O tempo começa como um sopro leve,
Com cheiro de flor e gosto de mel,
Um dia ensolarado, riso que não cessa,
Um céu desenhado a pincel.
É doce ver a vida passar devagar,
Sentir o carinho em cada detalhe,
Achar que o mundo é um lugar bonito
Onde o afeto nunca falhe.
Mas o tempo também se faz abismo...
Pois quando o silêncio substitui a voz
E a fuga covarde se veste de bloqueio,
Percebo que o tempo que dei a quem passa
Tornou-se dor no meu próprio peito.
Descubro, então, na dor do descarte,
Que a minha presença não é qualquer coisa.
Meu tempo é minha alma, é sangue, é vida,
Não é brinquedo em mão leviana e ociosa.
Quem me bloqueia julgando ter poder
Mal sabe que apenas devolve a minha luz.
Meu doce tempo precioso é sagrado:
Só permanece quem realmente me honra e conduz.
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Éramos meros conhecidos, eu bem sei,
Mas no começo, em mil maravilhas me encantei.
Por que me trata assim, sem direção?
O que mudou no teu olhar, no teu coração?
Procuro em mim o erro, o motivo, a razão,
O que te fiz para merecer essa negação?
Diga para mim se houve algo que não gostou,
Se o meu jeito, de repente, te afastou.
O meu maior defeito — que nunca vai mudar —
É insistir em me abrir, em me entregar.
Mesmo sabendo o fim, eu me lasco outra vez,
Nesse ciclo repetido que você também fez.
Por que o teu silêncio demora a responder?
Sem uma explicação para eu entender...
Diz que gosta, mas o teu sumiço desmente,
Deixando o vazio aqui no peito da gente.
Guarde o aviso quando a minha ausência notar:
Alguém boa, legal e rara de encontrar,
Quando decide mudar e o mundo seguir,
Leva consigo o valor que você não soube medir.
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Nasceu de um desejo antigo,
com a pele clara feito o amanhecer,
lábios cor de rosa viva
e o encanto que a infância viu crescer.
Lá vai ela, leve e serena,
trazendo uma luz que o caminho abraça.
É o caminhar mais bonito de ver,
uma poesia descalça que passa.
Os anos desenharam calma em seu rosto,
e o prata agora molda o seu olhar.
Essas marcas claras no seu cabelo
são o tempo ensinando a amar.
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Você é o mistério que o mundo não sabe ler,
Poesia bonita que a pressa não consegue ver.
Única, rara, feito estrela que decide pousar,
Não entendo quem ousa o teu brilho apagar.
Dizem que é séria, fechada, distante demais,
Mas é que a tua alma só busca caminhos de paz.
O mundo exige armaduras, te força a mudar,
Mas a culpa não é sua por ter que se resguardar.
Pois quem ganha o teu laço, descobre o teu sol:
O teu riso de infância, o teu cais, teu farol.
Perto de quem te ama, o teu medo desarma,
E a menina que existe em você se acalma.
É difícil encontrar quem enxergue o teu valor,
Nesse mundo que às vezes esquece o amor.
Mas saiba: você é perfeita na curva do teu ser,
Um poema sagrado que eu tenho a honra de ler.
Não tenha receio de ser exatamente assim,
Pois o teu jeito inteiro é um jardim sem fim.
Vem descansar o teu peso, acolher o teu caminhar,
Que o meu peito é o porto feito para te abrigar.
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Recebe estas linhas que a alma de dita,
Escritas na pressa de quem sabe amar.
Tua pele de neve, alvura bendita,
É o porto seguro onde quero pousar.
Teus cabelos belos, em fios escuros,
Moldam o rosto de rara afeição.
E nesses teus olhos, castanhos, puros,
Reside a esperança da minha canção.
São olhos profundos, herdeiros da luz,
Que guardam promessas que o tempo não cega.
Teu corpo, violão que o peito conduz,
Dedilha a melodia que a mente se entrega.
Tuas curvas graciosas, quais ondas do mar,
Desafiam o mundo, a pressa, o cansaço.
Não precisas de esforço para encantar,
Pois trazes a graça em cada pedaço.
Se as leis deste mundo tentarem deter
O laço sagrado que em nós se desata,
Afronto a suntuosa razão do viver
Para ser teu eterno leitor nesta carta.
Tu tens o mistério, o diferencial,
A força divina que o peito consome.
