Esperar o amor tem sabor travoso.
É o mesmo gosto
De estar sozinho em meu quarto
Vendo o sol nascer
Após a chuva.
Esperar o amor tem sabor igual
Ao de sentar na calçada
E sentir que faltam poucos meses
Para que tudo
Se desfaça.
Esperar o amor deveria ser ocioso
Mas, ultimamente,
Tem sido entristecer-me
Não pela falta,
Mas como falta.
Esperar o amor é algo ridículo,
Amor se constrói!
Ao menos é o que dizem.
Mas se assim for,
O que fazer das ruínas?
O que fazer de mim que vejo a vida passar
E sem forças para reagir,
Me prendo aos olhares?
Tua admiração ascende meu ego
Mas não me conforta.
Continuar lendo
Ele se desprendeu do último nó,
Mas, ao invés de cair,
Flutuou.
O pior aconteceu.
Afinal, o que há de bom em flutuar sem rumo?
Uma simples queda o traria a direção.
Porque se tu sabes que estás no chão,
Tu sabes aonde ir.
Porém, flutuar é o mesmo que morrer,
É estar sem forças para lutar,
Preso por cordas invisíveis que
Te prendem ao passado de forma que
Os esforços para se mover são inúteis.
E assim ele está:
Flutuando...
Mas não porque ele quis.
Ele queria cair e começar de novo, do zero.
Mas não caiu.
E ainda por cima flutuou, martirizou tudo.
Se machucou.
Sem ninguém para ouvir
Ou para ler suas cartas.
Tudo o que ele quer
É se desprender do fluido invisível que
O mantém flutuando.
Ele quer cair, se levantar e gritar,
Para que assim seja ouvido.
Continuar lendo
Faz um tempo que não retorno
À minha casa.
Preferi ficar nas ruas tentando
Encontrar-me
Ou alguém que se importasse
O suficiente para me dar a mão.
Em todas as madrugadas
Em que entrei no último ônibus
Somente por entrar e
Vi meu reflexo na janela,
Me perguntei se era hora de voltar.
Ainda não.
Quero significar de novo,
Ser eu mais uma vez
Amar cada pedaço desse corpo
Sentir-me despido de mágoas,
De traumas e falta de afeto
Porque sei que o medo deságua
E me afoga por completo.
Sento-me nas calçadas
Escrevo, hora apago
Com as pálpebras inchadas
Sendentas de afago.
A morada dos falsos desejos
Vem sedendo e chegando à ruína.
O caos que antes me perseguiu
Hoje desdobra
Os aromas das minhas colinas.
O ciclo se encerra quando o amor
Enterra a dor
Para que esta descanse
Diante à alma do rapaz sonhador.
Faz um tempo que não retorno
À minha casa, contudo, talvez
Enfim seja a hora de retornar.
[Autor: André Ítalo]
Continuar lendo
Você me trouxe o céu em poucos dias
Seu sorriso, seu abraço
Você tinha tudo oque eu queria
Sua classe gramatical foi interjeição
Você foi intensidade
O meu êxtase, a minha emoção
Mas, no fim você não me queria
Da maneira que eu te quis.
Suas orações diretas já tinham direção.
E não era o meu coração.
Sua gramática é a mais complexa de entender.
São tantas regras e exceções.
[Autor: André Ítalo]
Continuar lendo
Estou tão deplorável esses dias
Minha voz rouca, áspera, rígida
Flores mortas no jardim da agonia;
Eu canto, mas, minha mente dói
Eu respiro, meu pulmão dói
A cada convulsão o delírio corrói
Meu corpo, minha alma
Minha cicatriz e minha calma.
Cumprimentos, comprimidos
Planta e água diluídos
Mas, ainda me faltam estímulos
Café, café, antidepressivos
Estou tão deplorável estes dias
Minha voz rouca, áspera, rígida
Eu te quero de volta
Eu te quero de novo
Não sinto cheiro ou gosto
Meu sangue: teimoso!
