Talia @monicki

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Você não vê amor O quanto meu peito dói Se contorce inteiro O quanto a cada dia que passa Conforme os dias contados Mais e mais me odeio Como mãe Deveria eu ter o coração cheio De fato, a beleza da maternidade Está em tudo que se envolve Mas nem tudo relevo, nem tudo aceito Como posso ficar tanto tempo sem dormir Como posso limpar a casa em um loop infinito Não aprendi a fazer nada sem sentir Não soube desde cedo, que não poderia viver escondido O meu segredo Sou uma pessoa ruim Se acalentar meus filhos após meus próprios exageros Não há cansaço Não há exaustão Não existe nenhuma forma de automutilação Que transfira a dor do peito Para a ferida aberta sangrenta Petrificada Abafa meus batimentos Me sufoca a todo momento a cada nova culpa Após cada choro Em toda minha vida nua e crua Não ha esperança para mim Mas há lembranças de mim Do meu cheiro Da minha voz Da cor do meu cabelo Dos meus batimentos cardíacos Vou continuar sempre respirando Conhecendo o caminho, ou perdido Escrevo, dessa vez, para tentar me esquecer

Comentários · 1

  1. Jack Mayala Seven

    Li e reli o teu escrito Talia, és de uma coragem imensa a escrever isto tão a nu. Poucos conseguem pôr em palavras uma dor tão íntima com esta clareza.👌😊👏👏👏👏🫂🫂