Tem um cansaço que a pele não cura,
uma fratura
exposta no centro do peito.
O coração é uma máquina escura
que chora, que sangra, que jura
que não tem mais jeito.
Ele bate contra a grade,
feito bicho preso na cidade,
reclamando o ar que me falta.
Metade é pressa,
metade é saudade,
uma dor que nunca ressalta,
mas corrói na mudez.
É um desabafo que escorre,
que tenta sair e morre
antes de virar palavra.
É esse músculo cego que corre
pro abismo que ele mesmo cava.
Sou eu,
engolindo o próprio grito.
Nesse compasso maldito
de quem morre e renasce
no soco seco do peito.
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O vício sentava à mesa
como mais um da família.
Bebia no copo dele,
falava pela boca dele,
mandava nos passos dele.
E um dia, a morte veio buscá-lo
como quem cobra uma dívida antiga.
E eu pensei...
Maldito!
Maldito seja o vício.
Porque ele roubou um homem
antes mesmo da morte chegar.
Um ano sem você, vovô
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Há uma tristeza em mim
que não é tempestade.
É maré.
Ela vai e volta
mesmo quando não há lua.
A solidão não me cerca.
Ela me atravessa.
Passa por mim
como vento frio
que ninguém mais sente.
Eu vejo o mundo
com uma nitidez que dói.
Percebo os detalhes,
as ausências,
os silêncios que ninguém comenta.
Sentir demais
é uma forma de exílio.
Há dias em que me torno
a espectadora da minha própria vida.
Falo, ando, sorrio,
mas algo em mim observa de longe
como se já estivesse partindo.
O mais difícil não é estar só.
É ser inteira
num mundo que prefere metades.
Às vezes penso na morte
como quem pensa em descanso.
Não por querer partir,
mas por estar cansada
de sustentar um coração
que sente tudo em excesso.
Sentir demais cansa.
Pensar demais cansa.
Ser consciente demais cansa.
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Eram para ser meus escudos,
me proteger da guerra.
Mas viraram dragões ferozes,
cuspiram fogo ardente
e me lançaram para longe.
Que se fodam esses dragões malditos.
Insisti em caminhos
que machucavam os pés.
Disse que era fase,
que ia passar.
Mas dor não é casa.
Hoje ,tiro o que aperta
e aprendo a andar sem sangrar.
Sento-me no silêncio e tudo dói.
O peito aperta como se carregasse o peso do mundo,
e cada lembrança é lâmina invisível
que rasga devagar minha pele interna.
A noite invade meus pensamentos,
longa, pesada, sem compaixão.
O tempo passa, mas não alivia,
só arrasta mais sombras sobre minha alma.
Será que alguém percebe a escuridão dentro de mim?
Ou tudo permanece invisível, intacto,
como se minha dor fosse algo perdido
num universo que não se importa?
Fico inteira, vulnerável, silenciosa,
aprendendo que a tristeza não se explica,
não se cura, apenas se habita
um mar profundo onde me afogo e sobrevivo.
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Caiu sem som,
mas fez barulho por dentro.
Partiu-se em silêncio,
num amor que não teve tempo.
Quando a terra me engolir sem pressa,
que não venham com flores frescas
traz-me os cravos mortos,
aqueles que esqueceram no porão da igreja.
Enterrem comigo os suspiros calados,
os gritos que mastiguei com medo,
e aquele sonho podre que se fingia viva
entre as rachaduras da minha alma úmida.
No cemitério, os túmulos cochicham.
Não é o vento, são vozes partidas.
E os espíritos, órfãos da carne,
me convidam a dançar entre as ruínas.
Corpo que ainda lembra do peso de um nome,
mas os vermes não lêem epígrafes.
A morte não tem pressa, ela vem descalça,
com pés de lama e olhos de infância afogada.
Ela me toca como quem afaga
um velho amigo que voltou cedo.
E eu a recebo sem oração, sem vela,
sem redenção.
Viver já era um ensaio
mal ensaiado da partida.
E agora, na cova, o silêncio me veste
com o luto que o mundo não quis ver.
Eles dançam em círculos inaudíveis, altivos fantasmas de outrora, com dedos etéreos acariciando a carniça dos sonhos que morrem antes de nascer.
Sob o solo já movediço, a morte acaricia raízes famintas de histórias não contadas. E o espírito, leve como um suspiro, percorre os corredores do nada, plangente e sereno.
No silêncio sepulcral, ouço seus cânticos: um coro dolorido de ausências vivas. E, ao fecharem-se os olhos da noite, sou eu quem se torna sombra entre sombras.
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Te entrego essa rosa pra você que nunca,
Sentiu o perfume da verdade em flor.
Que escondeu os sentimentos,alma trancada,
Em um jardim de espinhos, onde brilha a dor.
Te entrego essa rosa pra você que nunca,
Sentiu o calor de um amor desmedido,
Que a vida tece sonhos com linhas brancas,
Mas o medo silencia o que é mais querido.
Te entrego essa rosa pra você que nunca,
Teve um sorriso que iluminasse o caminho,
Que os dias cinzentos te deixaram a bruma,
E o amor se escondeu em um canto sozinho.
Te entrego essa rosa, com todo o meu carinho,
Um símbolo de afeto, um toque de verdade.
Que você sinta , mesmo em meio ao espinho,
Que amar é viver em plena intensidade.
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No mundo apressado, rostos sem brilho,
Busco verdades em meio ao vazio.
Sorrisos forçados, palavras vazias,
A sinceridade parece em extinção, agonias.
Olho ao redor e sinto o medo,
De que o real se esconda no enredo.
Corações que pulsam, mas não se revelam,
E a honestidade, como um sonho, se desvela.
Por que é tão raro um olhar verdadeiro?
Um gesto sincero, um abraço inteiro?
Desabafo em versos, na esperança de um dia
Que a sinceridade floresça em cada poesia.
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