Só
É como eu me sinto. É como eu me acostumei a viver. É como eu minto. É como eu cavo minha cova. É como eu oro minha hora. É como eu fadigo, faminto Por uma boa memória, Por um momento marcante, Por uma amizade simplória, Por uma tênue felicidade, Por mais que não seja verdade, Por apenas ter uma história Onde sou mais que passageiro, Onde há mais que uma estação Onde o trem passa à toda e ligeiro, Onde eu seja duradouro, Onde meu amor valha tesouro, Onde eu sou mais que derradeiro. Passou o dia, cessaram meus risos. Passou a semana, chegou minha melancolia. Passou o mês, surgiram meus versos. Passou o semestre, nasceu minha hipocrisia. Passou o ano, começou minha euforia. Passou a vida, mas ficaram meus ritos Só é como me deito. Só é como me levanto. Só é como nasci. Só é como trarei pranto. Só, e nada mais naquele canto. Só estou sorrindo em vez de estar chorando. Espere, eu posso me curar. Eu sei que tenho mãos e pés para me levantar. Eu sei que a luz ofusca, mas posso enxergar. Eu sei que dói, machuca, perfura e degola. Eu sei, porém, que a vida é minha escola. E sei que nela eu posso me encontrar E, pra isso, terei que viver e arriscar. PS.: Que, especialmente a estrofe final, seja sempre meu lembrete de que minha vida está só começando. Por mais que a tempestade seja difícil de encarar, o arco-íris é certo de surgir no horizonte.
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