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Iara aguiar

@iaraAguiar · desde 2019

aqui guardarei qualquer pedaço de emoções que achar em minha gaveta. espero que fique preso, bem aqui, dentro de mim.

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Lágrimas

retalhos noturnos

As vezes na negritude da noite Em quanto todos apagam Eu enfim me acendo Me abro em carne viva E vou me remoendo É tanta dor bordada, é tanta casa esquecida É tanto afeto passado É tanta morte revivida E então vou me desfazendo Linha por linha Como uma custura velha Vou me arrancando ponto por ponto Botões velhos caem por dor Vou me expondo ao sacrifício Paro de fingir quem eu sou E se de ferro sou marcada Me debruço de temor E então ao fim da noite vil, me torno renascente de um corte inquisitor.

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Amor

o afeto tão passageiro quanto efeito de uma dose de um álcool vagabundo

Nada se esvaziou Você ainda está repleta da saudade que sente Um sentimento não se desfaz como um nó de mãos, Não tão derrepente Ele sempre esteve ausente Todas aquelas farsas Ele somente dissimulava todos os risos, abraços fortes e melodias proclamadas olhando para o teto Todas aquelas promessas de carregar o mundo com você Era só uma máscara que se fazia inebriante naquele rosto tão perigosamente acolhedor Você só era tão conveniente quanto aquela taça de vinho E só não sabia que estava temporariamente nas mãos dele, assim como ela A verdade Nunca fora presente Você só era uma ampulheta contando cada momento escasso entre vocês E agora o último e único grão caiu Junto com Aquela máscara junto com seu choro abafado pelas paredes do seu quarto O tempo fará a seleção natural dos que te abraçam e sentem mais que simplesmente tua carcaça de pele quente Mente carente, pare de enxergar afeto Onde só você sente Tome coragem E enfim, se ausente.

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ouvi a tua falta roer

Encontro-me me despindo de você Estou deitada, jogada no chão da sala Arrancando tudo de você Sua roupa ainda está amarrotada, no cantinho que você fez morada Já expulsei de mim teu cheiro Já matei todo o desejo Já me desfiz do gosto do teu beijo Mas não, não me ausentei das memórias Ainda estou nelas Com você Não me encontro aqui Aqui se encontraram cigarros, garrafas vazias, expectativas quebradas Aqui não se sente o fervor das tuas mãos Aqui não se vive mais o teu abraço Aqui morreu o silêncio mais digno de amor Aqui? Aqui a luz do nossos corpos, se apagou Junto do seu quarto, que me memorizou Aqui renasceu a distância Na qual você se jogou Eu me encontro presa, presa ao que eternamente iremos ser Me procuro Mas não me encontro Estou me despedindo de você

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Amor

sentimento ilhado

Eu ainda estou aqui...quase que estática diante do nosso passado, com meus fones desajustados, esperando que os acordes arrebatadores daquelas que costumava ser nossa música, coloque meus pensamentos de volta a órbita. Mas isso não parece acontecer, por que quanto mais eu tento me resguardar desse caos interno, com maior dimensão ele volta, me gritando na cara "se achas capaz de fugir do teu desastre interior?". Eu não resisto, logo desisto, deixo as lágrimas se desprenderem do seu abismo interno e tomarem posse do meu rosto, elas trazem a pergunta "o que ela estaria fazendo agora?" De certo que arrastando o caos a dentro para a vida de outro alguém _respondem em um uníssono flamejante, todas as feridas que buscam cicatrização, dentro de mim. _amordaça essa pergunta, antes que ela te faça refém.

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Amor

Anteros

Por todos esses teus clamores Senti minha alma, latejar Minha calma, exasperar Cada calo meu, gritar Para minha pulsação do teu vício afastar Talvez não seja nesta batalha que aprenderei a não te buscar Mas continuarei a me desgarrar, de tuas mãos a me enforcar afrouxando as cordas de tuas mil ilusões Me ocultando de teus olhos de mil complicações Fugindo de tuas perigosas intenções E só então, erotes saberá Se quando não tentares me afugentar Teu calor não mais me queimará Mas me atraírá para teu cárcere Me prendendo no ciclo de Vênus do teu amar. - Assim se faz a fuga do frio do teu guerrear.

