Então eu faria da poesia
meu refúgio, minha moradia,
ergueria paredes de versos,
contra os mundos perversos,
onde ninguém pudesse entrar
sem primeiro aprender a tocar
o que em mim não sei mostrar,
o que em mim só sabe sangrar.
Lá dentro,
eu faria do silêncio meu centro;
as coisas seriam bonitas,
mesmo as dores malditas.
A dor teria moldura,
a tristeza, sua pintura;
cada lágrima caída
viraria palavra ferida.
Eu pintaria flores
com as cores das dores,
céus com o azul das ausências,
mares com minhas carências;
e daria nomes bonitos
aos meus abismos infinitos.
Talvez fosse mais fácil
viver num poema frágil
do que viver dentro de mim,
onde toda estrada parece ter fim.
Talvez, sozinho,
eu encontrasse meu caminho;
talvez chamasse de liberdade
o que sempre foi necessidade.
Talvez eu tenha confundido
solidão com algo querido,
silêncio com cura,
distância com liberdade pura.
Talvez eu não queira
que o mundo deixe de me ver na beira;
talvez eu só queira ser visto
sem transformar minha dor em registro.
Sem precisar sangrar
para provar que sei estar,
sem precisar cair
para alguém notar que ainda estou aqui.
Porque há uma beleza brutal
no sangue sobre o branco glacial:
muitas gotas caindo na neve,
e a ferida florescendo breve.
De longe, parece pintura;
de perto, revela a ruptura.
Parece beleza derramada,
mas é uma vida machucada.
E se um dia eu me esconder,
que não seja para desaparecer;
que seja só para recolher
os pedaços que deixei se perder.
E voltar à superfície, enfim,
com aquilo que restou de mim:
um poema na mão,
uma cicatriz no coração,
e, apesar de toda ruína,
a coragem pequena e divina
de ainda assinar meu nome
Em toda minha poesia.
Gustavo Fabregas~
2026
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Ué, agora da até pra conversar por aqui ?
Eu me tornei próximo o bastante
pra ninguém notar o quão distante fiquei.
A distância nunca chega de repente...
ela vem em silêncio, lentamente,
até que um dia só resta o vazio que deixei.
Já fui a criança que ria sem medida,
que fazia do mundo uma casa colorida.
Hoje carrego um sorriso bem ensaiado,
costurado no rosto, remendado,
pra esconder uma alma quase apodrecida.
Dizem que me entendem. Eu apenas sorrio.
Ninguém atravessa um oceano vendo o brilho do rio.
Conhecem o eco, jamais o desabamento,
o sangue secando por dentro do pensamento,
o inverno que fez do meu peito o próprio frio.
Passei a vida inteira tentando ser escolhido.
Nos estudos. No esporte. No trabalho exaurido.
Sempre esperando que alguém olhasse pra mim...
Mas a vida escolhia outro antes do fim.
E eu seguia aprendendo a não ser sequer percebido.
Então aprendi a morar onde ninguém alcança.
Enterrei, em silêncio, o cadáver da esperança.
E desde esse dia existe alguém dentro de mim,
com o meu rosto... sorrindo para o fim,
escondendo atrás dos olhos uma noite sem mudança.
Ele nunca grita. Nunca perde a calma.
Só recolhe os pedaços espalhados da minha alma.
Sorri como um santo pintado numa igreja vazia,
enquanto esconde atrás do peito uma noite sem dia.
Depois se inclina... e, sem mover a expressão,
deixa cair no silêncio a única confissão:
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dois nomes perdidos no mesmo lugar.
Duas vidas seguindo caminhos compridos,
sem nunca parar pra se olhar.
Até que a madrugada, danada, cansada,
decidiu conspirar.
Fez do ônibus um palco, da estrada um retrato,
e do acaso um jeito de rimar.
Diz...
Era destino vestido de coincidência?
Ou coincidência fantasiada de destino?
Porque entre milhões de rostos no mundo,
encontrei justamente o teu no caminho.
Menina...
Beleza improvável, quase irreal.
