Iara aguiar @iaraAguiar
Lágrimas

retalhos noturnos

As vezes na negritude da noite Em quanto todos apagam Eu enfim me acendo Me abro em carne viva E vou me remoendo É tanta dor bordada, é tanta casa esquecida É tanto afeto passado É tanta morte revivida E então vou me desfazendo Linha por linha Como uma custura velha Vou me arrancando ponto por ponto Botões velhos caem por dor Vou me expondo ao sacrifício Paro de fingir quem eu sou E se de ferro sou marcada Me debruço de temor E então ao fim da noite vil, me torno renascente de um corte inquisitor.

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