Medo do amor
O medo veste meu peito em silêncio, como um véu frio sobre o que pulsa. Aprendi a erguer muros tão altos que nem o amor consegue atravessar. Toda vez que alguém se aproxima, minha alma recua assustada, ferida. Não porque não queira sentir, mas porque amar também é se despir. Tenho medo do toque que cura, pois um dia ele também doeu. Tenho medo do abrigo de um colo, pois já me perdi em braços que não eram meus. E assim, me defendo até do afeto, como quem teme o próprio respiro. O amor bate à porta, suave e eu, tremendo, finjo que não ouço o ruído. Talvez um dia eu aprenda que sentir não é perigo, e que nem todo amor machuca... alguns apenas pedem abrigo. Maria
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