Enzo Daniel @d_enzow
Poema

Sereno de Setembro

Manhã fria, Tarde serena e nua. Noite sombria, Madrugada seca e sem lua. Daquelas árvores podadas sem jeito, Daqueles ventos que arrepiam a nuca, Daquelas nuvens mal pintadas no parapeito, Deixei-me levar pela rotina caduca. Remexi a terra das minhas mudas Na tentativa de mudar o meu lar, Esperei sem as raízes pelas frutas, Mas meu querer me fez calar. Se o frio me faz calar, Meu falar se faz calor. Disseram-me que o calor ia voltar, Mas ainda sinto a brisa e o tremor. Parece que o sol esqueceu de acordar, Que se pôs para nunca mais se dispor Aos meus dias que devia iluminar, Ou ao menos cansou-se do meu rancor. Espero que o calor volte logo, Pois a ameaça de uma tempestade assusta mais que qualquer chuva certeira.

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