Ás vezes sumo no suprassumo da tristeza, e apareço quando volta o meu apreço
Eu me apresso mais do que deveria, e pago o preço por não ter as regalias
Apodreço mais um tanto a todo tempo, e amadureço por não ter o que lamento
Enlouqueço nesse mundo de euforia, mas nunca esqueço que é covardia ser isento
E então cresço quando dou tudo que tenho, e me retenho por não receber um terço
Do avesso, tento me recompor, sem rancor para guardar, pois não mereço.
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Releve os meus vícios, eles também são teus
Neles moram minha sobrevida, a carcaça, o que sobrou
Ainda não me dê como morto
Não por falta de anseio, mas por excesso de lucidez
Várias vezes fui acertado por ti
E eu decidi sangrar até a última gota
para fazer uma tintura do mais puro vermelho
Queria eu desfazer todas as telas,
todos os quadros e pinturas que criei de você,
porque até diria que são irreais
Não são! Porque são defeituosos, assim como tudo que o ser humano pensa ou faz
Se você não merece o meu amor, também não merece a minha queda
E, por isso, estou em guerra, sempre estive em guerra
Mas nunca criei inimigos além de mim,
pois nada sou senão o meu carrasco,
e nada serei além da minha carranca
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A palavra dita, emerge solta;
evoca, invoca, satisfaz!
É tudo palavra, afinal.
Ao final de cada frase,
em cada fase, em cada fim.
O contínuo tem um enfim...
E a finitude é o elixir:
o existir, exigir, hesitar
com H!
De hoje, hora, haverá.
Hão de vir; dias que não voltam!
Na volta, as flores brotam
em protesto.
Profetizo o que é vindouro
e desconjuro todo o resto
sem planejar o que farei.
Se o pensamento é ímã
e a palavra é lei,
onde está você, que não aqui?
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Nunca quis te afogar em minhas águas,
mas, mergulhar em ti.
As profundezas são crueis, lá se deixa marcas de evolução.
Viver livre é um ato de rebeldia que requer coragem e a coragem é uma ode a vida.
Sei que submergirá em outras margens, mais quentes e límpidas
E não tardarás em esquecer os teus algozes.
Água-viva, eu te venero; assim como à toda natureza, que é bela em seu âmago;
Tu feres os meus pés e me impede de pisar em terra firme;
E por isso, talvez eu nunca te entenda, pois é da tua natureza fazer mal a quem te toca.
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Me pergunto o que será da morte sem mim, quando, no fim, a vida me levar
Do alto da ignorância, morro todos os dias e só consigo viver porque faleço
Levanto por teimosia, osmose ou força divina. E do meu pior momento, sigo melhor.
Depois torno a morrer, sem surpresa, como já conhecida; senta-se à mesa
Eu, a morte e Belchior
Vistosas são as manhãs em que acordo e certa é a abjuração da noite
A madrugada não é somente uma palavra bonita que conjugo
Me pergunto o que será de mim sem o sol, pois dantes ele fosse eterno como no sertão
Eu morro, morro porque sou humano, morro como Deus um dia morreu
Morro porque espero sempre o que jamais me pertenceu em vida; tampouco na morte
E se um dia fui eu um sujeito de sorte, não lembro, porque morri de duvidar.
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Avassaladoras são as paixões.
Tantas boas, tantas más,
oriundas da juventude, da serenidade
dos dias de rebeldia que findaram.
Saudades
do sentir-se louco, da ansiedade
e do desprazer da rejeição.
De estripar o cérebro
ao imaginar que noutro dia
haveria contemplação.
A veria, de modos, jeitos, simpatias,
descrente de que o fim de tudo tardaria.
Implacável é o tempo.
Miríade de reminiscências:
deixa ver, deixar ser, deixa ausência.
Deixa-se enganar.
As paixões se foram, quietas,
acreditando que um dia, por certo,
saberiam amar.
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Há quem caia bem sozinho.
Eu levanto; já me levantei.
Não me cai bem, não me cabe, já me coube.
Terra à vista após afogamento;
À vista, se paga todos os lamentos.
Vista só o que lhe cabe; e a solidão... não me cabe mais.
Forma e força são flexíveis.
Traçado a raiz é estar livre.
A liberdade mora no ori.
Hoje, aqui.
De ontem, já se sabe: um dia me servirá.
E o amanhã? Já não me cabe.
Não me cabe...
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Pensei, busquei, indaguei; e nada como um dia após o outro.
Meus cabelos brancos são primos do meu coração acinzentado.
Cada gesto é enigmático; cada verso, liberdade; o amanhecer uma vitória.
No encanto de ser plural, o singular virou memória.
E de fato, seja dito: aqui jazem os meus sonhos, a sete palmos do céu.
Voaram tão alto que se perderam no espaço, nas poeiras de um anel.
Bateu asas, sem beijar flor; voou pra trás, um colibri.
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