Marco Aurélio @apesar

Noites brancas

Eu muito facilmente agora percebo o estado em que me encontro. Já não mais sinto-me afetar pelo inegociável. Quando decido me dar o dever em descobrir o que é que faz com que eu me sinta assim — completa e cheio de uma neutralidade inabalável — volto à estação em que um dia decidi encontrar e com o único e singular entusiasmo sinalizar o destino pelo qual vaguei desde meus últimos relatos do antigo habitante deste mesmo conjunto de carne. É como se a neutralidade preenchesse todo o espaço em mim cabível de ser por ela ocupada. Pensemos... [...] Sinto meu café esfriar como nunca antes. Em meu quarto já não encontro lugar para meus livros ospedar. Sinto meus concidadãos já mortos em cada folha que aqui em minha varanda cai. Acredito que por aqui buscam descansar. Ou simplesmente fazer com que toda uma varanda inunde uma casa. Pobre ralo. Acredito, também, que não merecem o mundo que um dia os abrigou. Vivam! É Outono por aqui...

Comentários · 1

  1. Srta__nouvoulle

    𝐏𝐞𝐫𝐟𝐞𝐢𝐭𝐨...

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    1. Marco Aurélio

      Agradeço o comentário. Acredito que devo retomar meu hábito de postar por aqui alguns avulsos rascunhos. A propósito, gostei de seu último texto. Bem gostoso de se ler.

    2. Srta__nouvoulle

      Ho~ Por nada :) -- Muito obrigada por ler meu último poema :)