E contra o preceito do mundo real,
Gravei no meu peito o teu doce nome.
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Se o afeto habita em teu peito,
Por que o guardas em segredo?
Entre a ausência e o teu respeito,
Eu cultivo o meu próprio medo.
Cartas escritas com tinta de rosa,
Promessas góticas em dia de festa.
Tua presença era tão graciosa,
Mas hoje o teu vácuo é o que me resta.
Pensei viver um romance sagrado,
Daqueles antigos, de pura devoção.
Mas fui brinquedo em teu jogo travado,
Um troféu de pedra para o teu coração.
Diga-me, monstro de falso veludo,
Por que me detestas com tanto desdém?
Teu beijo na sombra hoje é mudo,
E o teu Valentine não ama ninguém.
Se a minha entrega te esmaga e cansa,
Não serei fardo na tua jornada.
Guardo no peito a minha esperança,
Pois quando eu mudar, não haverá mais nada.
O tempo cura o que se quebrou,
Mesmo o feitiço mais forte e sombrio.
E na estrada deserta que restou,
Saberás bem quem deixou esse vazio.
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Antigamente, o afeto tinha endereço,
Não vivia de telas, nem de um simples "online".
O amor era um templo, valia seu preço,
E se o mundo fosse contra, a gente não declina.
Eram flores colhidas, eram cartas escritas,
O peso de um olhar que não buscava desvio.
Mesmo em batalhas, entre lutas aflitas,
Dois corações se aqueciam no próprio frio.
Hoje o amor é um vácuo, um jogo, um despojo,
Trocam-se almas como quem troca de estação.
Sinto falta do tempo em que, olho no olho,
A palavra dada era a lei do coração.
Quem me dera o sagrado, o antigo, o intenso,
Onde amar não era guerra, nem busca por dor.
Hoje o afeto é raso, um ruído imenso,
Onde a lealdade é o que menos tem valor.
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O que para mim é amor, para você é jogo,
Um tabuleiro onde aceita brincar.
No início, o teu afeto era puro fogo,
Mas logo a sua máscara começou a mudar.
Se a sua intenção era apenas distração,
Faria melhor se comprasse um brinquedo.
Quem abre o peito e entrega o coração
Não merece ser tratado com esse desdém e medo.
É na mudança brusca do teu tratamento
Que a gente enxerga a verdade que você escondeu.
Agradeço o fim desse fingimento:
O jogo acabou, e quem perdeu não fui eu.
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Por que o tempo mudou teu olhar,
E o que era antes já não posso ver?
Demoras tanto a me responder,
Sem um motivo para me dar.
Se o amor existe, ele cuida e diz,
Não deixa o outro no escuro esperar.
A falta de um rumo me faz infeliz,
Cria esperanças que vão desabar.
Sinto-me um fardo, um peso no chão,
Uma presença que vem sufocar.
Tua palavra me traz negação,
E uma culpa que eu não sei carregar.
Me sinto pequena, em dor e agonia,
Num canto escuro que você moldou.
O teu desprezo que ninguém previa,
Lentamente de ti me afastou.
É um silêncio mortal, sem igual,
Mais doloroso que a ofensa verbal.
É a humilhação que fere o peito,
Nascida da ausência do teu respeito.
Não me peça as razões do adeus,
Quando a distância for o meu altar.
Olha as pegadas dos passos teus,
Elas explicam por que vou parar.
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Se o amor habita em teu peito,
Por que o guardas em segredo?
Entre a ausência e o teu respeito,
Eu cultivo o meu próprio medo.
Vejo teus passos na rede vizinha,
Enquanto o tempo aqui não passa.
Fica a certeza de estar sozinha,
Como uma sombra que desbota e passa.
Sinto o peso de um quase incômodo,
Uma culpa que não sei explicar.
No vazio imenso deste cômodo,
Falta o teu jeito de me olhar.
Me permiti abrir o peito,
Voltar a amar, correr o risco.
Mas colho o fruto do desfeito,
Um desprezo mudo, em cada cisco.
Não há palavras no teu desdém,
Mas sinto a dor da humilhação.
Vou me afastando para o teu bem,
Cuidando da minha solidão.
Não serei fardo em tua jornada,
O tempo cura o que se quebrou.
E na futura estrada deserta,
Saberás bem quem me mudou.
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