Mergulhei nestes teus olhos de oceano,
Mas nunca nadei de volta à superfície.
Fui mais fundo em algo sobre-humano.
Amei até o fim, e meu amor uma vez disse:
“Confiei em teu amor, pois não é mundano”
E digo que tamanha foi a minha sorte;
Lutamos contra tudo e todos, sem engano.
Passamos por tudo juntos, menos pela morte.
Ainda lembro da beleza em seus traços
E guardo as memórias da minha eterna paixão,
Tesouro de risadas, beijos e abraços
Dados à beira da praia em meio ao Sol de verão.
Tantas noites no aconchego da maré baixa
Agora serão noites de dor e solidão,
Pois, nessa vida, tudo se encaixa -
Exceto as partes do meu partido coração.
Descanse em paz, Naiá de minha Jaci
Suba aos céus com tua íris azulada.
Deixo uma balsa com flores e juro
Que a memória de teu amor será guardada.
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Se eu penso, eu ajo
Se não penso, relaxo
Se eu muito penso, viajo
Se não muito ajo, vejo
Às vezes penso e não ajo
Às vezes ajo e não penso
Às vezes me vejo propenso
A viver de modo mais denso
No fim da manhã, ajo e vejo
No fim da tarde, escrevo e viajo
No fim da noite, ajo e relaxo
No fim das contas, eu ajo, relaxo e viajo
Por que eu penso e não ajo?
Por que eu vejo e não relaxo?
Por que viajo e não me mexo?
Por quem eu seguro esse facho?
Espero e nunca chego
Escrevo e nunca entendo
Escondo e nunca desejo
Estranho, sempre correndo
Relaxo, mas antes viajo
Rebaixo, mas antes ajo
Regalo, mas antes sofro
Respiro, e depois escrevo
Faço risco e aponto rastro
Faço e rimo enquanto cresço
Faço riso e aí relaxo
Faço, pois, fim e começo
Tenho tempo, mas não ajo
Tenho tudo, mas não tento
Tenho tampa, mas não acho
Tenho trama, tenho sina, tenho o dom, e não ajo
Haja fim para tanto começo
Haja linha para tanto verso
Haja filme para tanto ingresso
Aja, e, no fim, folheie o progresso
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sabe aquela
sensação de que
sua vida
está imersa
no caos?
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essa coisa é
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parte rotineira
parece que
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calma lá,
eu entendo o que é isso.
é que
ás vezes
você
só
precisa
ir
mais
devagar.
sacou?
eu sei que não tá fácil,
eu sei que você tem muitos medos,
eu também tenho.
só me escuta:
pânico
não
resolve.
então
r e l a x a
e se cuida, tá?
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Por que você me condena
Se, no fundo, a alma é pequena
Em todo tolo que lê sua odisséia
Cujo orgulho é sua prosopopéia?
No fim das contas, eu e você
Somos raízes do ódio que não se vê,
Que nos faz lutar sem propósito real
Pois, tudo o que conta, é seu ser triunfal.
Tens o papel de levar-me à miséria,
Como se vangloriar-se fosse coisa séria.
Chega a ser fatal e, por mais que eu lutasse,
Lhe seria melhor que eu fraquejasse.
Entristece ver um herói que usa capa,
E, na verdade, só honra a própria tapa
De ser o bom moço, o exemplo, o maioral,
O temeroso, o momento, o astro fenomenal.
Tudo bem, eu farei o meu papel de vilão,
Já que você precisa de mim para sua missão
De ser uma completa e moldada farsa,
Que se sustenta de vilania e desgraça.
Azar é seu em me conhecer agora,
Pois aguarde que quem espera lá fora
É o mundo que pela frente te exalta
Mas por trás, não sente a menor falta.
Eu sou o monstro que você me fez,
Só que agora o selo de desfez.
A fera está livre e sedenta para atacar,
Embora todo vilão tenha uma história para contar.
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Manhã fria,
Tarde serena e nua.
Noite sombria,
Madrugada seca e sem lua.
Daquelas árvores podadas sem jeito,
Daqueles ventos que arrepiam a nuca,
Daquelas nuvens mal pintadas no parapeito,
Deixei-me levar pela rotina caduca.
