Foto de May

May

@maypoetisa · desde 2021

Uma poetiza tentando ganhar o mundo através da escrita..

54 poemas 20 seguidores 8 seguindo

Seguir

Chuva

A chuva batendo ávida no chão Dissipa meus pensamentos Meu barco a vela corre ao vento Perdido no tempo, vázio Escasso de prazeres e tecidos finos O desejo de navegar Atravessar a chuva Será possível medir quantos pingos me atingem? Porventura irei eu me acostumar com as dores de meu corpo Como um balanço das águas, eu me misturo Seguro do náufrago cada vez que alcanço a chuva Metade de mim, se choca contra o vento Perco o equilíbrio de minhas velas Já não sei quem sou Afundo, ouvindo ao longe os grandes raios Escapam no céu e somem no fim do mar Não luto contra as profundezas Deixo me tomar Meu corpo recaindo aos poucos Lembro que sou máquina de incorporar Incorporo o mar Uma fagulha de divino Um olho que me vê, de longe Flerta comigo, como se conhecesse meus desejos No fim do horizonte há milhares de cores, aquarela E no mar, na chuva, o que há ? O frio, a solidão, o obscuro Os pingos de chuva saem martelando as poças E do outro lado sigo pensando que sou um barco a vela O que procuro ? "O que há nesse infinito que nos move?" Eu quero ser algo mais, mas nada além de mim Gosto de ser só mas às vezes aprecio companhia Meu descanso é pensar nas cores que o mundo tem Sentir cheiro de flores Pensar em como eu corro em direção a parada Como danço sob meus pés no banho Como pego meus fios de cabelo e aprecio seu fim E escrevo, para dizer a mim que não se perca Mesmo que às páginas cheguem ao fim

Continuar lendo

Súbito

É meu nome escrito na tela que acende Em tom de êxtase, animação, exclamação Me identifico, tomei como chamada Meu nome Me chame pelo meu nome E qual seria ? Ainda não o sei Este que me deram Às vezes não me cai bem É como uma roupa apertada de anos Porque não me desfaço? Às vezes me cai bem Porém, em alguns dias Me aperta o peito Quero algo mais confortável Ou não usar nada Me chame de.. De qualquer coisa Algo grande e genuíno Algo estrondoso E hoje Me chame pelo meu nome Ou pelo seu Preciso mesmo de um?..

Continuar lendo

Pensamentos

Conte onde anda teus menores pensamentos Nas estradas que fazem curva no horizonte No teu lindo Rio que converte as águas Nas tuas melodias que compõe os pensamentos Quanto te dou por cada sorriso Quanto me ganha por cada não De ti recebo sigilo De mim, eu corro perigo Risco o fogo, acendo a lareira Incendiei sem medo de queimar Existe um canto, meu amor As seis em ponto, ela canta Se cair no encanto, nada mais é espanto Descendo as escadas de limo Olha bem estreito, ainda se vê o menino O que é medo? Este frio que percorre a espinha Ou o quanto ignoras de mim Minha pele está a vista, me corta Não vê meus olhos Se misturam entre os pingos Um grito mudo sai, sou muito do mundo Mas já não quero mais Falei o que pensas Mas não sei a verdade Porque teus lábios mentem Mas teus olhos não Se analisar bem, aqui há um palco A exposição, sou eu..

Continuar lendo

Livros amor

As filosofias contidas na entrelinhas das minhas histórias são comos os grandes livros que escreveste em mim, todos os percursos das luzes de ideias e suas concepções mantidas sob uma ótica onipotente Diria que és canônico Ou me tornaste esse conjunto de literatura Amontoados em um período Que eu diria com toda a euforia Eternas referências de amor Amor que me toma e me embala Que me atira defronte com a realidade cruel E ainda assim me amansa Que me põe de joelhos rente ao pó E ainda amacia minha pele a noite Que nos sonhos me toca sinfonia E de dia me conta poesias Como meus pequenos corredores suados e vermelhos Eu me liberto E enquanto houver escritos Sobre o seu amor Eu ainda verei o mundo Contarei profundo Que ele é bonito Onisciente e onipresente Ainda que não aparente Nos escritos da história O amor, ainda será nossa melhor memória

