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Ewerton Ribeiro

@Ton_Leno · desde 2021

Minhas histórias e meu jeito de lidar com elas

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Tentar de novo

Perdoa eu Falei sozinho que acabou E disse adeus Esperando um milagre, uma luz Eu fui ateu Depois de tudo, te ter no escuro Dizer e tentar salvar por teimosia O meu desejo é calmaria Entrego a dor e a incerteza na tua mão E, sem chão, rastejo A fim de chegar em algum lugar Longe de quem eu sou contigo Tentando provar, ser meu senhor Falo sozinho que acabou Eu digo adeus Mas caio em mim, por ser assim Desculpa eu Entrei sem bater e cê foi gentil Em mim viu caminho e só seguiu Se arrependeu Dormiu com peso de quem perdeu Mas se salvou

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Direção Oposta

Ser Teimosia Teu rosto entrega tua partida, como voar sem ver, aterrissar. Querer demais sem se curar. Ama por tabela. É terça nas férias. Estende a mão, não diz que não. Ouça, ele espera o sim só uma vez. O querem pedra, espele a água. Seu tempo cobra, ele transborda, como nadar sem sentir. Ser teimosia... Fazer parte da próxima onda, saber que é o fim, não se assustar. Rezar pra chegar em algum lugar... e chegar.

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Características

Ela corta a própria franja Bota alarme, mas não acorda Não me dá bom dia Ela diz que me ama agora Sente ciúme de quando não a conhecia Come chocolate quando está irritada Ela é diferente das outras Me conta sobre seus traumas Não me abraça todo dia Quando abraça, diz que sentiu falta Ela quer viver a vida Não tem planos, tem expectativas Fica calada com medo de errar Mas eu a conheço Sobre o perigo: aceito Sou um alvo indefeso, Torcendo pra ela me acompanhar.

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Direções

Descendo pelo ar. De cima, enxergo seu mundo. Decidi mudar. Volta e meia, acho um erro, mas arrisco com receio. Nessa viagem solo, visitei amigos. Fui quem eu sou pela última vez. Errei primeiro. Antecipei a insegurança em meu peito. Vejo aves. Parece irônico pensar: queria estar no lugar delas. Não acho que elas gostariam de estar no meu lugar. Perto de pousar, penso que eu te amo. Aguardo você falar. Quase imploro pra que minta. Em terra, encaro sua cara. Meus braços abertos. Você corre em direção contrária.

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Vermelho

Vermelho Teu cabelo, uma noite contigo, o segredo. Restaura a cor do sentimento que é efêmero. Não é bonito, mas é novo, o talvez mais humano. Vermelho. Teu abrigo passageiro, que muda de tempo em tempo, entre ser destino ou só um erro. Vem até aquele que está quebrado: o azul amigo, que escolhe racionalmente sofrer. Viver apenas uma noite. Estar com você. Queimar por inteiro.

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O Quase

No domingo após, onde a cinza vem depois do fogo, acredito em destino, mas, cara a cara, tento driblá-lo. Entre o medo de te ver, parece lúcido o ato de te magoar. E eu sei que você pensou: "Ele é o vilão". Digo que não, mas carrego a dúvida. Subo nesse muro frágil, não sei se devo pular. Beijo outra boca, flerto com outra, tento escapar do vazio desse copo meio cheio. Volto pro começo, bebo e te conheço. Tento disfarçar, fugir daquele olhar, até o caminho voltar a nos entrelaçar. E sempre volta. Oro pra todo tipo de entidade, me apego à possibilidade. A gente ri um pro outro, fala sobre tudo, se afasta e, de novo, desabafa pra um fantasma no escuro.

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30 minutos

Há quilômetros, penso se você é real "Somos o perfume um do outro" No trabalho divido a atenção O que você quis dizer foi literal? Penso no que vamos jantar Abraço a sua duvida Tento ser a sua certeza Peço: Guarde o abraço, amor Passa o batom pra gente borrar Chego em meia hora Eu sei que demora, Mas a saudade recompensa.

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Interligados

Lá do alto eu escuto: “Ele pode tudo.” Volto pra mim. Sem receio, sorrio tímido: eu posso, sim. Obrigado, desconhecido. Digo: amigo, que me alimenta, se ausenta da própria existência e segura de longe a minha mão. Te protejo distante, e onde você sonhou ir, caminho. Piso em pedras quentes, me arrisco. Afeto culposo, diminutivo em progressão. Vejo se todos são dignos: desminto Amargo a bala que miram em ti, misturo com o que eu sinto. Acha que tudo é bonito, que todos são seus amigos. Conservo enquanto ignoro a validade, porque, caído, caminha até mim gritando: “Você fez muito.” Sinto que fiz o mínimo.

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Pedido ao tempo

Peço que o tempo pare, anseio parar com ele. Não envelhecer, só ser. Soltar o que se entrelaça ao meu corpo, não ver quem eu amo morrer, apenas desfrutar da paz que eu nunca tive por tempo indefinido, talvez para sempre. Entre uma calma compulsiva, diferente daquela que fez eu me perder, perder o que não tinha, o que tinha, o que poderia vir a ter. Ouça meu grito, tempo, deus do momento. Nessa reza escrita em que me apoio, há ódio, remorso e apego. Há menos de mim que antes: tudo de mim.

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História

Atrasado

E se você ignorar o nosso antes? Calma, negocio com a possibilidade É que te olhei com ele e vi saudade. Carreguei distante porque só você me entende. Demorei, eu sei. Mas mira teu futuro incerto: teu amigo, teu alarme que te acorda cedo, hemisfério sul da tua pele, tal equinócio. Você diz “equívoco”, e eu digo: duvido. Incidência sob o que a gente achava até hoje. Carrego o azul porque você sofre vermelho. Essa mistura me traz pra perto. “Minto”, ela me diz sem dizer. “Desculpa, me beija, me diz que não é o que parece.” Mas é sim. E sempre foi.

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