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André

@Undoze · desde 2020

Transpiro sentimentos a cada poema de tempo que se passa.

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Travoso

Esperar o amor tem sabor travoso. É o mesmo gosto De estar sozinho em meu quarto Vendo o sol nascer Após a chuva. Esperar o amor tem sabor igual Ao de sentar na calçada E sentir que faltam poucos meses Para que tudo Se desfaça. Esperar o amor deveria ser ocioso Mas, ultimamente, Tem sido entristecer-me Não pela falta, Mas como falta. Esperar o amor é algo ridículo, Amor se constrói! Ao menos é o que dizem. Mas se assim for, O que fazer das ruínas? O que fazer de mim que vejo a vida passar E sem forças para reagir, Me prendo aos olhares? Tua admiração ascende meu ego Mas não me conforta.

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Flútuo

Ele se desprendeu do último nó, Mas, ao invés de cair, Flutuou. O pior aconteceu. Afinal, o que há de bom em flutuar sem rumo? Uma simples queda o traria a direção. Porque se tu sabes que estás no chão, Tu sabes aonde ir. Porém, flutuar é o mesmo que morrer, É estar sem forças para lutar, Preso por cordas invisíveis que Te prendem ao passado de forma que Os esforços para se mover são inúteis. E assim ele está: Flutuando... Mas não porque ele quis. Ele queria cair e começar de novo, do zero. Mas não caiu. E ainda por cima flutuou, martirizou tudo. Se machucou. Sem ninguém para ouvir Ou para ler suas cartas. Tudo o que ele quer É se desprender do fluido invisível que O mantém flutuando. Ele quer cair, se levantar e gritar, Para que assim seja ouvido.

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O Tempo Ausente

Faz um tempo que não retorno À minha casa. Preferi ficar nas ruas tentando Encontrar-me Ou alguém que se importasse O suficiente para me dar a mão. Em todas as madrugadas Em que entrei no último ônibus Somente por entrar e Vi meu reflexo na janela, Me perguntei se era hora de voltar. Ainda não. Quero significar de novo, Ser eu mais uma vez Amar cada pedaço desse corpo Sentir-me despido de mágoas, De traumas e falta de afeto Porque sei que o medo deságua E me afoga por completo. Sento-me nas calçadas Escrevo, hora apago Com as pálpebras inchadas Sendentas de afago. A morada dos falsos desejos Vem sedendo e chegando à ruína. O caos que antes me perseguiu Hoje desdobra Os aromas das minhas colinas. O ciclo se encerra quando o amor Enterra a dor Para que esta descanse Diante à alma do rapaz sonhador. Faz um tempo que não retorno À minha casa, contudo, talvez Enfim seja a hora de retornar. [Autor: André Ítalo]

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Decepção Gramatical

Você me trouxe o céu em poucos dias Seu sorriso, seu abraço Você tinha tudo oque eu queria Sua classe gramatical foi interjeição Você foi intensidade O meu êxtase, a minha emoção Mas, no fim você não me queria Da maneira que eu te quis. Suas orações diretas já tinham direção. E não era o meu coração. Sua gramática é a mais complexa de entender. São tantas regras e exceções. [Autor: André Ítalo]

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Respiração Pesada

Estou tão deplorável esses dias Minha voz rouca, áspera, rígida Flores mortas no jardim da agonia; Eu canto, mas, minha mente dói Eu respiro, meu pulmão dói A cada convulsão o delírio corrói Meu corpo, minha alma Minha cicatriz e minha calma. Cumprimentos, comprimidos Planta e água diluídos Mas, ainda me faltam estímulos Café, café, antidepressivos Estou tão deplorável estes dias Minha voz rouca, áspera, rígida Eu te quero de volta Eu te quero de novo Não sinto cheiro ou gosto Meu sangue: teimoso! Meus olhos inchados A minha boca arranhando Ainda que eu não pare Eu me sinto parando Eu não devia ter abraçado De peito aberto Aqueles seus sopros frios; Minha garganta: entupido de fios. Cuidei, mas o Sol se foi Falei, sem dizer-te oi E agora o que me restaria? Eu sei! Flores mortas que plantei No jardim da agonia. [Autor: André Ítalo]

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Museu Das Artes Conceituais

Aquela imagem não sai da minha mente A casa vazia, a solidão; Tudo tão de repente O rosto da tempestade é o Sol atrás das nuvens São as árvores dançando ao vento O calafrio, o lamento Lembranças são artes conceituais do tempo Cada fotografia, cada cenário Recheados de sentimento! A mente sobrepõe a vista Eu só enxergo o lado doce Desses pedaços de vida E cada dimensão criada; Cada sorriso sincero Dói a alma, o coração ardente Te deixei partir Mas, ainda te espero. [Autor: André Ítalo]

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Suspiro Poético 1

Aparentemente o inverno ainda não se foi A chuva continua voltando Como se nada tivesse acontecido. [Autor: André]

Vida

Preciso Dizer-lhe

Tudo o que eu fiz foi em vão Pois bastou lembrar-te Que um pensamento sentou-se Em meu réu coração Tudo o que fiz para esquecer-me de ti Quebrou-se como giz-de-cera E ainda que eu finja rir Não consigo deixar-te partir Meu orgulho parecera Todavia, voltou dominando-me Afundando-me em tua voz Será que podemos conversar à sós? Preciso dizer-lhe que desta vez Assim como em outras Eu estou magoado, devastado Mas insisto em fingir sorrisos, Em não pedir teu amparo Embora eu diga não querer Quero-te e espero-te aqui Diga a mim, nega-me firmemente que Tudo o que eu fiz foi em vão E que basta lembrar-te Para um pensamento sentar-se Em meu réu coração Embora contradiga-me, fale Preciso do teu colo A verdade me dói tanto Quanto a dor de não estar sóbrio [Autor: André Ítalo]

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Abraço Forte

Me abraça forte Como só você sabe me abraçar Me abraça forte Como se esse fosse o terminar Me abraça forte Faz-me esquecer essa solidão Me abraça forte Pois a tua graça é tua paixão Eu vivo sem saber o que será de mim Pois tudo que eu prezo É o descanso eterno que já não tem fim Vivo calado ainda tendo coisas a dizer Pois não quero guerra Tudo que me resta é abraçar você Então, Me abraça forte Faça valer cada encontro teu Me abraça forte Seja o suporte do meu apogeu Me abraça forte Sinto tua falta aqui na cidade Me abraça forte Enquanto eu oro pela tempestade Eu vivo a esconder tudo aquilo que sinto Eu sou sincero mesmo quando minto Eu tenho o dom de não lhe preocupar Eu juro, estou vivo Imaginando todos os cenários Para que esse velho calendário Eu posso em um dia qualquer completar Me abraça forte Que o nosso tempo está acabando A flor do destino me carregando Me abraça forte antes de eu partir [Autor: André Ítalo]

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A Última Ligacão

Eu te liguei só para perguntar Se o que havia entre nós acabou Eu vim aqui só para confirmar Que a brisa do vento te levou Até te vi com alguém por aí Me afastei para não te assustar Se tu já segues a vida sem mim Não vejo como me aproximar Esses dias você mudou o olhar Uma cinza de esperança então Surgiu em um trago do meu fumar Queimando todo o meu coração Mas hoje vejo você tão distante Assim como era antes de tudo Porém ao invés de estar na frente Tu és um mero plano de fundo Pobre caminho que decidi seguir Poucas dela andaram ao meu lado Eu sigo sozinho pensando em ti Em como isso acabou tão rápido [Autor: André Ítalo]

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