Ana @brazi
Humanidade

Fome amiga, bolso vazio pai (Rato)

Ultimamente, notei diversos machucados ao longo do meu corpo. As pessoas têm me ferido com seus sorrisos debochados e, em seguida, com seus rostos de desdém. Soltam risadas quando me olham, desviando os olhos das minhas dores, mas observam minha barriga vazia, meu sangue impuro e meus órgãos sujos. Têm me olhado de cima a baixo, envenenando-me para que eu esteja cada vez mais longe de suas vidas caras. Tenho andado embriagada, doando todo o meu dinheiro na intenção de que, sem ele, eu ficaria limpa. Agora me encontro desapegada, abraçada à fome amiga e ao bolso vazio pai. Tenho visto todos os meus sonhos desistirem de mim, como se eu já não tivesse esperança, igual aos senhores que chegaram à idade de desistir. Tenho me encontrado na podridão, metamorfoseando-me em rato, como se essa fosse minha verdadeira face. E fico envergonhada de tudo, escondendo os olhos, inclusive disso; por isso, confesso às escondidas.

Comentários · 1

  1. Ella

    Quase uma oração. Muito bom colega poetisa. 🌷