O Tempo Ausente
Faz um tempo que não retorno À minha casa. Preferi ficar nas ruas tentando Encontrar-me Ou alguém que se importasse O suficiente para me dar a mão. Em todas as madrugadas Em que entrei no último ônibus Somente por entrar e Vi meu reflexo na janela, Me perguntei se era hora de voltar. Ainda não. Quero significar de novo, Ser eu mais uma vez Amar cada pedaço desse corpo Sentir-me despido de mágoas, De traumas e falta de afeto Porque sei que o medo deságua E me afoga por completo. Sento-me nas calçadas Escrevo, hora apago Com as pálpebras inchadas Sendentas de afago. A morada dos falsos desejos Vem sedendo e chegando à ruína. O caos que antes me perseguiu Hoje desdobra Os aromas das minhas colinas. O ciclo se encerra quando o amor Enterra a dor Para que esta descanse Diante à alma do rapaz sonhador. Faz um tempo que não retorno À minha casa, contudo, talvez Enfim seja a hora de retornar. [Autor: André Ítalo]
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