Despedida
Monto e remonto sozinha
Como farei nossa despedida
Que palavras te diria
Qual música cantaria
Se a noite estará fria
Se te entrego somente carta
Ou te darei enfim minha poesia
Eu já caí, desde aquele dia
Quando tornaste terror em calmaria
Quando em apenas te lembrar
percebi que sem querer sorria
Tampei com a mão, não se podia
Quando o verso fluiu, imerso
O coração desmaiou, disperso
Num sono de alegria
Que covardia...
Maldito coração encantado
Divide-se, arrebentado
Pelo custo da própria ousadia
Ousei atender
Ousei ouvir
Ousei ler
Ousei mentir
Ousei amar
Ousei chorar
Ousei versar
Ousei sorrir
E me descobri
Duas vezes
Incapaz
De partir
🌧❄️
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Você foi
E deixou restos por toda parte
Deixou perfume sobre o vento nas praças
Encurtou a escadaria de minha faculdade
Estreitou os mosaicos das calçadas esbranquiçadas, tão geladas
Silenciou o barulho das pessoas, por toda essa cidade
Esvaziou a cafeteria, esvaziou minha rotina
Levou consigo o céu azul daquela tarde
Deixou-me em listas de melodias
que agora tocam em minhas poesias
Arrastou o compasso do tempo
Restou-me apenas os pensamentos
Sobre sua ausência, nos mais diversos momentos
Dos que se foram, e em mais milhares que poderia
Esqueceu saudade despedaçada no apartamento
Embrulhou meu estômago, num dia qualquer de outono
Quando lembrei do jeito bobo que mentia
Porque era para mim que dizia
Porque era somente para mim
Deixou restos de você por toda parte
Agregou camadas aos cenários
Depois levou-as tão rápido
Hipnotizou meus olhos numa lente
Que distorceu a vista em imaginário
Ao onírico, ao puro mágico
E agora, por mais que falte
Um pouco do seu abraço
Se respiro fundo, ainda acalmo
As lindas memórias daquele aniversário
Me diga, até quando ficará por aqui?
🌬☕️
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Seja-me, apenas por hoje
A calma, como no natural
Mesmo que apenas hoje
Seja-me como a fria brisa da madrugada
Encubrame de um vento que me desfaça
Me arrepie num silêncio sufocante
Limpe dos céus as nuvens
A esconder o cintilar das estrelas
Mesmo que apenas hoje
Seja-me como o amanhecer fresco de verão
E acorde-me de um pesadelo inquietante
Ilumine em tons laranjas toda a confusão
Que nos rodeia os sonhos noturnos
Me persiga, como sol, me acompanhe
Aquecendo o que foi escuridão
Mesmo que apenas hoje
Seja-me como música tocada
Diga a mim por melodias
Que lembrarei-as todos os dias
Encante-me com seu raciocínio armônico
Mas me entorpeça com um ritmo acelerado
Cante meu drama arrastado
Suba e retome os tempos de meu batimento
Mesmo que apenas hoje
Seja-me como o mar brando e calmo
Leve em ondas cristalinas o barulho alto
Que me afoga em solidão
Só por um momento, seja imensidão
Boie-me no azul de seus traços
Deixando minhas dúvidas sobre o areal
E nossas dores serão somente grão
Porque é o primeiro, de tantos dias
De tantas vezes, tanta anedonia
Que encontrei alguém
Que fez a confusão
Virar partilha
Virar amor, virar alegria
Em sua risada leve e sadia
Como natureza, como vida
Como o morrer e renascer
Rodopiando em fantasia
Seja o amanhecer
Seja a madrugada
Seja as ondas do oceano
Seja o som de meus ouvidos
Seja o dia inteiro
Apenas por hoje
Antes que se afaste
Antes que se estrague!
O que, em mim, traz repúdio
Você, por um dia, amaste
Nulificando meus olhos ao vazio
🕰⏳️
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Chega, vai
Chegam, vão
Enchem, esvaziam
Transbordam, secam
Vem, voltam
Veem, não eu
Veem outra coisa
Por trás de mim
Enxergam através
Da transparência
Dentro de meus olhos
Se vislumbram
Vem, amam
Mas nunca te viram
Mas nunca te amaram
Mas nunca ficaram
Quando arder a dor
Ninguém virá
Ninguém verá
Se vir, não será por mim
Não será por mim!