Dessas que parecem fugir da tela
de alguma velha série sobrenatural.
E eu pensando: como pode um brilho desses
morar numa cidade tão pequena,
quase esquecida pelo mapa,
mas lembrada pelas estrelas?
A gente dividiu quilômetros,
dividiu a fumaça da estrada,
dividiu o silêncio da madrugada.
Sem saber que, horas depois,
dividiria também palavras.
E desde então me persegue uma pergunta,
dessas que a lógica não responde:
Se a vida conseguiu nos colocar
no mesmo ônibus,
na mesma noite,
na mesma rota... qual é a chance de ela querer escrever o próximo encontro de novo?
Gustavo Fabregas
2026~~
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Passei horas escolhendo um anel
como quem escolhe um destino.
A prata brilhava na vitrine
e eu sorria sozinho imaginando tua mão na minha
como se amor fosse algo simples.
Perguntei tua numeração em segredo
feito uma criança escondendo flores atrás das costas
tentando proteger a surpresa
de um futuro que só existia dentro de mim.
O pior é que antes disso
eu pedi a bênção da tua mãe.
E você nunca soube.
Nunca soube da ansiedade absurda
de alguém ensaiando um pedido de namoro
como quem se prepara pra tocar o céu
com mãos humanas demais.
Mas teve um aperto no peito.
Um silêncio estranho dentro de mim
como se minha alma cansada sussurrasse:
“espera até amanhã.”
Então eu esperei.
E amanhã chegou.
Sem anel.
Sem rosas.
Sem você.
Só eu voltando sozinho pra casa
com teu perfume preso no meu casaco
como se até tua ausência
tivesse encontrado um jeito de me tocar.
Engraçado.
Ontem eu procurava um anel
que brilhava como diamante.
Hoje, o único brilho que ficou
foi o dos cacos dentro de mim.
E talvez a parte mais cruel
não seja ter te perdido.
É perceber
que enquanto eu sonhava em te amar pra vida inteira
aos poucos
eu já estava te amando sozinho.
Feliz dia dos namorados
"Meu amor "
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Eu achei que finalmente estava pronto pro amor.
Pronto pra baixar a guarda,
parar de sobreviver
e simplesmente viver alguém.
Mas eu odeio essa versão inquieta que nasce quando começo a sentir.
Esse homem ansioso,
patético às vezes,
que espera mensagens como quem espera salvação,
que transforma silêncio em tragédia
e carinho em ração emocional.
Eu odeio ser emocionado assim.
Sentir tudo como um condenado,
como se cada toque carregasse eternidade,
como se cada ausência pudesse abrir um abismo inteiro dentro do peito.
E no meio disso tudo,
eu só queria uma coisa simples:
amar
e ser amado sem medo.
Sem paranoia.
Sem precisar interpretar cada detalhe.
Sem transformar afeto em campo de guerra.
Mas às vezes eu me pergunto,
nas madrugadas movidas a café,
cafeína
e pensamentos acelerados:
eu realmente exijo demais do amor...
ou só estou desesperado
pra finalmente não me sentir abandonado?
Eu odeio ser emocionado...
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Tem uma coisa estranha no peito humano,
um palco vazio, disfarce profano,
sorrisos de vidro, por fora inteiro,
por dentro um universo sem paradeiro.
A gente aprende cedo a virar armadura,
engolir tempestade, fingir doçura,
dizer “tô bem” sem estar de verdade,
como se isso apagasse a realidade.
Mas nada se cala quando é escondido,
vira pensamento mal resolvido,
vira silêncio gritando no escuro,
batendo nas paredes do próprio futuro.
E quem sente demais não é defeito,
é quem enxerga o mundo sem filtro, sem jeito,
é quem percebe o que ninguém comenta,
o que a rotina finge que não afeta.
No fim, todo mundo disfarça a ferida,
costura no peito uma falsa vida,
mas até o sorriso mais bem ensaiado
carrega um cansaço mal disfarçado.
E no fim… ninguém escapa inteiro.
