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Augustus

@Victor_Augusto · desde 2019

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Poema

CXXXVIII

antes de dormir penso em muitas coisas das mais triviais e bobas até sobre como a Reta de Sorgenfrey não é segundo-enumerável penso também frequentemente em versos na antessala do sono já compus diversos poemas que sempre se perderam na volatilidade da memória algumas pensamentações são engraçadas no meio sono imaginei o meu leitor ele lia este poema que não diz nada com nada e imaginei aquela voz que temos na mente quando lemos dizendo — aquela voz que temos na mente quando lemos — e não dizendo nada e acabava assim sem mais nem menos

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Poema

CXXXVII

soa o sinal e é hora de ir embora. a profa. diz, cansada, — finalmente — e em meio aos pais, enxame impaciente, a minha mãe espera-me lá fora. é tardezinha e o céu inda está claro. mais dois amigos fazem companhia, brincamos entre nós, ninguém sentia o peso de um momento muito raro. tudo era simples. Misteriosa, a vida. o tempo, mais elástico, durava. nos corações sequer uma ferida. olhávamos o céu, havia mais brilho. olhávamos as mãos, não havia nada. e a minha mãe dizia — vamos, filho! —

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Poema

CXXXVI

a vida é um sopro, ele disse. e o vento o levou...

Poema

CXXXV

chega a manhã após a noite mal dormida. no chão o pé direito após o pé esquerdo; um pouco sonolento, um tanto meio lerdo; um gole de café me traz de volta à vida. visto ao avesso a blusa e as chaves, na saída, esqueço no ferrolho. Ao caminhar, eu quase tropeço no degrau da escada e vou de base. por pouco não me acerta um carro na avenida. na telha de uma casa, avisto um gato preto; esbarro numa moça e quebro o seu espelho; no bar derramo o sal... e um velho dá conselhos a quem suponho ser um de seus próprios netos. eu peço um copo d'água, as minhas mãos tão frias... e a senhorinha ao lado diz: “que lindo dia!”

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Poema

CXXXIV

ninguém assume mas todo mundo almeja o cume

Poema

CXXXIII

diz-me: com quantos passos faz-se a valsa? para rodar contigo nesta dança, ceder-lhe-ia os sonhos, a lembrança, a verdadeira vida, a vida falsa. se a minha mão a tua mão alcança, se a tua dor a minha dor enlaça, talvez não haja força mais que faça partir a minha dança da tua dança. depois hão de ficar comigo o gesto do teu corpo e da silhueta o esboço cingidos aos meus gestos em segredos. e tu, sem ter de mim nenhum protesto, hás de levar contigo no pescoço o colar feito de ossos dos meus dedos.

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Poema

CXXXII

na gelada e erma noite eu caminhava em solidão de minha companhia quando por essa mesma estrada fria em minha direção se aproximava um vulto de capuz, e enquanto andava um pouco com a morte parecia e assim, vendo-o ali, eu já sabia a peça que o destino me pregava meus passos cada vez mais devagar tremiam... suplicavam pra voltar mas eu continuava na estrada cerrei as mãos quase quebrando os dedos em cada osso meu gritava um medo e ele passou por mim sem dizer nada

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Poema

CXXXI

o amor que eu amo é altruísta, eu canto no silêncio um amor que vai além um amor transcendental e que ninguém há de fazer-lhe mal, causar-lhe espanto o amor que eu amo é puro e sacrossanto não há ninguém na Terra, além ou aquém, cujo amor mais amor que o meu contém um amor que é tudo, é infinito e é tanto... o amor que eu amo, o meu amor, sem rumo, é leve como o vento e abstrato, um amor que é fluido... amor trémulo fumo que solitário vaga os céus... de fato um amor que eu amo tanto, e que, em resumo, sem este amor eu juro que eu me mato

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Poema

CXXX

se viver valesse a pena por que depois da partida, todo o mundo, quando morto, não quer mais voltar à vida?

Poema

CXXIX

eu autor não sou ninguém um alguém que você leu confundiu com outro alguém essa voz que não sou eu