Eu muito facilmente agora percebo o estado em que me encontro. Já não mais sinto-me afetar pelo inegociável. Quando decido me dar o dever em descobrir o que é que faz com que eu me sinta assim — completa e cheio de uma neutralidade inabalável — volto à estação em que um dia decidi encontrar e com o único e singular entusiasmo sinalizar o destino pelo qual vaguei desde meus últimos relatos do antigo habitante deste mesmo conjunto de carne.
É como se a neutralidade preenchesse todo o espaço em mim cabível de ser por ela ocupada.
Pensemos...
[...]
Sinto meu café esfriar como nunca antes.
Em meu quarto já não encontro lugar para meus livros ospedar.
Sinto meus concidadãos já mortos em cada folha que aqui em minha varanda cai.
Acredito que por aqui buscam descansar.
Ou simplesmente fazer com que toda uma varanda inunde uma casa.
Pobre ralo.
Acredito, também, que não merecem o mundo que um dia os abrigou.
Vivam!
É Outono por aqui...
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"Sócrates não é um médico", disse para si em voz baixa, "apenas a morte é médico aqui... Sócrates apenas esteve doente por muito tempo..."
— Por favor, tenhas piedade do morto que ainda é vivo.
— Não há com o que se preocupar, é um velho costume da humanidade, esse de passar ao lado dos mortos e não os ver. Que tenhas o melhor dos possíveis e cabíveis melhores dia!
[...]
Vá! Não se deixe levar pelo repúdio ao desconhecido.
Somente — e ouso repetir — somente assim se lembrará que até mesmo o hoje aceitável fora outrora total e demasiadamente marginalizado por ti mesmo, na mesma frequência com que reitera o ódio ao seus próprios hábitos um dia exaltados e totalmente banalizados aos olhos do veloz e afável presente que um dia o preencheu perante todas as... [respire]paixões.
É preciso haver no ser mais que do meras representações mundanas.
É imprescindível que haja prudência quanto ao que os ocupa os espaços vazios e preechíveis.
É completa e inevitavelmente primordial endurecer sem jamais perder a tenaz ternura.
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[...]
“Eu vos digo: é preciso ter ainda caos dentro de si, para poder da à luz uma estrela dançante.”
Assim falou Zaratustra.
É uma grande coisa estar sempre sozinho a dois!
[...] Tão longe estamos do mundo que não tarda que comecemos a não saber quem somos.
Ensaio sobre a cegueira
José Saramago
A vida decidira então ser paráfrase de tudo o que marginalizo e não busco significar. Pois então que haja a mais sangrenta das lutas contra toda a segregação espacial que tudo esmaga e torna sensível o próximo e esperado abismo no mais assustado dos olhares!
“O fundo do poço é o melhor dos lugares pra se pegar impulso”, disse Eduardo Marinho.
Pois ai de mim! Ai de todos os ossos quebrados e irreconstituíveis! Ai de toda a cinética por minha queda gerada! Ai da gravidade que a mim servirá! Ai de todo o universo que em mim há de circundar até o fim dos tempos! Até o fim dos tempos!
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Não se deve querer ser médico de incuráveis: assim ensina Zaratustra: — então deveis partir de vez!
Mas requer mais coragem dar um fim do que um novo verso: todos os médicos e poetas sabem disso. —
Assim falou Zaratustra.
¹Mas como se chama o que acorrenta até mesmo o libertador?
O quão o fazem?
[...]
Ao ler as obras de Stephen Hawking e suas nuances quanto a, em específico (que fique claro), buracos negros, noto que em alguns leves e relativos aspectos, possuímos uma sutil semelhança com estes que são os tão destemidos e admirados, ora espantosos, sujeitos.
[...]
Ora, não queremos que tudo nos orbite até que enfim caíam em nosso horizonte de eventos para que possamos enfim possuí-los? Tê-los em cada minuciosa partícula que os compõem?
E ai do que nos escapa as mãos... digo, todo nosso pobre poder atrativo, ou, caso prefira, gravitacional.
Não é preciso muito para nos convencermos que precisamos ser mais intensos em cada minuciosa atração.
Nem a luz nos deve escapar. Pois bem, que é a luz nesse paralelo contexto? Fica a seu critério.
Solidão e a mais intensa das vontades de algo consumir; desintegrar; torná-lo parte do que é o todo.
Cheios de todo um vazio.
Bom, já não é isso o suficiente para nos assemelharmos?
Caso não, tudo bem! São apenas palavras. Pobres ingênuas palavras; espero que jamais palavras ingênuas e pobres!
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[...]. E quem não quiser morrer de sede entre os homens, deve aprender a beber de todos os copos; e quem quiser permanecer limpo entre os homens, deve saber se lavar também com água suja.
Assim falou Zaratustra.