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Poesia

Onde o meu amor morava

Antigamente, o afeto tinha endereço, Não vivia de telas, nem de um simples "online". O amor era um templo, valia seu preço, E se o mundo fosse contra, a gente não declina. ​Eram flores colhidas, eram cartas escritas, O peso de um olhar que não buscava desvio. Mesmo em batalhas, entre lutas aflitas, Dois corações se aqueciam no próprio frio. ​Hoje o amor é um vácuo, um jogo, um despojo, Trocam-se almas como quem troca de estação. Sinto falta do tempo em que, olho no olho, A palavra dada era a lei do coração. ​Quem me dera o sagrado, o antigo, o intenso, Onde amar não era guerra, nem busca por dor. Hoje o afeto é raso, um ruído imenso, Onde a lealdade é o que menos tem valor.

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