.
Não perdi a felicidade,
talvez eu apenas não tivesse tempo de procurar.
Agora que caminho comigo,
começo, enfim, a me encontrar
E percebo a felicidade em qualquer lugar.
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A Falta
Hoje manheceu chovendo!
E eu percebi a falta que pensar em você me faz...
A casa ficou maior que o silêncio,
e o silêncio maior que a manhã.
As gotas batiam na janela
como quem insistia em lembrar
aquilo que o coração tenta guardar
sem conseguir esconder.
O café perdeu o cheiro de encontro,
os livros ficaram abertos
na mesma página da saudade,
e até o vento parecia procurar
o som da sua voz pelos cantos.
Há pessoas que passam pela vida
como passam as estações,
mas você ficou!
como ficam certas músicas:
morando baixinho dentro da gente,
mesmo quando tudo lá fora muda.
A chuva continuou caindo lenta,
lavando as ruas, os telhados, as folhas...
mas não levou de mim
essa vontade bonita
de ainda encontrar você
em cada detalhe simples do dia.
E talvez seja isso o amor:
uma lembrança que não pesa,
mas acompanha o coração do portador.
Uma presença invisível
que senta ao lado da alma
quando o dia amanhece chovendo.
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