O frio vem chegando,
Gelando a espinha por completa,
Congelando minhas borboletas
Que estavam dançando inquietas.
O calor foi saindo,
Surgindo no corpo arrepio;
Se indo o amor que surgiu
Num dia lindo e primaveril.
As flores, murcharam,
Apagaram sua vívida cor -
Levaram-as já lívidas, sem odor
E as jogaram fora sem rancor.
A geada cai, impiedosa.
A rosa suspira com o vento;
Ansiosa respira com sofrimento,
Ainda amorosa, cheia de alento.
E resiste, duramente,
Crente que conseguirá sobreviver,
Que o que sente será, ao seu ver,
Quente para sempre e nunca irá morrer.
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Foi longa a espera.
Veio verões, primaveras.
Mas te esperar valeu a pena
Pois toda aquela cena
De amor que imaginava
Agora se concrerizava.
Te ter em meus dias
É uma imensa alegria
Que me faz sorrir sozinho
Ao pensar nos teus carinhos,
Na sorte que tive em te encontrar
Já cansado do amor procurar.
Eu te amo de tantas maneiras
E de tantas formas eu te canto.
Tu eres para uma vida inteira
Tendo eu uma vida inteira de pranto.
Te amar é tão simples e natural
Que pouco bastou para criarmos um nó.
Somos almas perdidas, passado o mal,
Que se encontraram e agora são uma só.
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Foram anos
Caminhando sozinho,
Descalço, sem rimas,
Cheio de danos
Passando por cima
De dolorosos espinhos.
Muito sangue verti.
Muitas lágrimas chorei.
Cansado e perdido
Tantas coisas senti,
Tantas vezes me calei
Já por demais iludido.
Mas então, eu te encontrei,
Quando nada estava procurando.
Aconteceu tudo naturalmente
Assim como eu sempre imaginei.
Me perco em teus olhos olhando,
Descrente e apaixonado completamente.
A gente sente quando é amor
E até se anima mais a viver.
Foram duros os dias que passaram
Mas que agora está finda a dor,
Vendo a alegria a florescer
Onde só mágoas brotavam.
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Quando o Amor vier, isso se vier,
Esse Amor que sequer o conheço,
A porta minha vier, terno bater,
O deixarei entrar se acaso quiser.
Nada pedirei como nada vos peço;
Entrai caso satisfaz em mim, viver.
A porta está sempre escancarada,
Mas ofuscada pela dor e tristeza
Sempre a ocultarem minha casa,
A obstruírem minha leda entrada.
Achai. Entrai. Sentai-vos à mesa
Luzida de vela caso isto o apraza.
Se tarde vieres, cedo não partas!
Descansa teu terno, amoroso Ser.
Fique se for do teu gosto ficar.
A casa é simples, cheia de cartas
De amor, que poderás ver e ler ―
Cartas a ti escritas em meu delirar!
E se vires que as podem vos servir
Para alguma coisa do teu orgulho,
Tomai-as pra ti, guardai consigo!
Rasgai-as se desgostar! Se ferir
Os vossos brios os meus barulhos
Do peito. Ide, deixai-me só comigo!
Sozinho ficarei, alegre cantando.
E continuarei ainda escrevendo
Sem guardar qualquer rancor,
Pois um dia, sem estar esperando,
Sem esta loucamente querendo,
Recebi a visita do eminente Amor!
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Quanto mais perto mais distante.
Quanto mais meu peito aperto
Mais delirante então fico sujeito.
E só por algum decerto instante
Fico quieto em meu leito, desperto
Deste ser abrasante; racional, direito.
No mais pensamento, sempre tão ausente;
Sempre trespassado de dor e tormento.
Sempre sente rancor de não ser amado
Meu Coração avarento e inocente,
Que já desolado de qualquer contento,
Não mais fremente tem ele estado.
A cada batida uma nova desolação.
A cada suspiro uma saudade fingida
No Coração, mas que de dor me reviro.
Triste esta a minha vida de encenação.
Mas sede meu respiro essa minha lida,
Essa minha canção que deveras, deliro.
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Feras mágoas
Machucam e doem,
Sepultam e destroem
Tantos corações!
Cantos de ilusões
Faceiros entonamos;
Ligeiro amamos
Inebriantemente!
Ante ao que se sente,
Cremos ter tudo.
Lemos alto e mudo
A ledos versos.
Com medos dispersos,
Damos o que não temos;
Olhamos o que não vemos!
Amei com encanto no cenho;
Cantarolei com tanto lenho
Com dores e saudades vividas
E amores de verdade da vida,
Deveras Águas!
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Verdes este Ser verde?
Leve, Tempo, como leve
Folha o vento leva!
Não peças que meu ser cante
As ledas peças do amor, pois
Nem preza mais o que se sente.
Pesa meu Coração, que pesa
Sem pressa amores e enjoos.
Eis a conta do meu pesar:
Os amores sempre eminentes
e os enjoos sempre baixos!
Mas sede uma balança ―
A balança da minha vida!
Tragais, Vento, este fel
Que trago em meu peito,
Que trarei com tempo, Mel!
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O que cabe nessa caixinha de pensar?
Todas as minhas esperanças?
Todas as minhas ilusões?
O que cabe não me cabe perguntar!
Cabe a todas as crianças.
Cabe a todas as gerações.
Todos os seus amores cabem, e sentimentos!
Todos os seus desejos.
Todos os seus temores.
Tudo isso cabe na caixinha, e ensinamentos!
Tudo que lembre beijos.
Tudo que lembre flores.
Mais isso, e aquilo; e aquilo outro também!
Mais algo de fantasia.
Mais algo de imaginar.
O que cabe mesmo a mim é não ir tão além!
Mas eu amo Poesia.
Mas eu amo Pensar.
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Ó donzela fria,
Nas estrelas alumia
Tua luz brilhante
Que me conduz delirante
Ao degredo amor!
Sem medo da dor
Perpasso campinas;
Faço boninas
Figuras na areia:
Criaturas sem veias
Tão cheias de vida!
Enleia-se numa lida
Terna e quente;
Consterna a mente
Minha abrasadora!
Rainha! detentora
De beleza, alegria,
Singeleza ― Poesia!
Musa dos míseros,
Os usa feros,
Apaixonados, loucos,
Para agrado de poucos!
Outros insanos?
Noutros planos?
Gentes reais?
Entes espectrais?
Vou pungente chorando,
Inocente chamando
Invocação amorosa:
Canção dolorosa
Sem dolo nenhum!
Enrolo-me em algum
Pensamento distante
Dum Vento inebriante,
E vou compondo!
Voou, se pondo
Em linhas, sólida,
Minha vida
Enganosa de magia ―
Amorosa Poesia!
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Alma minha magoada!
Posso saber ser minha mágoa
Se, o que dentro de mim desagua
Não sentiu minha pele, nada?
Encharca todo meu Ser!
Toma, mágoa, conta de mim.
Choro mesmo sem querer,
Sem saber, Eu, do nosso afim.
Mágoa fingida!
Águas sinceras!
No rosto escorridas
Lágrimas deveras.
Cessar meu pranto.
Tomar um lenço.
A mágoa é um canto
Oriundo do que penso!
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