Sentado diante do infinito,
ele não pede respostas.
Aprendeu que há perguntas
que só cansam
e silêncios que curam.
Algumas dores
não precisam de nome.
Elas se dissolvem devagar
na luz mansa
do fim de tarde,
quando o sol desce
sem julgar o que se foi.
O corpo repousa,
mas a memória caminha.
Passa por lugares
onde o tempo foi duro,
por dias em que seguir
era o único gesto possível.
O mar entende.
Sempre entendeu.
Recebe sem exigir explicação,
vai e volta
como quem diz:
a vida continua,
mesmo quando pesa.
O céu também entende.
Abre espaço,
pinta esperança em tons suaves,
e ensina que até o fim
pode ser bonito.
E então,
quando nada mais precisa ser dito,
o silêncio, esse velho amigo, vira companhia.
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Fazemos planos para uma vida inteira,
mas não temos em mãos o livro dela.
Não controlamos o tempo,
não prevemos o futuro.
Um passarinho, sobrevoando a cidade,
deixou cair uma semente.
Houve um erro de cálculo:
aquilo era o seu alimento.
Uma vírgula de areia entre o cimento e o asfalto,
bem no escuro da fenda.
A semente, acidente ou destino
bebeu as sobras das chuvas
e desmentiu nossos achismos.
Sem pedir licença,
sem temer o peso das rodas a circular,
é a vida em estado de assalto.
Chega de repente, levando tudo:
suas certezas, seus talvez,
e sua incrível habilidade
de se achar o dono do mundo.
E no final, não sabemos de nada
A vida fala; nós somos surdos.
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Cubro meu corpo com tuas roupas,
como quem reza antes de dormir.
Teu cheiro está em cada peça,
teu calor se apossa de mim.
Quando a saudade cerca,
me agarro ao teu cobertor.
Fecho os olhos, vejo teu sorriso,
te sinto mais perto, meu amor.
Conto as horas com o peito apertado,
esperando o dia passar.
Sinto falta de ti ao meu lado;
volta logo, preciso te amar.
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Levando luz à noite sombria,
A rainha assenta no trono.
Com seu manto prateado nos guia,
Lua, majestosa, poesia.
No espelho das águas cintila,
Sussurrando segredos ao mar.
No céu, seu reino desfila,
E as estrelas celebram em harmonia.
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Fico longos períodos sem conseguir escrever sequer um verso — algumas vezes por falta de tempo, outras, por mero desinteresse. Mas, quando sinto vontade de escrever e me vem o mínimo de inspiração, me encontro parada, sem saber por onde começar.
Meu mundo azul se transformou,
Com o rosa que nele chegou.
Meu menino Heitor agora terá companhia:
Bella, sua doce irmãzinha. 💙🩷
Meu mundo azul, ao rosa se juntou,
Heitor, meu menino, irmão se tornou.
Agora é Bella, ternura e emoção,
Dois corações batendo no meu coração. 💙🩷
Antes de ir,
não mente.
Não diz que vai sentir falta
se não vai.
Fica só mais cinco minutos,
não porque quer,
mas porque eu ainda preciso
olhar pra você
e aceitar que acabou.
Não precisa tocar,
nem explicar.
Só deixa o silêncio cair
entre a gente
como um lençol pesado.
Teu cheiro vai ficar,
eu sei.
Teu rastro na porta,
a xícara esquecida,
a blusa que nem vai notar que deixou.
Não quero lembranças bonitas.
Quero a verdade feia:
que doeu,
que não deu certo,
que teve amor,
mas não bastou.
Antes de ir,
olha pra mim como da primeira vez.
E depois vira as costas,
sem drama,
sem adeus bonito.
Vai.
E me deixa inteiro,
mesmo que em pedaços.
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É segunda,
mas o tempo não corre —
ele escorre,
pelas folhas,
pelas telhas,
pelos pensamentos que não dizem nada,
mas sentem tudo.
A garoa cai
como quem acaricia o mundo
com dedos de nuvem,
e eu deixo que ela lave
um pouco de mim também.
O frio não dói,
mas abraça,
como saudade que não machuca mais,
só faz companhia.
Minha gata, imóvel na janela,
vê o que eu não vejo:
a beleza quieta das coisas que não pedem atenção.
As árvores não dançam hoje,
mas respiram.
E as plantas,
ah, as plantas sorriem escondidas
sob a chuva que beija.
É uma paz meio triste,
ou uma tristeza meio doce.
E eu aqui, no meio,
achando que talvez
isso também seja amor.
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Sob o céu turbilhão de cores,
onde o amarelo se funde ao azul,
pinceladas de fogo, gestos de amores,
no campo, a terra em espiral, sem luz.
O sol derrama ouro sobre o trigo,
que dança em círculos, quase a gritar.
Cada linha, um suspiro antigo,
um grito mudo que insiste em falar.
A noite chega em tons de vinhos,
com estrelas rasgando o véu da dor.
A dor é arte, o grito, caminhos,
no quadro, a vida, um eterno amor.
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