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Dani

@aurora_120 · desde 2020

Expressão em versos soltos

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Despedida

Despedida Monto e remonto sozinha Como farei nossa despedida Que palavras te diria Qual música cantaria Se a noite estará fria Se te entrego somente carta Ou te darei enfim minha poesia Eu já caí, desde aquele dia Quando tornaste terror em calmaria Quando em apenas te lembrar percebi que sem querer sorria Tampei com a mão, não se podia Quando o verso fluiu, imerso O coração desmaiou, disperso Num sono de alegria Que covardia... Maldito coração encantado Divide-se, arrebentado Pelo custo da própria ousadia Ousei atender Ousei ouvir Ousei ler Ousei mentir Ousei amar Ousei chorar Ousei versar Ousei sorrir E me descobri Duas vezes Incapaz De partir 🌧❄️

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Rastros

Você foi E deixou restos por toda parte Deixou perfume sobre o vento nas praças Encurtou a escadaria de minha faculdade Estreitou os mosaicos das calçadas esbranquiçadas, tão geladas Silenciou o barulho das pessoas, por toda essa cidade Esvaziou a cafeteria, esvaziou minha rotina Levou consigo o céu azul daquela tarde Deixou-me em listas de melodias que agora tocam em minhas poesias Arrastou o compasso do tempo Restou-me apenas os pensamentos Sobre sua ausência, nos mais diversos momentos Dos que se foram, e em mais milhares que poderia Esqueceu saudade despedaçada no apartamento Embrulhou meu estômago, num dia qualquer de outono Quando lembrei do jeito bobo que mentia Porque era para mim que dizia Porque era somente para mim Deixou restos de você por toda parte Agregou camadas aos cenários Depois levou-as tão rápido Hipnotizou meus olhos numa lente Que distorceu a vista em imaginário Ao onírico, ao puro mágico E agora, por mais que falte Um pouco do seu abraço Se respiro fundo, ainda acalmo As lindas memórias daquele aniversário Me diga, até quando ficará por aqui? 🌬☕️

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Drama

Mesmo que apenas hoje

Seja-me, apenas por hoje A calma, como no natural Mesmo que apenas hoje Seja-me como a fria brisa da madrugada Encubrame de um vento que me desfaça Me arrepie num silêncio sufocante Limpe dos céus as nuvens A esconder o cintilar das estrelas Mesmo que apenas hoje Seja-me como o amanhecer fresco de verão E acorde-me de um pesadelo inquietante Ilumine em tons laranjas toda a confusão Que nos rodeia os sonhos noturnos Me persiga, como sol, me acompanhe Aquecendo o que foi escuridão Mesmo que apenas hoje Seja-me como música tocada Diga a mim por melodias Que lembrarei-as todos os dias Encante-me com seu raciocínio armônico Mas me entorpeça com um ritmo acelerado Cante meu drama arrastado Suba e retome os tempos de meu batimento Mesmo que apenas hoje Seja-me como o mar brando e calmo Leve em ondas cristalinas o barulho alto Que me afoga em solidão Só por um momento, seja imensidão Boie-me no azul de seus traços Deixando minhas dúvidas sobre o areal E nossas dores serão somente grão Porque é o primeiro, de tantos dias De tantas vezes, tanta anedonia Que encontrei alguém Que fez a confusão Virar partilha Virar amor, virar alegria Em sua risada leve e sadia Como natureza, como vida Como o morrer e renascer Rodopiando em fantasia Seja o amanhecer Seja a madrugada Seja as ondas do oceano Seja o som de meus ouvidos Seja o dia inteiro Apenas por hoje Antes que se afaste Antes que se estrague! O que, em mim, traz repúdio Você, por um dia, amaste Nulificando meus olhos ao vazio 🕰⏳️

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O vazio de meus olhos

Chega, vai Chegam, vão Enchem, esvaziam Transbordam, secam Vem, voltam Veem, não eu Veem outra coisa Por trás de mim Enxergam através Da transparência Dentro de meus olhos Se vislumbram Vem, amam Mas nunca te viram Mas nunca te amaram Mas nunca ficaram Quando arder a dor Ninguém virá Ninguém verá Se vir, não será por mim Não será por mim! Por mim, apenas veem O que nunca fui eu Porque faço questão de ser O vazio que encanta Por não aparecer Por dar amor, mas não deixar ver Por não ser É isso que mereço Ver o amor me atravessando Por dentro de meus olhos vazios Tendo, e não amando Sentindo, mas não segurando Ver vir, ver ir Sem que me vejam Sem que vejam Amor 🪞🧿

