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@islahavana_

@havanax · desde 2020

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caim e abel

já alerto que essa poesia não é sobre carinho. não é sobre a doçura de um abraço ou da sensação duvidosa que é estar sozinho. não é sobre estrelas, inverno, sol, paixão. essa poesia é sobre indignação. é a constante busca por justiça, respeito e igualdade. é a ausência de segurança nas esquinas da cidade. e nessa busca eu insisto em usar desses versos pra começar, é fácil, quando se é branco, acreditar em racismo reverso. ou falar mal de cotas e dizer que é vitimização, quando se tem carro, comida, educação de graça na mão. é fácil limitar a mente e odiar a diversidade, quando estamos dentro de um padrão limitado de "normatividade". padrão que ensina que o normal é o branco, hetero, cis. a cinturinha da moça ou o crente que passa empinando o nariz. é fácil fazer piadas enxarcadas de transfobia quando não é a nossa vida que corre risco todo dia. é fácil olhar pra si mesmo e se aceitar, quando não te ensinaram desde a infância a se odiar é fácil levantar a voz pra defender esse sistema quando ele não te enche de problema. ou gritar mito e apoiar o atual presidente. quando você se iguala essa sociedade doente. doente de preconceito, com sangue na mão a mesma que levanta na hora da adoração e diz na igreja que somos todos irmãos se Deus abomina hipocrisia muitos não chegarão ao céu. se você se declara irmão daqueles que impulsiona a matar qual a diferença entre você e caim que matou abel? Seu conservadorismo é mais conhecido como doença, vive de ódio, preconceito, falta de respeito, ofensas. Se o sangue de Jesus já bastava e era suficiente, porque ainda continuam derramando sangue de gente inocente. Gente que é gente como a gente, independente de cor, gênero e sexualidade. gente que só quer viver em paz, com sua essencia e verdade, aceitando sua raizes e ancestralidades. mas pra isso precisam continuar resistindo a essa sociedade. precisamos fazer a diferença, precisamos respeitá-las.

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paixão

como explicar o inexplicável fogo da paixão? é a força do universo que te leva até alguém são aqueles tremores de emoção é a insegurança que te faz refém. é o medo de entregar-se por inteiro e que te faz ficar com um pé atrás é aquele abraço demorado que não te satisfaz você quer mais, mais e mais. como se tudo fosse um vício daqueles que desconhece o início mas teme que seja finito. que acabe rápido demais. é o frio na barriga que te faz querer correr mas também é o calor do coração que te faz querer arriscar é uma bifurcação no seu caminho e agora não sabes pra que lado caminhar. é querer se declarar de madrugada é achar perfeita aquela voz desafinada é pensar na cor do quarto dos seus futuros filhos é querer fazer daquele peito a leveza de um abrigo. é se sentir tonto bobo, idiota como se tudo que você tivesse planejado explodisse e não restasse nenhuma rota só a tolice em apaixonar-se. é difícil lidar com quedas principalmente as da paixão como autoria é uma tortura quando as expectativas são criadas e você pensa nelas todo dia. ser vulnerável depois de ter se machucado não é pra qualquer hora tem que aceitar viver a intensidade de focar no presente que sussura baixinho agora "vale a pena o risco de tentar novamente."

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atração

não sei explicar quão grande é a força do universo que me leva até você. uma força que desconheço origem pois você é boa, boa demais pra mim.

cortinas rasgadas

é que esses dias tá foda toda hora vem a lembrança de você indo embora. fazendo descer goela abaixo uma dose de fragilidade. me deixando vulnerável, mesmo com tão pouca idade. só mais um jovem ameaçando enforca-se com cortinas rasgadas à espera da pessoa amada, ansiando desesperadamente sua chegada sem saber que ali dentro ela já faz morada e se reflete no espelho sempre que o olha. essa solidão no lugar da solitude gera confusão, lembrar que estar sozinho é privilégio e não opção. na escola não nos ensinaram que o melhor guia que existe é a nossa intuição, que sem ela estamos no escuro, sem qualquer direção, como um ser totalmente desatento. que nem percebeu os panos secos no varal sendo levados pelo vento. o mesmo vento que é um vai e volta de memórias disfarçadas, que por aí vagam, sempre é melhor deixar ir, se permanecer mata. o sono agora só vem depois da madrugada, quando a luz do sol invade em detalhes minha cama que a saudade deixou desarumada. a saudade de mim, por culpa de você. bobo é quem se deposita tanto em seu barco, ao ponto de esquecer como nadar. quando tu partiu, eu só fiz me afundar, até estendi a mão pra fora, esperando você voltar pra me puxar, esquecendo-me que eu sou o meu própio bote salva-vidas, e dessa queda só eu pra me levantar.

