A chuva batendo ávida no chão
Dissipa meus pensamentos
Meu barco a vela corre ao vento
Perdido no tempo, vázio
Escasso de prazeres e tecidos finos
O desejo de navegar
Atravessar a chuva
Será possível medir quantos pingos me atingem?
Porventura irei eu me acostumar com as dores de meu corpo
Como um balanço das águas, eu me misturo
Seguro do náufrago cada vez que alcanço a chuva
Metade de mim, se choca contra o vento
Perco o equilíbrio de minhas velas
Já não sei quem sou
Afundo, ouvindo ao longe os grandes raios
Escapam no céu e somem no fim do mar
Não luto contra as profundezas
Deixo me tomar
Meu corpo recaindo aos poucos
Lembro que sou máquina de incorporar
Incorporo o mar
Uma fagulha de divino
Um olho que me vê, de longe
Flerta comigo, como se conhecesse meus desejos
No fim do horizonte há milhares de cores, aquarela
E no mar, na chuva, o que há ?
O frio, a solidão, o obscuro
Os pingos de chuva saem martelando as poças
E do outro lado sigo pensando que sou um barco a vela
O que procuro ?
"O que há nesse infinito que nos move?"
Eu quero ser algo mais, mas nada além de mim
Gosto de ser só mas às vezes aprecio companhia
Meu descanso é pensar nas cores que o mundo tem
Sentir cheiro de flores
Pensar em como eu corro em direção a parada
Como danço sob meus pés no banho
Como pego meus fios de cabelo e aprecio seu fim
E escrevo, para dizer a mim que não se perca
Mesmo que às páginas cheguem ao fim
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É meu nome escrito na tela que acende
Em tom de êxtase, animação, exclamação
Me identifico, tomei como chamada
Meu nome
Me chame pelo meu nome
E qual seria ?
Ainda não o sei
Este que me deram
Às vezes não me cai bem
É como uma roupa apertada de anos
Porque não me desfaço?
Às vezes me cai bem
Porém, em alguns dias
Me aperta o peito
Quero algo mais confortável
Ou não usar nada
Me chame de..
De qualquer coisa
Algo grande e genuíno
Algo estrondoso
E hoje
Me chame pelo meu nome
Ou pelo seu
Preciso mesmo de um?..
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Conte onde anda teus menores pensamentos
Nas estradas que fazem curva no horizonte
No teu lindo Rio que converte as águas
Nas tuas melodias que compõe os pensamentos
Quanto te dou por cada sorriso
Quanto me ganha por cada não
De ti recebo sigilo
De mim, eu corro perigo
Risco o fogo, acendo a lareira
Incendiei sem medo de queimar
Existe um canto, meu amor
As seis em ponto, ela canta
Se cair no encanto, nada mais é espanto
Descendo as escadas de limo
Olha bem estreito, ainda se vê o menino
O que é medo?
Este frio que percorre a espinha
Ou o quanto ignoras de mim
Minha pele está a vista, me corta
Não vê meus olhos
Se misturam entre os pingos
Um grito mudo sai, sou muito do mundo
Mas já não quero mais
Falei o que pensas
Mas não sei a verdade
Porque teus lábios mentem
Mas teus olhos não
Se analisar bem, aqui há um palco
A exposição, sou eu..