Por mim, apenas veem
O que nunca fui eu
Porque faço questão de ser
O vazio que encanta
Por não aparecer
Por dar amor,
mas não deixar ver
Por não ser
É isso que mereço
Ver o amor me atravessando
Por dentro de meus olhos vazios
Tendo, e não amando
Sentindo, mas não segurando
Ver vir, ver ir
Sem que me vejam
Sem que vejam
Amor
🪞🧿
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Pare de dizer que ela não é nada
Pare de dizer que se arrepende de ir
Pare de dizer que ela não traz felicidade
Pare de dizer que prefere a mim
Pare de dizer que comigo é de verdade
Pare de dizer o porquê não pode vir
Pare de dizer que ela é só mais uma
Pare de dizer o que mais machuca
Pare de dizer que ela te suja
Pare de dizer o que me assusta
Pare de dizer que eu sou pura
Pare de dizer de mim para ela
Pare de dizer que quer um abraço
Pare de dizer que é só um caso
Pare de dizer que ela viu seu braço
Pare de dizer dela...
Pare de ver ela,
Pare de ver outras,
Pare de ver todas,
Pare de me ver
Quarto
P arede
Pa rede
Par ede
Pare de
Me deixar sozinha,
É tudo que eu preciso
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Forte, depois fraca
Porque sou apenas mortal
Montada de carne
Que estremece e arde
Me acorde, me desmaie
Num sono que me
A c a l m e
Mesmo que seja tudo em varde
Porque acredito em uma fraude
Porque eu sou instinto carnal
Lapidando a própria laude
Porque me tentarão todos os deuses
E me amargarão diversas vezes
O gosto da doce verdade
Porque eu quero escolher
Que o amor mora na escolha
Não na saciedade
Mas não tem nada que mais doa
Que o contorcer da própria ambiguidade
A beleza que viu em mim
Me mostre, depois mate
Por mais que se espalhe
Num gotejar de saudade
🩸⌛️
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Encontrou o homem, na produção
Parte da solução
Parte de seu coração,
Encontrou confiança.
E agora cada criação
Remonta-nos como criança
Ilumina-nos de esperança
Antes por roupas metálicas
Que engomaram ao luxo e graça
Até o esmaltamento da face
O corte e recorte em massa
Mas ultrapassaram a carcaça
Agora nossa última tecnologia
Reestrutura de dentro pra fora
Injeta confiança em nós mesmos
Enquanto o tempo passa
Belo é o caminho da máquina!
Esconda-nos do outro
Até que morra a ameaça
Até que o corpo desmonte sua farsa
Até retirarmos a confiança do produto
E depositarmos na própria raça
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O melhor que eu posso
É o mais alto que alcanço
Delirando o topo o poço
Admitindo o descanso
Evitando o desazo
Vomitando o excesso
Decifrando o acaso
Expandindo inchaço
Absorvendo o passado
Mergulhando no raso
Tentando acompanhar
Meu próprio passo
Correndo descalço
É o unico jeito
De engolir o atraso
A ânsia pelo lapso
É o que move o que faço
Encarando o buraco
Que demarca meu prazo
E o descaso
Só prova o quão fraco
Canta meu pássaro
No medo, colapso
Vislumbro, jazo
E é longe do abstrato
Que quase o mato
Mas entrando em contato
Me consome o abraso
Sentindo incinerar
cada um dos meus traços
É o melhor que posso
Envolver o desejo,
a vitória e o fracasso
Num abraço
O avanço é o entrelaço
Que sobe, sempre
O pulso do compasso
É essa espiral
Que me eleva ao fado
~•~
"Dani"
"Isso não te torna alguém melhor"
~•~
Isso torna-me ao eu
O único que posso ser
⏳️🕊
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Foi no detalhe do cotidiano
Que encontrei minha saúde
Perdida, amíude
E a doença se fez como cinzas
Foi recuperando a atividade
No ofício de minha identidade
Foi enfrentando novamente a claridade
Esperando na minha esquina
O sintoma tem uma magia
Acorbertada na obscuridade:
Emanar uma saudade
Da velocidade do dia a dia.
Que podia ser um pouco mais vivida,
Que não devia, de mim, ser tomada
E agora, me encontro avoada
O feitiço de estar curada
Torna-me imensamente grata
De voltar a minha rotina
Viva!
🫧💊
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Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?
Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?
Eu te pareço junta?
Eu te pareço una?
Eu te pareço boa?
Ou a verdade pode ser
Que eu mesma nunca me soube?
Eu te pareço uma?
Eu te pareço várias?
Eu te pareço partes?
Soubeste em mim
Outrora
Algum tipo de
Singularidade?
Pois minha identidade
Clama que tu me saibas
Eu te pareço santa?
Eu te pareço dicótoma?
Eu te pareço quantas?
Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?
🍂〰️
Referência ao poema VI de
"Júbilo, memória, nocivado da paixão"
de Hilda Hilst.
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