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Amor

amor e revolução

Cada traço do seu corpo Parece se Sublimar Sua alma, não cansa de se purificar São tão bobos meus versos Para explicar que o universo Detalhou tanto na perfeição de cada traço De todos os fios dos seus cachos Que todos os erros de todas as outras Passaram desapercebidos ao seu olhar Teus lábios, possuem tanto magnetismo Que mesmo estando fechados Neles enxergo o mais lindo sorriso Toda faísca que se expande em mim, começa com uma risada tua Toda felicidade minha, se inicia com um toque seu Meus lábios, perderão a escolha de estarem imóveis Se colocados próximos aos teus Tua personalidade arde em minha boca E a descrição ainda seria pouca, se falasse que tens o controle de todo meu planeta terra Residência de luz Que quando se expande Não se abre Incendeia Arde Se teu olhar Se colidir com o meu Tuas bochechas vão corar Todo o vazio que carrego desmoronará Irá se deitar aos seus pés, E se aconchegar Levando a grande chama que se acendeu A ferver e nos Queimar Ao te ouvir lentamente falar Aguardo você se despir, cada essência por trás de sua calma. _toda arrebatadora paixão, começa com um ato de revolução.

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Amor

the nigth we met

Me leve de volta para a noite que nos conhecemos Me leve Eleve o clamor do calor Nossos corpos Estão entorpecidos de dor Eu preciso continuar a me anestesiar mesclando o sabor dos seus lábios com álcool no meu paladar Preciso sentir os calafrios dos teus braços Preciso andar contigo pelas noites, descalço Preciso me rebelar a cada sombra tua que me abandonar Me jogar na insônia, me debruçar no teu mar Me esvair na perdição da noite Que a escuridão só se iguala a do teu olhar Preciso me perder nas tuas insanas verdades Preciso olhar nos teus olhos marejados, e voltar a acreditar que me afogando neles que iria te salvar Amor, deite-se comigo e minta para mim Preciso voltar a te amar Preciso me entregar Não para sentir teu gosto Mas para me matar E que me mate toda a vida, para que não saiba mais te amar. E que me arranque a falta do universo de felicidades mortas do teu olhar _Que eu não mais possa te enxergar...V-i-d-a.

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Amor

VII.III

Suas palavras são como toques Te sinto deixar tuas marcas sob a minha pele Te permito continuar a me torturar, com tua voz doce me pedindo para ficar Você pode crava-las um tanto mais devagar? Menos depressa, meu amor É que elas ainda não aprenderam a balancear A sintonia, não as consegue encontrar É que elas me arrancam o sorriso ou a alma Me arrancam arrepios ou a calma Desse jeito, terei de arranca-las Vou Devorar com toda calma, roubando elas de onde você nem imagina que eu irei chegar - você me leva até o céu, apenas para me cravar tuas muralhas.

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Amor

teu corpo anoitece para o meu descansar

Você nunca estará sozinho A cada passo Te acolho Com os meus braços Não mais existe, aquele afeto quebrado Estamos fugindo do isolamento Contando cada lamento Revivendo Aprendendo a lidar Com as amarras Que a vida usou Para nós ligar Não seria em vão Tentar te puxar Te tocar pelos vãos, da tua alma a completar Chegue mais perto Irei te beijar Acariciar o cantinho da sua barba que ainda nascerá Planejar, relapsos de vida que nem sabemos se acontecerá Queria te elucidar Te curar Te resguardar Quero te levar Na chuva insalubre Sua proteção arrancar Mas te prometer Que estarei com você Do pôr do sol até o amanhecer Não pensei em beijar tua boca mas muitos isso surpreenderá na verdade as pessoas não entenderiam a pureza de lábios que não querem se entrelaçar A ingenuidade De almas Que querem se tocar Irei apenas te escrever esse poema e me aconchegar para te abrigar _De qualquer frio, meu corpo irá lembrar apenas do teu corpo, que ao meu lado escolheu morar.

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Amor

a droga que abstém os próprios estragos

Por quantos minutos eu vou manter meus olhos encarando os do meu fracasso sem você Quantos minutos vão levar para mim correr até você Quantas amarras serão nescessárias para me impedirem de implorar amor aos pés de quem me desatinou em um mar de dores Você é a droga Aquela maldita droga A que me destrói A que tem o poder A que me reconstrói Quando essa abstinência fizer eu me render, a você Me perdoe, meu eu O estrago estará feito Não há reparos Depois que a desordem entrar, que você decidir voltar Você é a submissão, a porra da única capaz de me tirar desse nada que eu me tornei Então você o faz Você me tira de meio ao mar, para me lançar no meio do transbordar Da destruição certa, que é te amar.

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