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As filosofias contidas na entrelinhas das minhas histórias são comos os grandes livros que escreveste em mim, todos os percursos das luzes de ideias e suas concepções mantidas sob uma ótica onipotente
Diria que és canônico
Ou me tornaste esse conjunto de literatura
Amontoados em um período
Que eu diria com toda a euforia
Eternas referências de amor
Amor que me toma e me embala
Que me atira defronte com a realidade cruel
E ainda assim me amansa
Que me põe de joelhos rente ao pó
E ainda amacia minha pele a noite
Que nos sonhos me toca sinfonia
E de dia me conta poesias
Como meus pequenos corredores suados e vermelhos
Eu me liberto
E enquanto houver escritos
Sobre o seu amor
Eu ainda verei o mundo
Contarei profundo
Que ele é bonito
Onisciente e onipresente
Ainda que não aparente
Nos escritos da história
O amor, ainda será nossa melhor memória
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Vi um homem que alimentava os pombos, ele sorria
Tinha em sua camisa a estampa de um time regional
Vi um outro enclausurado em seu vício
Troca suas moedas por um trago de cigarro
O sol quase que derrete o solo
Enquanto eu sinto a dor no peito
Quase insuportável que minha testa franze
Um movimento incessante de carros
Os grandes prédios me dão inveja
As grandes árvores me hipnotizam
No vai e vem tomadas pelo vento
É como se as pedras pedissem socorro
Enquanto minha boca pede água
Eu quase me sinto o chão sufocado pelo calor
Ouço minuciosamente a criança que mastiga seu chiclete rosa
Nada lhe perturba a não ser a coceira repentina em seus olhos
Seres de carne que parecem robôs
Limpam o suor na testa
Um vendedor grita água
E como se o corpo reconhecesse o sabor da palavra
Enquanto me perco no meio fio
Eu lembro
Mais uma segunda
Que tormento
May Silva
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O Sol derrete o pensar, como o silêncio dilata o ser, o silêncio que desfaço ao caminhar lentamente rente a ponte amarela que se desfaz em ferrugem, sinto os passos mas não tenho o corpo, corpo que toco na manhã fria e me desfaço ao decorrer do dia, toco o suor, sinto o vento longe mas perto o suficiente para ouvir, fechei meus lábios, agora vázio, meu ser não, não te toque as mãos calejadas que agora pertencem ao vento, não te beije a manhã fria, não te toque o Sol que descama a pele, apenas te toque as mais belas flores, os sabores das frutas, o gosto das uvas, o vento suave, apenas te toque o amor.
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Os horizontes contam versos
Que escrevem nas nuvens
Tem as curvas
Não existe jeito certo de montar
Meu horizonte brilha
E só, não procura companhia
Tudo aquilo que o segue
É por puro dom
Ele ama a solidão
Mas não se desfaz da companhia
As vezes o horizonte tem medo
As vezes conta segredo
Mas as vezes, simplesmente deixa de ser horizonte
As vezes vira monte
Deserto e vázio
As vezes é azul e infinitos
Mas as vezes ele é o que você pinta.
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A sua voz ecoa
Leve e rouca
O seu vocabulário cheio de palavras
Quem tem?
A diversidade que se encaixa nos seus lábios
Tua compreensão de tudo
Ou quase tudo
Tuas mãos em meu corpo
Que era vázio
E foi se preenchendo com tua voz
Teu te amo
Que já se banaliza em outras bocas
Mas em ti permanece vivo
Como se brincasse no ar
E fizesse som aos meus ouvidos
Teu jeito de amor em chamego
Carinho e afeto
Teu singelo sorrir
Que me faz pensar como fiquei tanto sem ti
Teu abraço calmo
Pedindo pra ficar
No silêncio teu coração bate descompassado
Tua cabeça em meu peito
Como se fosse casa
Em uma tarde de terça-feira
Nada simples
Eu dividi meu clichê
Com você
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Hoje vi Deus
Nada característico com as histórias
Ele era um Senhor
Tão feliz e amável
Cantando com seu violão
Cuja fé era gigante
Alcançou até a mim no fundo de um ônibus
Ele entoou uma canção
Tão vivo e feliz
Como se o que lhe faltasse não anulasse o que ele já tinha
Impossível não atentar
Não parecia conhecedor dos acordes e notas
Mas ele tinha o suficiente
Vontade e amor
Uma bondade que eu quisera ter
Exalar de forma natural
E ali
Parada nos instantes
Meu peito aqueceu
Eu vi Deus
Ele era um Senhor.
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Meu corpo em chamas
Arde em dor
Deveras guardei
E agora exalo a fumaça
Contamina minha pele
Dilacera minha alma
O quão volúvel irei ser
Incendiando em brasas
E logo me tornando cinzas
Me fiz aceso em tons de vermelho
E agora apenas pó
O vento levanta o que restou
E as chamas que me ainda ardem
Doem
Incendiar novamente
Como, se me fiz pó
E por tantas vezes seguidas
Erguer meus vestígios
Para no fim
Me tornar pó
Inflamável eu sou
E isto me causa medo
Inflamável eu sou
Não é nenhum segredo
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