Pois o inteiro não é nada mais do
Que vários pedaços
Gustavo Fabregas
~06/2026
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Hoje o tempo perdeu a forma.
As horas deixaram de correr
e passaram apenas a existir,
como se o universo inteiro tivesse diminuído o ritmo
só para assistir nossos corpos aprenderem
a linguagem silenciosa do encontro.
Eu lembro da luz atravessando teu quarto,
do teu rosto ainda preso entre o sono e a manhã,
dos teus olhos se abrindo devagar
como quem retorna ao mundo
sem imaginar que já era o próprio milagre dele.
Havia calma no jeito que você respirava.
Havia incêndio no jeito que me olhava.
E por um instante,
eu tive a estranha sensação
de estar vivendo alguma memória do futuro.
Nós nos beijamos
como quem tenta atrasar o relógio,
como quem descobre tarde demais
que existem pessoas capazes de transformar minutos
em algo perigosamente próximo da eternidade.
Teu corpo junto ao meu
não parecia desejo vazio.
Parecia destino ganhando temperatura.
Talvez seja cedo demais
para sentir tudo isso.
Mas algumas conexões não chegam devagar.
Elas invadem o peito
e acendem todas as luzes ao mesmo tempo.
Você fez isso comigo.
Sem esforço.
Sem aviso.
Sem pedir licença.
E desde hoje,
existe uma parte de mim
que olha para o futuro
e inevitavelmente te encontra nele.
Nos vejo dividindo madrugadas,
orações baixas antes de dormir,
risadas no meio da cozinha,
beijos demorados em dias difíceis,
e mãos entrelaçadas
mesmo quando o mundo estiver pesado demais.
Porque amar alguém,
eu descobri hoje,
talvez seja isso:
Encontrar uma pessoa
que faz o caos dentro da gente
finalmente parecer lar.
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Chamaram-me orgulhoso certa vez,
como quem julga um pecado mortal;
e eu carreguei o peso que me fez
sentir-me sempre um homem desigual.
Por anos fui um barco à deriva,
perdido entre a tormenta e o vendaval;
minha alma era uma chama cativa
presa nas grades frias de um metal.
Se eu erguia a cabeça, era vaidade;
se me calava, pura timidez.
Nunca encontrei a minha identidade,
pois duvidei de mim mais de uma vez.
Vivi tentando ser menor que o mundo,
feito um rio negando o próprio mar;
e quanto mais descia ao poço fundo,
menos havia em mim para encontrar.
Mas o tempo, escultor das cicatrizes,
lapida a pedra bruta sem piedade;
e fez nascer das velhas infelizes
quedas, um senso novo de verdade.
Então ouvi de novo a mesma ofensa,
a velha palavra lançada ao vento;
porém ela perdeu sua presença,
já não feriu meu peito por dentro.
Porque entendi, após tanta jornada,
que orgulho nem sempre é escuridão;
às vezes é a muralha levantada
para proteger o próprio coração.
Hoje aceito o que sou, sem fingimento,
sem me esconder daquilo que vivi;
pois meu maior e mais sincero intento
sempre foi ter orgulho de existir.
Com orgulho:
Gustavo Fabregas
2026
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Você carrega o verão escondido no sorriso,
o ouro do sol nos fios, o fogo no olhar.
E eu, que já atravessei tempestades e abismos,
nunca encontrei uma chama tão bonita para admirar.
Há algo em você que desafia minha calma.
Talvez seja a curva do teu sorriso,ou até mesmo a do seu corpo,
talvez a forma como teus olhos encontram os meus
e permanecem ali por tempo demais.
Como se cada olhar fosse um convite silencioso,
e cada silêncio uma ponte entre nós.
E eu não quero apagar o incêndio que você guarda.
Quero sentir o calor das tuas brasas, da sua alma e do seu corpo.
Quero ser a madrugada que dança com tua chama,
o vento que faz teu fogo brilhar ainda mais.
Porque algumas pessoas despertam paz,
outras despertam encanto.
Mas você...
você desperta desejo,
e ainda assim consegue parecer poesia.
Em tudo que eu clamo
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