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Parede

Pare de dizer que ela não é nada Pare de dizer que se arrepende de ir Pare de dizer que ela não traz felicidade Pare de dizer que prefere a mim Pare de dizer que comigo é de verdade Pare de dizer o porquê não pode vir Pare de dizer que ela é só mais uma Pare de dizer o que mais machuca Pare de dizer que ela te suja Pare de dizer o que me assusta Pare de dizer que eu sou pura Pare de dizer de mim para ela Pare de dizer que quer um abraço Pare de dizer que é só um caso Pare de dizer que ela viu seu braço Pare de dizer dela... Pare de ver ela, Pare de ver outras, Pare de ver todas, Pare de me ver Quarto P arede Pa rede Par ede Pare de Me deixar sozinha, É tudo que eu preciso

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Enfraquecer

Forte, depois fraca Porque sou apenas mortal Montada de carne Que estremece e arde Me acorde, me desmaie Num sono que me A c a l m e Mesmo que seja tudo em varde Porque acredito em uma fraude Porque eu sou instinto carnal Lapidando a própria laude Porque me tentarão todos os deuses E me amargarão diversas vezes O gosto da doce verdade Porque eu quero escolher Que o amor mora na escolha Não na saciedade Mas não tem nada que mais doa Que o contorcer da própria ambiguidade A beleza que viu em mim Me mostre, depois mate Por mais que se espalhe Num gotejar de saudade 🩸⌛️

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Estética

Encontrou o homem, na produção Parte da solução Parte de seu coração, Encontrou confiança. E agora cada criação Remonta-nos como criança Ilumina-nos de esperança Antes por roupas metálicas Que engomaram ao luxo e graça Até o esmaltamento da face O corte e recorte em massa Mas ultrapassaram a carcaça Agora nossa última tecnologia Reestrutura de dentro pra fora Injeta confiança em nós mesmos Enquanto o tempo passa Belo é o caminho da máquina! Esconda-nos do outro Até que morra a ameaça Até que o corpo desmonte sua farsa Até retirarmos a confiança do produto E depositarmos na própria raça

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O melhor eu que posso

O melhor que eu posso É o mais alto que alcanço Delirando o topo o poço Admitindo o descanso Evitando o desazo Vomitando o excesso Decifrando o acaso Expandindo inchaço Absorvendo o passado Mergulhando no raso Tentando acompanhar Meu próprio passo Correndo descalço É o unico jeito De engolir o atraso A ânsia pelo lapso É o que move o que faço Encarando o buraco Que demarca meu prazo E o descaso Só prova o quão fraco Canta meu pássaro No medo, colapso Vislumbro, jazo E é longe do abstrato Que quase o mato Mas entrando em contato Me consome o abraso Sentindo incinerar cada um dos meus traços É o melhor que posso Envolver o desejo, a vitória e o fracasso Num abraço O avanço é o entrelaço Que sobe, sempre O pulso do compasso É essa espiral Que me eleva ao fado ~•~ "Dani" "Isso não te torna alguém melhor" ~•~ Isso torna-me ao eu O único que posso ser ⏳️🕊

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Saúde e doença

Foi no detalhe do cotidiano Que encontrei minha saúde Perdida, amíude E a doença se fez como cinzas Foi recuperando a atividade No ofício de minha identidade Foi enfrentando novamente a claridade Esperando na minha esquina O sintoma tem uma magia Acorbertada na obscuridade: Emanar uma saudade Da velocidade do dia a dia. Que podia ser um pouco mais vivida, Que não devia, de mim, ser tomada E agora, me encontro avoada O feitiço de estar curada Torna-me imensamente grata De voltar a minha rotina Viva! 🫧💊

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Nunca me Soubeste

Eu te pareço louca? Eu te pareço pura? Eu te pareço moça? Ou é mesmo verdade Que nunca me soubeste? Eu te pareço junta? Eu te pareço una? Eu te pareço boa? Ou a verdade pode ser Que eu mesma nunca me soube? Eu te pareço uma? Eu te pareço várias? Eu te pareço partes? Soubeste em mim Outrora Algum tipo de Singularidade? Pois minha identidade Clama que tu me saibas Eu te pareço santa? Eu te pareço dicótoma? Eu te pareço quantas? Ou é mesmo verdade Que nunca me soubeste? 🍂〰️ Referência ao poema VI de "Júbilo, memória, nocivado da paixão" de Hilda Hilst.

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