Eu, a Morte e Belchior
Me pergunto o que será da morte sem mim, quando, no fim, a vida me levar Do alto da ignorância, morro todos os dias e só consigo viver porque faleço Levanto por teimosia, osmose ou força divina. E do meu pior momento, sigo melhor. Depois torno a morrer, sem surpresa, como já conhecida; senta-se à mesa Eu, a morte e Belchior Vistosas são as manhãs em que acordo e certa é a abjuração da noite A madrugada não é somente uma palavra bonita que conjugo Me pergunto o que será de mim sem o sol, pois dantes ele fosse eterno como no sertão Eu morro, morro porque sou humano, morro como Deus um dia morreu Morro porque espero sempre o que jamais me pertenceu em vida; tampouco na morte E se um dia fui eu um sujeito de sorte, não lembro, porque morri de duvidar.
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