"Abstinência de amor "
Eu achei que finalmente estava pronto pro amor. Pronto pra baixar a guarda, parar de sobreviver e simplesmente viver alguém. Mas eu odeio essa versão inquieta que nasce quando começo a sentir. Esse homem ansioso, patético às vezes, que espera mensagens como quem espera salvação, que transforma silêncio em tragédia e carinho em ração emocional. Eu odeio ser emocionado assim. Sentir tudo como um condenado, como se cada toque carregasse eternidade, como se cada ausência pudesse abrir um abismo inteiro dentro do peito. E no meio disso tudo, eu só queria uma coisa simples: amar e ser amado sem medo. Sem paranoia. Sem precisar interpretar cada detalhe. Sem transformar afeto em campo de guerra. Mas às vezes eu me pergunto, nas madrugadas movidas a café, cafeína e pensamentos acelerados: eu realmente exijo demais do amor... ou só estou desesperado pra finalmente não me sentir abandonado? Eu odeio ser emocionado...
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