Remexi a terra das minhas mudas
Na tentativa de mudar o meu lar,
Esperei sem as raízes pelas frutas,
Mas meu querer me fez calar.
Se o frio me faz calar,
Meu falar se faz calor.
Disseram-me que o calor ia voltar,
Mas ainda sinto a brisa e o tremor.
Parece que o sol esqueceu de acordar,
Que se pôs para nunca mais se dispor
Aos meus dias que devia iluminar,
Ou ao menos cansou-se do meu rancor.
Espero que o calor volte logo,
Pois a ameaça de uma tempestade assusta mais que qualquer chuva certeira.
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Quando você ri,
eu queria ser o palhaço das suas gargalhadas.
Quando você chora,
eu queria ser o lenço que enxuga as suas lágrimas.
Quando você se machuca,
eu queria ser a cura das suas feridas.
Quando você se desespera,
eu queria ser a calma e o conforto das suas jornadas.
Quando você duvida de si mesma,
eu queria ser prova viva
de tudo o que você pode ser.
Quando você se menospreza,
eu queria ser como você,
para que visse a pessoa que você é.
Quando você se tranca no quarto,
eu queria ser seu urso de pelúcia,
para ficar agarrado a você nas noites escuras.
Quando você sofre, porém,
eu queria não sofrer também,
para que, talvez, algum dia,
você, de fato, me fizesse bem.
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É como eu me sinto.
É como eu me acostumei a viver.
É como eu minto.
É como eu cavo minha cova.
É como eu oro minha hora.
É como eu fadigo, faminto
Por uma boa memória,
Por um momento marcante,
Por uma amizade simplória,
Por uma tênue felicidade,
Por mais que não seja verdade,
Por apenas ter uma história
Onde sou mais que passageiro,
Onde há mais que uma estação
Onde o trem passa à toda e ligeiro,
Onde eu seja duradouro,
Onde meu amor valha tesouro,
Onde eu sou mais que derradeiro.
Passou o dia, cessaram meus risos.
Passou a semana, chegou minha melancolia.
Passou o mês, surgiram meus versos.
Passou o semestre, nasceu minha hipocrisia.
Passou o ano, começou minha euforia.
Passou a vida, mas ficaram meus ritos
Só é como me deito.
Só é como me levanto.
Só é como nasci.
Só é como trarei pranto.
Só, e nada mais naquele canto.
Só estou sorrindo em vez de estar chorando.
Espere, eu posso me curar.
Eu sei que tenho mãos e pés para me levantar.
Eu sei que a luz ofusca, mas posso enxergar.
Eu sei que dói, machuca, perfura e degola.
Eu sei, porém, que a vida é minha escola.
E sei que nela eu posso me encontrar
E, pra isso, terei que viver e arriscar.
PS.: Que, especialmente a estrofe final, seja sempre meu lembrete de que minha vida está só começando. Por mais que a tempestade seja difícil de encarar, o arco-íris é certo de surgir no horizonte.
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Curativos não curam,
Apenas tapam nossas feridas.
De que adianta esconder
Aquilo que devemos curar?
Que tal falar sobre viver?
Qual a última vez que você viveu?
Quando foi que nós tornamos este ser
Vivo, mas que ao mesmo tempo morreu?
Tudo bem, não morreu de fato,
Mas também não se pode chamar de vida
Quem espera no canto como rato
E não desfruta de uma alegria merecida
Viver, nós realmente o fazemos?
Ou será que nós temos um outro dilema?
Por acaso nós vivemos
Ou só corremos atrás de problema?
Problemas existem no viver, é inevitável
Mas não damos a eles exagerada importância?
E, no fim, nosso viver é vulnerável
E carece da magia que só se tem na infância
Toda criança descobre e aprecia
A beleza no simples que o mundo acolhe
E quem ouve a uma enferma apatia
Não vive, só se recolhe
Infelizmente, o mundo ficou escuro
E o viver se torna banal
Mas se der uma chance, eu te juro
Seu viver nunca mais será igual.
Seu último sorriso, sua última dor,
Seu último abraço, sua última risada,
Seu último carinho, sua última flor,
Seu único viver, sua única caminhada.
Então caminhe, sinta os pés tocarem o chão
Inspire o ar fresco e veja com o coração
O que o viver tem para nos mostrar
A cada pôr do sol, a cada vir de luar.
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