May @maypoetisa

Segunda

Vi um homem que alimentava os pombos, ele sorria Tinha em sua camisa a estampa de um time regional Vi um outro enclausurado em seu vício Troca suas moedas por um trago de cigarro O sol quase que derrete o solo Enquanto eu sinto a dor no peito Quase insuportável que minha testa franze Um movimento incessante de carros Os grandes prédios me dão inveja As grandes árvores me hipnotizam No vai e vem tomadas pelo vento É como se as pedras pedissem socorro Enquanto minha boca pede água Eu quase me sinto o chão sufocado pelo calor Ouço minuciosamente a criança que mastiga seu chiclete rosa Nada lhe perturba a não ser a coceira repentina em seus olhos Seres de carne que parecem robôs Limpam o suor na testa Um vendedor grita água E como se o corpo reconhecesse o sabor da palavra Enquanto me perco no meio fio Eu lembro Mais uma segunda Que tormento May Silva

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