May @maypoetisa

Chuva

A chuva batendo ávida no chão Dissipa meus pensamentos Meu barco a vela corre ao vento Perdido no tempo, vázio Escasso de prazeres e tecidos finos O desejo de navegar Atravessar a chuva Será possível medir quantos pingos me atingem? Porventura irei eu me acostumar com as dores de meu corpo Como um balanço das águas, eu me misturo Seguro do náufrago cada vez que alcanço a chuva Metade de mim, se choca contra o vento Perco o equilíbrio de minhas velas Já não sei quem sou Afundo, ouvindo ao longe os grandes raios Escapam no céu e somem no fim do mar Não luto contra as profundezas Deixo me tomar Meu corpo recaindo aos poucos Lembro que sou máquina de incorporar Incorporo o mar Uma fagulha de divino Um olho que me vê, de longe Flerta comigo, como se conhecesse meus desejos No fim do horizonte há milhares de cores, aquarela E no mar, na chuva, o que há ? O frio, a solidão, o obscuro Os pingos de chuva saem martelando as poças E do outro lado sigo pensando que sou um barco a vela O que procuro ? "O que há nesse infinito que nos move?" Eu quero ser algo mais, mas nada além de mim Gosto de ser só mas às vezes aprecio companhia Meu descanso é pensar nas cores que o mundo tem Sentir cheiro de flores Pensar em como eu corro em direção a parada Como danço sob meus pés no banho Como pego meus fios de cabelo e aprecio seu fim E escrevo, para dizer a mim que não se perca Mesmo que às páginas cheguem ao fim

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