Morte sem causa
Hoje pensei em morrer, Existi sem pensar em viver, Me curei sem deixar de sofrer, Matei a esperança antes de nascer.
@master_in_failure · desde 2019
Uma pessoa na qual só consegue expressar seus mais profundos pensamentos e diminuir sua angústia através da escrita
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Hoje pensei em morrer, Existi sem pensar em viver, Me curei sem deixar de sofrer, Matei a esperança antes de nascer.
Todos os dias eu morro, não é sobre superação, é sobre cada versão minha que matam a cada dia, ontem morri e hoje também, provavelmente morrerei amanhã, mas quem me matará? Ninguém sabe quem. Talvez seja eu, ou os mesmos que me mataram todos dias durante o ano passado. A quem diga que apenas estou morrendo lentamente, mas que dessa vez, de forma permanente. Talvez seja, eu não sei. Eu não aguento mais, morrer tanto assim não é pra mim, eu renasço mesmo todos os dias ou apenas não aceito morrer assim? Sinto o refluxo, o ódio, o medo, a tremedeira que tanto me incomoda e aquela vontade morrer que é meu pior pesadelo. Ora bolas, a essas horas já estou morta, eu sei, talvez não fisicamente mas isso é realmente importante ou é apenas pura escassez? Morri, apenas morri, porquê meu corpo não aceita de uma vez? Não, não quero tentar, já sei que morrerei, porque darei a chance para aqueles que já me mataram tantas vezes que já nem sei? Oh corpo maldito, me deixe, já não aguento morrer mais uma vez.
Continuar lendoNa escuridão do meu quarto eu vejo o vazio, não do ambiente em si, mas sim daquele que se encontra em mim. Tic tac, tic tac. Passam-se às horas, rápidas e insignificantes quanto um mês para aqueles que possuem a eternidade, a diferença é que eu não sou eterna, mal sei quanto tempo terei. Sempre mantendo os olhos no nada, aquele nada que é alguma coisa, meus olhos, tão teimosos, enxergam apenas aquilo que querem ver. Eu sou o nada e apenas ele me pertence, soo narcisista ao dizer que sou tudo que vejo, mesmo que o tudo seja nada?
Continuar lendoSe pergunta sobre mim, há quem diga que falo pelos cotovelos, por outro lado, também há quem diga que sou séria e mal falo, afinal, quem está errado? A errada sou eu que mal sei me expressar, no silêncio da minha voz algumas pessoas apenas vêem o óbvio, talvez, eu só não tenha nada a falar mas não é bem assim, seria difícil explicar. Sinceramente, odeio onde moro mas infelizmente é meu "lar doce lar", é onde falo pelos cotovelos e nem preciso me explicar, não me orgulho cem porcento do que acontece lá mas é quem eu sou, seria burrice negar. Lá mora tudo que há de bom mas no fim são os mais desprezíveis que mandam naquele lugar. Eles são ruins como se pode imaginar mas às vezes a ansiedade até tira folga e deixa o bom humor comandar. Alguns dos inquilinos adoram me enganar, eles fingem ser dos bons mas adivinha só, é apenas a paranóia que possuí um humor peculiar.
Continuar lendoDe tempos em tempos o tédio se torna algo dominante, haverá dias em que aquelas suas músicas não te farão sentir que está flutuando ou que poderia dançar até o mundo acabar. Haverá aqueles dias em que as pessoas parecerão insuportáveis demais e o mundo parecerá barulhento demais para aguentar. Também teremos aqueles dias ou talvez até meses em que estaremos deprimidos, aqueles pelo qual não faz sentido existir, aqueles momentos em que sentimos nada ou sentimos tudo de uma vez só. Contudo, também existirá aquelas dias em que o dia irá parecer esplendoroso, apesar de ter a mesma aparência de todos os dias, te encantará do nascer do sol até o fim do dia. O canto dos pássaros irão soar tão graciosamente, aquelas mesmas músicas terão uma melodia diferente em seus ouvidos, o vento será mais refrescante e são por esses momentos, só por esses momentos em que a vida realmente irá valer a pena viver.
Continuar lendoNo escuro do meu quarto, Vejo a vida, Vejo o tempo. Por quê eles não me vêem se estou aqui em todos os momentos? Peço apenas que me notem, Sem nem guardar ressentimento, Aos seus olhos nem existo, Sou apenas um momento.
Às 20:00 horas em ponto ele começou o que tinha planejado, enquanto distraídas, coloquei um remédio para dormir em suas águas, tiro e queda. Levei elas para aquele quartinho que não poderia ser aberto, mas não tinha nada demais, era apenas um quarto, quase sem nada, amarrei elas na cadeira, fiz o que fui mandada e fiquei esperando o efeito do remédio passar. “Boa garota" ele sussurrava em meus ouvidos. Ao acordarem a única coisa que as impedia de gritar eram suas bocas, depois de costuradas se tornaram tão inúteis que chega a ser piada. Aquela mão fria agora guiava a minha e com um canivete fez desenhos de espirais e símbolos que desconheço o significado na pele delas. Ao invés de sussurros, agora eu ouvia vozes, a cada segundo mais altas e profundas, chega a ser devastador a agonia que elas causam. Senti cada voz entrar na minha mente, eles não me deixariam em paz até eu abrir mão do controle quase inexistente que eu ainda tinha do meu corpo, então assim eu fiz, mesmo de fora, tive que observar eles devorando cada pedacinhos dos corpos que haviam ganhado de bandeja e agora eu teria que suportar ficar presa nesse quarto pelo resto da eternidade junto com esses monstros.