Continuar lendo

Segunda

Vi um homem que alimentava os pombos, ele sorria Tinha em sua camisa a estampa de um time regional Vi um outro enclausurado em seu vício Troca suas moedas por um trago de cigarro O sol quase que derrete o solo Enquanto eu sinto a dor no peito Quase insuportável que minha testa franze Um movimento incessante de carros Os grandes prédios me dão inveja As grandes árvores me hipnotizam No vai e vem tomadas pelo vento É como se as pedras pedissem socorro Enquanto minha boca pede água Eu quase me sinto o chão sufocado pelo calor Ouço minuciosamente a criança que mastiga seu chiclete rosa Nada lhe perturba a não ser a coceira repentina em seus olhos Seres de carne que parecem robôs Limpam o suor na testa Um vendedor grita água E como se o corpo reconhecesse o sabor da palavra Enquanto me perco no meio fio Eu lembro Mais uma segunda Que tormento May Silva

Continuar lendo

Não te toque

O Sol derrete o pensar, como o silêncio dilata o ser, o silêncio que desfaço ao caminhar lentamente rente a ponte amarela que se desfaz em ferrugem, sinto os passos mas não tenho o corpo, corpo que toco na manhã fria e me desfaço ao decorrer do dia, toco o suor, sinto o vento longe mas perto o suficiente para ouvir, fechei meus lábios, agora vázio, meu ser não, não te toque as mãos calejadas que agora pertencem ao vento, não te beije a manhã fria, não te toque o Sol que descama a pele, apenas te toque as mais belas flores, os sabores das frutas, o gosto das uvas, o vento suave, apenas te toque o amor.

Continuar lendo

Horizonte

Os horizontes contam versos Que escrevem nas nuvens Tem as curvas Não existe jeito certo de montar Meu horizonte brilha E só, não procura companhia Tudo aquilo que o segue É por puro dom Ele ama a solidão Mas não se desfaz da companhia As vezes o horizonte tem medo As vezes conta segredo Mas as vezes, simplesmente deixa de ser horizonte As vezes vira monte Deserto e vázio As vezes é azul e infinitos Mas as vezes ele é o que você pinta.

Continuar lendo

Sua voz

A sua voz ecoa Leve e rouca O seu vocabulário cheio de palavras Quem tem? A diversidade que se encaixa nos seus lábios Tua compreensão de tudo Ou quase tudo Tuas mãos em meu corpo Que era vázio E foi se preenchendo com tua voz Teu te amo Que já se banaliza em outras bocas Mas em ti permanece vivo Como se brincasse no ar E fizesse som aos meus ouvidos Teu jeito de amor em chamego Carinho e afeto Teu singelo sorrir Que me faz pensar como fiquei tanto sem ti Teu abraço calmo Pedindo pra ficar No silêncio teu coração bate descompassado Tua cabeça em meu peito Como se fosse casa Em uma tarde de terça-feira Nada simples Eu dividi meu clichê Com você

Continuar lendo

Vi Deus

Hoje vi Deus Nada característico com as histórias Ele era um Senhor Tão feliz e amável Cantando com seu violão Cuja fé era gigante Alcançou até a mim no fundo de um ônibus Ele entoou uma canção Tão vivo e feliz Como se o que lhe faltasse não anulasse o que ele já tinha Impossível não atentar Não parecia conhecedor dos acordes e notas Mas ele tinha o suficiente Vontade e amor Uma bondade que eu quisera ter Exalar de forma natural E ali Parada nos instantes Meu peito aqueceu Eu vi Deus Ele era um Senhor.

Continuar lendo

Inflamavel

Meu corpo em chamas Arde em dor Deveras guardei E agora exalo a fumaça Contamina minha pele Dilacera minha alma O quão volúvel irei ser Incendiando em brasas E logo me tornando cinzas Me fiz aceso em tons de vermelho E agora apenas pó O vento levanta o que restou E as chamas que me ainda ardem Doem Incendiar novamente Como, se me fiz pó E por tantas vezes seguidas Erguer meus vestígios Para no fim Me tornar pó Inflamável eu sou E isto me causa medo Inflamável eu sou Não é nenhum segredo

Continuar lendo