cortinas rasgadas
é que esses dias tá foda toda hora vem a lembrança de você indo embora. fazendo descer goela abaixo uma dose de fragilidade. me deixando vulnerável, mesmo com tão pouca idade. só mais um jovem ameaçando enforca-se com cortinas rasgadas à espera da pessoa amada, ansiando desesperadamente sua chegada sem saber que ali dentro ela já faz morada e se reflete no espelho sempre que o olha. essa solidão no lugar da solitude gera confusão, lembrar que estar sozinho é privilégio e não opção. na escola não nos ensinaram que o melhor guia que existe é a nossa intuição, que sem ela estamos no escuro, sem qualquer direção, como um ser totalmente desatento. que nem percebeu os panos secos no varal sendo levados pelo vento. o mesmo vento que é um vai e volta de memórias disfarçadas, que por aí vagam, sempre é melhor deixar ir, se permanecer mata. o sono agora só vem depois da madrugada, quando a luz do sol invade em detalhes minha cama que a saudade deixou desarumada. a saudade de mim, por culpa de você. bobo é quem se deposita tanto em seu barco, ao ponto de esquecer como nadar. quando tu partiu, eu só fiz me afundar, até estendi a mão pra fora, esperando você voltar pra me puxar, esquecendo-me que eu sou o meu própio bote salva-vidas, e dessa queda só eu pra me levantar.
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