O SAPATO 👞 parte I
O 👞 Casos da Vida Parte I Foi comprar pĂŁo numa manhĂŁ qualquer, sem saber que o destino o faria parar. Numa placa simples, pregada na parede, uma frase começou seu coração a iluminar: “Precisa-se de embalador.” Ele leu uma vez. Leu duas. E sorriu. — Eu vou! Naquele instante, nĂŁo era apenas um emprego. Era uma porta. Era um começo. Era a possibilidade de dizer Ă vida: “Agora eu tambĂ©m posso.” Voltou para casa apressado, contou a novidade com os olhos brilhando, mas a porta do trabalho lhe pediu um papel que ele ainda nĂŁo sabia fazer. — “Precisa de currĂculo, jovem.” E ele voltou. Voltou com a esperança nas mĂŁos, bateu Ă porta do vizinho: — “Por favor, vocĂŞ pode me ajudar?” O vizinho fez o currĂculo. Colocou o nĂşmero. Mandou. E começou a espera. AtĂ© que um dia o telefone tocou. “VocĂŞ foi selecionado para a entrevista.” Meu Deus! Naquela noite ele sonhou acordado. Sonhou com o uniforme, com o primeiro salário, com a carteira assinada, com a mĂŁe sorrindo, com a comida na mesa, com um futuro menos apertado. Sonhou que o emprego nĂŁo era apenas um trabalho. Era dignidade. Era pertencimento. Era a chance de construir uma histĂłria diferente. Mas entĂŁo chegou o dia. E veio a pergunta: — Que sapato eu vou usar? Abriu o armário. Procurou. NĂŁo havia outro. Aquele era o seu Ăşnico sapato. A melhor calça. A melhor camisa. O Ăşnico sapato. E foi. Foi levando no corpo tudo aquilo que possuĂa. Quando chegou ao lugar da entrevista, olhou ao redor. Camisas passadas. Sapatos brilhando. Cabelos arrumados. Perfumes. Pastas. CurrĂculos impecáveis. EntĂŁo olhou para si. Olhou para o prĂłprio sapato. E, naquele instante, alguma coisa dentro dele começou a diminuir. NĂŁo era o sapato. Era o sonho. Pensou: — Que chance eu tenho? E ninguĂ©m lhe disse que pobreza nĂŁo Ă© falta de capacidade. NinguĂ©m lhe explicou que um sapato usado nĂŁo mede inteligĂŞncia.
Jack Mayala Seven
Minha querida Mãe poetisa Olinda Machado. começaste de forma tocante! Dá para sentir a esperança dele só de ler. 👏
Olinda do Socorro Machado Soares
gratidĂŁo! leia a parte II, III
Nilza Poetisa
Voltei ao primeiro poema VocĂŞ descreveu uma triste realidade do nosso cotidiano e que nos fere ao ler, por entendermos que Ă© exatamente assim que acontece Infelizmente. Obrigada por tĂŞ-lo escrito