Meus olhos inchados
A minha boca arranhando
Ainda que eu não pare
Eu me sinto parando
Eu não devia ter abraçado
De peito aberto
Aqueles seus sopros frios;
Minha garganta: entupido de fios.
Cuidei, mas o Sol se foi
Falei, sem dizer-te oi
E agora o que me restaria?
Eu sei!
Flores mortas que plantei
No jardim da agonia.
[Autor: André Ítalo]
Continuar lendo
Aquela imagem não sai da minha mente
A casa vazia, a solidão;
Tudo tão de repente
O rosto da tempestade é o Sol atrás das nuvens
São as árvores dançando ao vento
O calafrio, o lamento
Lembranças são artes conceituais do tempo
Cada fotografia, cada cenário
Recheados de sentimento!
A mente sobrepõe a vista
Eu só enxergo o lado doce
Desses pedaços de vida
E cada dimensão criada;
Cada sorriso sincero
Dói a alma, o coração ardente
Te deixei partir
Mas, ainda te espero.
[Autor: André Ítalo]
Continuar lendo
Aparentemente o inverno ainda não se foi
A chuva continua voltando
Como se nada tivesse acontecido.
[Autor: André]
Tudo o que eu fiz foi em vão
Pois bastou lembrar-te
Que um pensamento sentou-se
Em meu réu coração
Tudo o que fiz para esquecer-me de ti
Quebrou-se como giz-de-cera
E ainda que eu finja rir
Não consigo deixar-te partir
Meu orgulho parecera
Todavia, voltou dominando-me
Afundando-me em tua voz
Será que podemos conversar à sós?
Preciso dizer-lhe que desta vez
Assim como em outras
Eu estou magoado, devastado
Mas insisto em fingir sorrisos,
Em não pedir teu amparo
Embora eu diga não querer
Quero-te e espero-te aqui
Diga a mim, nega-me firmemente que
Tudo o que eu fiz foi em vão
E que basta lembrar-te
Para um pensamento sentar-se
Em meu réu coração
Embora contradiga-me, fale
Preciso do teu colo
A verdade me dói tanto
Quanto a dor de não estar sóbrio
[Autor: André Ítalo]
Continuar lendo
Me abraça forte
Como só você sabe me abraçar
Me abraça forte
Como se esse fosse o terminar
Me abraça forte
Faz-me esquecer essa solidão
Me abraça forte
Pois a tua graça é tua paixão
Eu vivo sem saber o que será de mim
Pois tudo que eu prezo
É o descanso eterno que já não tem fim
Vivo calado ainda tendo coisas a dizer
Pois não quero guerra
Tudo que me resta é abraçar você
Então,
Me abraça forte
Faça valer cada encontro teu
Me abraça forte
Seja o suporte do meu apogeu
Me abraça forte
Sinto tua falta aqui na cidade
Me abraça forte
Enquanto eu oro pela tempestade
Eu vivo a esconder tudo aquilo que sinto
Eu sou sincero mesmo quando minto
Eu tenho o dom de não lhe preocupar
Eu juro, estou vivo
Imaginando todos os cenários
Para que esse velho calendário
Eu posso em um dia qualquer completar
Me abraça forte
Que o nosso tempo está acabando
A flor do destino me carregando
Me abraça forte antes de eu partir
[Autor: André Ítalo]
Continuar lendo
Eu te liguei só para perguntar
Se o que havia entre nós acabou
Eu vim aqui só para confirmar
Que a brisa do vento te levou
Até te vi com alguém por aí
Me afastei para não te assustar
Se tu já segues a vida sem mim
Não vejo como me aproximar
Esses dias você mudou o olhar
Uma cinza de esperança então
Surgiu em um trago do meu fumar
Queimando todo o meu coração
Mas hoje vejo você tão distante
Assim como era antes de tudo
Porém ao invés de estar na frente
Tu és um mero plano de fundo
Pobre caminho que decidi seguir
Poucas dela andaram ao meu lado
Eu sigo sozinho pensando em ti
Em como isso acabou tão rápido
[Autor: André Ítalo]
Continuar lendo