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pensar

naquele dia eu parei pra pensar nela e depois nunca parei de pensar.

Amor

não te tirei da cabeça

eu errei em me apaixonar por você o momento não era o certo mas qual seria? te culpo, culpo seu sorriso, o jeito que alisava minhas costas e deitava em meu colo. me culpo, por te admirar tanto, por não saber me controlar ou até me expressar quando chegavas. mas de que serve a culpa? além de criar barreiras barreiras que nunca poderão ser revertidas. tu longe e ainda perto, pois aqui restaram pedaços seus, pedaços que não consigo arrancar. tu se foi do lado de fora e esqueceu de te levar de dentro.

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Primeiro beijo

Segundos antes do meu primeiro beijo, brincávamos fantasiando um casamento improvisado. na cabeça, meu cabelo solto ao vento, lembrando um véu castanho-claro. no chão, pétalas de flores espalhadas, flores que arranquei sem deixar que respirassem, sem ao menos recitar o bem me quer, fazendo-as de tapete para os pés descalços e sujos de areia. De lado, o menino que fazia meu coração arder, de um jeito singular, e segundo minha mãe, proibido para minha idade. o mesmo menino que eu desenhava nas paredes da escola, e que foi autor de várias poesias minhas, guardadas na mente, proibidas de sair. De frente, um padre falso, que tinha quase meio metro de altura, e foi quase que obrigado a entrar na brincadeira. em fantasia, nos levou a explorar uma parte estranha e desconhecida, uma etapa que seria brevemente concluída, apenas falando a simples e famosa frase "pode beijar a noiva" tudo permaneceu lento rapidamente.

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Família

o que é família?

não podemos escolher com quem compartilhar o mesmo sangue e o lar onde vamos crescer, não escolhemos o nome que vão nos registrar, ou quem será nossos parentes. e não é sobre ser parente, é sobre ser presente, é sobre escolher ser família. porquê não é o sangue que nos liga, é o cuidado em forma de afeto. ser família é estar disposto, a conversar, a escutar, disposto a amar, e amar de verdade. o amor não julga, não invade, o amor não persegue, não bate. amar é ser plural respeitando cada singularidade. é ser metade, de alguém que já é inteiro. é também sentir a dor do outro, é sorrir junto, é viver na empatia de partilhar sentimentos que não te afetam e os tornarem seus também. ser família não é ser tradicional e inserir-se em um padrão, é sobre respeitar as diferenças, as mesmas que nos une e nos tornam um. é o gato que encontrei na rua, com fome e frio. a amiga que conheci online e agora faz parte do meu dia a dia. aquele menino que conheci na escola e que agora vem me visitar. a minha vó que mesmo de longe manda a sua maravilhosa comida em potes. aquela pessoa que nem converso tanto, mas sei que se ligasse ela me atenderia. ou a outra que me chama pra sair quando não to bem e me faz rir por horas. família é quem tem um lugar guardado em você, e mais que isso, é quem valoriza esse lugar.

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era feliz, mas não sabia.

eu era feliz e não sabia quando sujava os pés na terra da rua. descalça, enquanto corria de braços abertos, quase não sentia quando pisava em pedras afiadas. eu era feliz e não sabia quando descia ladeiras de bicicleta e soltava as mãos do guidon, deixando-me ir livremente, arriscando uma queda, caindo as vezes, e mesmo assim, valia a pena sentir o vento na cara junto com a sensação de liberdade. eu era feliz e não sabia quando brincava de barra bandeira e me achava forte demais quando puxava alguém ou quando conseguia pegar o chinelo que colacávamos como troféu. eu era feliz e não sabia quando pegava esse mesmo chinelo pra fazer trave no futebol, jogávamos como se fôssemos ganhar algo a mais do que dedos rasgados. eu era feliz e não sabia quando sentava na calçada com os amigos comentando sobre a vida, sobre o futuro, sobre tudo. dando risada de cada um desses momentos onde eu era feliz e não sabia.

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