O homem e o mar
Sentado diante do infinito, ele não pede respostas. Aprendeu que há perguntas que só cansam e silêncios que curam. Algumas dores não precisam de nome. Elas se dissolvem devagar na luz mansa do fim de tarde, quando o sol desce sem julgar o que se foi. O corpo repousa, mas a memória caminha. Passa por lugares onde o tempo foi duro, por dias em que seguir era o único gesto possível. O mar entende. Sempre entendeu. Recebe sem exigir explicação, vai e volta como quem diz: a vida continua, mesmo quando pesa. O céu também entende. Abre espaço, pinta esperança em tons suaves, e ensina que até o fim pode ser bonito. E então, quando nada mais precisa ser dito, o silêncio, esse velho amigo, vira companhia.
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