Nosso Amor Azul
Nosso amor foi como uma rosa azul raro, impossível de se explicar, bonito demais pra durar.
Tinha algo de mágico, de improvável,
como se o universo tivesse se esquecido por um segundo das leis do tempo e nos deixado viver o impossível.
Era intenso, puro e ao mesmo tempo caótico.
Tínhamos o dom de nos encontrar no meio do caos e fazer do instante um refúgio.
Mas amores assim…
não sabem ser simples.
Eles vêm com a força de um furacão e partem deixando silêncio e solidão.
Maria
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Ainda lembro da sua cor favorita,
do jeito que seus olhos pareciam ganhar vida quando a diziam.
Lembro da chuva caindo sobre nós, fria e sincera,
misturando-se com o riso e o silêncio que compartilhamos sem pressa.
Lembro como o tempo parecia parar,
como se o universo inteiro quisesse guardar aquele instante conosco.
E mesmo que tudo tenha mudado,
a lembrança continua viva,
como um eco suave dentro de mim.
Você ficou marcado — não como uma ferida,
mas como algo que o tempo não conseguiu apagar.
Está nas músicas que tocam de repente,
nas noites em que o vento sopra com o mesmo cheiro daquela chuva.
E por mais que eu tente seguir,
a verdade é que algumas pessoas não passam.
Elas ficam,
mesmo quando se vão.
Maria
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O medo veste meu peito em silêncio,
como um véu frio sobre o que pulsa.
Aprendi a erguer muros tão altos
que nem o amor consegue atravessar.
Toda vez que alguém se aproxima,
minha alma recua assustada, ferida.
Não porque não queira sentir,
mas porque amar também é se despir.
Tenho medo do toque que cura,
pois um dia ele também doeu.
Tenho medo do abrigo de um colo,
pois já me perdi em braços que não eram meus.
E assim, me defendo até do afeto,
como quem teme o próprio respiro.
O amor bate à porta, suave
e eu, tremendo, finjo que não ouço o ruído.
Talvez um dia eu aprenda
que sentir não é perigo,
e que nem todo amor machuca...
alguns apenas pedem abrigo.
Maria
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Carrego nas costas
as flechas que não escolhi,
feridas abertas,
gritos que ninguém ouviu.
Abraço a mim mesma
como quem tenta segurar
os pedaços soltos da alma
antes que o vento leve.
E no peso do corvo
que se instala em meu ombro,
sinto o eco das perguntas
que nunca encontro resposta:
Como posso amar alguém
se mal sei me amar?
Se o que me sobra é silêncio,
se o que me resta é sangrar?
Amar, às vezes, é dor,
é espelho quebrado diante de mim,
e na minha própria sombra
eu me perco,
antes mesmo de poder me encontrar.
Maria
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Dói perceber que, mesmo depois de tanto tempo, o vazio ainda me habita.
Ele se esconde em cada silêncio, em cada espaço entre uma respiração e outra,
como se fosse parte da minha própria essência.
É um buraco que não se fecha,
uma ausência que insiste em permanecer,
mesmo quando finjo estar inteira, mesmo quando disfarço com sorrisos.
Às vezes penso que já superei,
mas basta uma lembrança, um instante de solidão,
para o vazio se fazer presente de novo,
me lembrando que nunca partiu, que sempre esteve aqui.
E o que mais dói não é apenas sentir,
é saber que me acostumei a carregá-lo,
como se fosse inevitável viver com um espaço dentro de mim
que nunca se preenche.
Maria
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Carrego feridas que não se veem,
cicatrizes bordadas no silêncio,
rasgos que o tempo não costura,
dores que ninguém toca, mas eu sinto.
Sorrio por fora, mas dentro arde,
cada palavra é lâmina fina,
que corta devagar, sem pressa,
até a alma ficar partida.
Não há sangue, não há marcas,
mas o peso é real, é vivo,
como gritos que se escondem
atrás de um peito sempre contido.
Machucados invisíveis clamam,
não por cura, mas por atenção,
um olhar que entenda sem perguntas,
um abraço que traduza o coração.
Maria
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Naquele dia o vazio tomou conta de mim.
A sensação de um toque sem permissão
fazia a mente disparar,
o coração acelerar,
e eu, imóvel,
recebia o que nunca pedi.
A dor me consumia,
e eu fingia que nada sentia.
Entre sussurros e toques,
me vi perdida naquele instante,
como se minha própria pele
não fosse mais minha.
O silêncio gritava.
As lágrimas corriam para dentro,
enquanto por fora
meu semblante permanecia sereno,
como quem segue um percurso
sabendo que já não existe volta.
Quando tudo acabou,
meu mundo desabou.
E eu caí
caí em um mar feito das minhas próprias lágrimas,
um oceano de dor muda
que até hoje me afoga em lembranças.
Maria
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Eu estava aqui.
Silenciosa, constante, inteira.
Fui farol nas tuas noites escuras,
e ainda assim, fui só poeira.
Você não percebeu
quando segurei sua mão
no instante em que o mundo desabava
dentro do seu coração.
Calei minhas dores,
engoli meus gritos,
só pra que os teus
fossem ouvidos.
Estive ali,
mesmo sem ser chamada,
fiz do meu peito morada
pra tua alma cansada.
Mas no final…
nada disso você viu.
Meu amor passou como vento,
como um gesto sutil.
Não notou os detalhes,
os pequenos sinais,
os silêncios que imploravam
pra você ficar mais.
Mas nada disso você viu.
Nem os detalhes,
nem os gestos pequenos,
nem os silêncios tão cheios de sentimentos.
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Eu não sei como gritar sem assustar ninguém, então eu sangro em silêncio.
Não é só pele… são pensamentos demais, sentimentos que transbordam.
E quando tudo fica pesado demais por dentro, eu acabo descontando no único lugar que posso controlar: o meu corpo.
Esses cortes…
não são por drama, nem por pena.
São tentativas de aliviar uma dor que ninguém vê.
É quando a mente cansa, o peito aperta, e o silêncio vira um abismo dentro de mim.
Eu sei que machuca.
Mas às vezes, machucar por fora é a única forma de fazer o que sinto por dentro parar por um segundo.
É estranho, eu sei.
Mas naquele momento, é só o que eu consigo fazer.
Não é que eu queira morrer…
é que eu queria viver de um jeito que não doesse tanto.
Eu estou tentando. Mesmo que ninguém perceba.
Eu só… não sei mais como pedir ajuda.
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Fragmento de uma menina perdida aos 7 anos de idade
Ela não desapareceu do mundo.
Desapareceu de si.
Aos 7 anos, algo a quebrou de um jeito que ninguém viu,
de um jeito que nem ela soube explicar.
Foi naquele silêncio de dentro,
na ausência de colo quando tudo doía,
na confusão entre ser forte ou simplesmente pequena demais pra carregar tanto.
Desde então, ela cresceu sem crescer por inteiro.
O corpo mudou, o tempo passou, mas a menina ainda vive ali,
presa no instante em que deixou de se sentir segura.
Ela sorri, conversa, segue em frente.
Mas dentro, mora uma garotinha com os olhos assustados,
que só queria ter sido ouvida,
acreditada,
abraçada.
Não é sobre voltar no tempo.
É sobre reconhecer que ali, aos 7,
ela se perdeu.
E desde então, tudo que tenta
é se encontrar de novo.
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