Orgulho
Chamaram-me orgulhoso certa vez, como quem julga um pecado mortal; e eu carreguei o peso que me fez sentir-me sempre um homem desigual. Por anos fui um barco à deriva, perdido entre a tormenta e o vendaval; minha alma era uma chama cativa presa nas grades frias de um metal. Se eu erguia a cabeça, era vaidade; se me calava, pura timidez. Nunca encontrei a minha identidade, pois duvidei de mim mais de uma vez. Vivi tentando ser menor que o mundo, feito um rio negando o próprio mar; e quanto mais descia ao poço fundo, menos havia em mim para encontrar. Mas o tempo, escultor das cicatrizes, lapida a pedra bruta sem piedade; e fez nascer das velhas infelizes quedas, um senso novo de verdade. Então ouvi de novo a mesma ofensa, a velha palavra lançada ao vento; porém ela perdeu sua presença, já não feriu meu peito por dentro. Porque entendi, após tanta jornada, que orgulho nem sempre é escuridão; às vezes é a muralha levantada para proteger o próprio coração. Hoje aceito o que sou, sem fingimento, sem me esconder daquilo que vivi; pois meu maior e mais sincero intento sempre foi ter orgulho de existir. Com orgulho: Gustavo Fabregas 2026
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