Respiração Pesada
Estou tão deplorável esses dias Minha voz rouca, áspera, rígida Flores mortas no jardim da agonia; Eu canto, mas, minha mente dói Eu respiro, meu pulmão dói A cada convulsão o delírio corrói Meu corpo, minha alma Minha cicatriz e minha calma. Cumprimentos, comprimidos Planta e água diluídos Mas, ainda me faltam estímulos Café, café, antidepressivos Estou tão deplorável estes dias Minha voz rouca, áspera, rígida Eu te quero de volta Eu te quero de novo Não sinto cheiro ou gosto Meu sangue: teimoso! Meus olhos inchados A minha boca arranhando Ainda que eu não pare Eu me sinto parando Eu não devia ter abraçado De peito aberto Aqueles seus sopros frios; Minha garganta: entupido de fios. Cuidei, mas o Sol se foi Falei, sem dizer-te oi E agora o que me restaria? Eu sei! Flores mortas que plantei No jardim da agonia. [Autor: André Ítalo]
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