Continuar lendoSurpreendentemente não foi tão difícil cair no sono mas ao acordar aquilo ainda perturbava minha cabeça. Parecia que havia alguém me observando a todo momento, não é coisa da minha cabeça, isso é certo, certa vez vi um homem de sorriso cínico passando pela minha janela, usava um chapéu a moda antiga, era alto e era possível ver o ódio em seus olhos, tem passos tão silenciosos mas sua presença é notável. Desde então, essa visão passou a ser mais frequente, estava no reflexo do espelho, no canto do quarto, enfrente das janelas, estava no silêncio e inquietação da madrugada e nos meus pesadelos mais assustadores. Minhas olheiras estão cada vez mais profundas, cada barulho inesperado resultava em um pulo e um coração acelerado. O único momento que tenho paz é quando estou trabalhando e estou tão ocupada que esqueço. De um dia para outro tudo parecia estar mais tranquilo, talvez eu apenas estivesse cega pelo medo e fiquei imaginando coisas por um tempo. Com minha vida novamente nos eixos finalmente pude ter uma noite de sono decente, ao acordar no dia seguinte a minha rotina era a mesma, o lugar era o mesmo mas havia algo diferente, algo que não pude notar de primeira mas ao olhar no espelho percebi o que era, os meus olhos não eram os mesmos e agora eu estava cercada por sombras e no meio delas lá estava ele, a figura que me assombrava por semanas. Relutei em olhar nos seus olhos, em vão, já não possuo tanto poder sobre mim, fui obrigada a olhar em seus olhos enquanto sussurrava seus malditos planos em meus ouvidos. Segui minha rotina, e nada pude fazer, era o meu corpo, mas sequer possuo controle, no piloto automático faço tudo que normalmente eu faria, sem poder alterar nada, apenas observar, parecendo mais uma alma presa em seu corpo. Fiz meu café da manhã e fui trabalhar. Chegando lá, eram os mesmos diálogos de uma quinta normal, eu e mais duas pessoas ficamos encarregadas de cuidar da casa de uma senhora e fazer doces para sua lojinha.
Continuar lendoOnde eu trabalho existem dois quartos, um, eu sei que é para os materiais, o outro eu não faço ideia. O primeiro aviso que recebi antes de começar a trabalhar foi "evite aquele quarto e tudo ficará bem com você", então assim eu fiz. Os dias sempre são tão corridos e cansativos, o tempo que me sobra uso para ficar à toa na internet. A única coisa que me diferencia da maioria dos outros adolescentes é que eu tenho um sono regulado, a única exceção é quando minha ansiedade ataca e minhas noites se tornam um verdadeiro pesadelo. Seguindo minha rotina, fiz o que sempre faço depois de acordar, logo após, fiz meu café da manhã e fui trabalhar. Apenas mais um dia do qual já estou acostumada, tão cansativo quanto os outros. Cheguei em casa e como acompanhante veio uma inquietação enorme em mim, todo o caos que estava na minha cabeça se juntou com o caos que me cercava fazendo com que minha ansiedade aflorasse. Hoje é uma daquelas exceções no qual não consigo dormir e fico imaginando mil e uma situações de coisas que poderiam facilmente me matar, todas irracionais, mas no momento sempre parece certo. Algum tempo depois, consegui me acalmar o suficiente para conseguir dormir, no meio da madrugada sou acordada com o meu travesseiro caindo da cama, no momento pensei que poderia dormir sem ele mas o desconforto era maior, tateei o chão e no momento que encontro o travesseiro sinto uma mão fria tocando a minha, por reflexo, apenas puxei minha mão de uma vez enquanto tentava ignorar o frio na espinha e o coração batendo a mil por hora. Talvez nada daquilo fosse real, talvez eu estivesse apenas divagando em mais uma das minhas paranoias noturnas.
Continuar lendoSozinha me sinto feliz, Energética, Quando acompanhada, sinto raiva, Sobrecarga. Me culpam por sentir demais, Por ser transparente, Queria poder, Mas não, minhas lágrimas não mentem. Consumida pela raiva, Odeio a todos, Até eu mesma Desde o início do jogo. Tudo que me disseram me destruiu, Mas sequer pedem desculpas, Acham que basta ser gentil. Exigem que eu seja uma boa filha, Uma boa amiga, Uma boa irmã, Mas ao menos sei se estarei aqui pela manhã. Meu ódio deveria ser deles, Que me machucam, E fazem eu querer me machucar, Então por que sou eu que me sinto culpada E choro sem parar?
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