Perdoa eu
Falei sozinho que acabou
E disse adeus
Esperando um milagre, uma luz
Eu fui ateu
Depois de tudo, te ter no escuro
Dizer e tentar salvar por teimosia
O meu desejo é calmaria
Entrego a dor e a incerteza na tua mão
E, sem chão, rastejo
A fim de chegar em algum lugar
Longe de quem eu sou contigo
Tentando provar, ser meu senhor
Falo sozinho que acabou
Eu digo adeus
Mas caio em mim, por ser assim
Desculpa eu
Entrei sem bater e cê foi gentil
Em mim viu caminho e só seguiu
Se arrependeu
Dormiu com peso de quem perdeu
Mas se salvou
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Ser Teimosia
Teu rosto entrega tua partida,
como voar sem ver,
aterrissar.
Querer demais sem se curar.
Ama por tabela.
É terça nas férias.
Estende a mão, não diz que não.
Ouça, ele espera o sim só uma vez.
O querem pedra, espele a água.
Seu tempo cobra, ele transborda,
como nadar sem sentir.
Ser teimosia...
Fazer parte da próxima onda,
saber que é o fim, não se assustar.
Rezar pra chegar em algum lugar...
e chegar.
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Ela corta a própria franja
Bota alarme, mas não acorda
Não me dá bom dia
Ela diz que me ama agora
Sente ciúme de quando não a conhecia
Come chocolate quando está irritada
Ela é diferente das outras
Me conta sobre seus traumas
Não me abraça todo dia
Quando abraça, diz que sentiu falta
Ela quer viver a vida
Não tem planos, tem expectativas
Fica calada com medo de errar
Mas eu a conheço
Sobre o perigo: aceito
Sou um alvo indefeso,
Torcendo pra ela me acompanhar.
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Descendo pelo ar.
De cima, enxergo seu mundo.
Decidi mudar.
Volta e meia, acho um erro,
mas arrisco com receio.
Nessa viagem solo,
visitei amigos.
Fui quem eu sou pela última vez.
Errei primeiro.
Antecipei a insegurança em meu peito.
Vejo aves.
Parece irônico pensar:
queria estar no lugar delas.
Não acho que elas gostariam de estar no meu lugar.
Perto de pousar,
penso que eu te amo.
Aguardo você falar.
Quase imploro pra que minta.
Em terra, encaro sua cara.
Meus braços abertos.
Você corre em direção contrária.
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Vermelho
Teu cabelo,
uma noite contigo,
o segredo.
Restaura a cor do sentimento
que é efêmero.
Não é bonito, mas é novo,
o talvez mais humano.
Vermelho.
Teu abrigo passageiro,
que muda de tempo em tempo,
entre ser destino ou só um erro.
Vem até aquele que está quebrado:
o azul amigo,
que escolhe racionalmente sofrer.
Viver apenas uma noite.
Estar com você.
Queimar por inteiro.
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No domingo após, onde a cinza vem depois do fogo,
acredito em destino, mas, cara a cara, tento driblá-lo.
Entre o medo de te ver, parece lúcido o ato de te magoar.
E eu sei que você pensou: "Ele é o vilão".
Digo que não, mas carrego a dúvida.
Subo nesse muro frágil, não sei se devo pular.
Beijo outra boca, flerto com outra,
tento escapar do vazio desse copo meio cheio.
Volto pro começo, bebo e te conheço.
Tento disfarçar, fugir daquele olhar, até o caminho voltar a nos entrelaçar.
E sempre volta.
Oro pra todo tipo de entidade,
me apego à possibilidade.
A gente ri um pro outro, fala sobre tudo, se afasta e, de novo, desabafa pra um fantasma no escuro.
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Há quilômetros,
penso se você é real
"Somos o perfume um do outro"
No trabalho divido a atenção
O que você quis dizer foi literal?
Penso no que vamos jantar
Abraço a sua duvida
Tento ser a sua certeza
Peço: Guarde o abraço, amor
Passa o batom pra gente borrar
Chego em meia hora
Eu sei que demora,
Mas a saudade recompensa.
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Lá do alto eu escuto:
“Ele pode tudo.”
Volto pra mim.
Sem receio, sorrio tímido:
eu posso, sim.
Obrigado, desconhecido.
Digo: amigo,
que me alimenta,
se ausenta da própria existência
e segura de longe a minha mão.
Te protejo distante,
e onde você sonhou ir, caminho.
Piso em pedras quentes, me arrisco.
Afeto culposo, diminutivo em progressão.
Vejo se todos são dignos: desminto
Amargo a bala que miram em ti,
misturo com o que eu sinto.
Acha que tudo é bonito,
que todos são seus amigos.
Conservo enquanto ignoro a validade,
porque, caído, caminha até mim gritando:
“Você fez muito.”
Sinto que fiz o mínimo.
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Peço que o tempo pare,
anseio parar com ele.
Não envelhecer, só ser.
Soltar o que se entrelaça ao meu corpo,
não ver quem eu amo morrer,
apenas desfrutar da paz
que eu nunca tive
por tempo indefinido,
talvez para sempre.
Entre uma calma compulsiva,
diferente daquela que fez eu me perder,
perder o que não tinha,
o que tinha,
o que poderia vir a ter.
Ouça meu grito, tempo,
deus do momento.
Nessa reza escrita em que me apoio,
há ódio, remorso e apego.
Há menos de mim que antes:
tudo de mim.
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E se você ignorar o nosso antes?
Calma, negocio com a possibilidade
É que te olhei com ele e vi saudade.
Carreguei distante porque só você me entende.
Demorei, eu sei.
Mas mira teu futuro incerto:
teu amigo, teu alarme que te acorda cedo,
hemisfério sul da tua pele, tal equinócio.
Você diz “equívoco”,
e eu digo: duvido.
Incidência sob o que a gente achava até hoje.
Carrego o azul porque você sofre vermelho.
Essa mistura me traz pra perto.
“Minto”, ela me diz sem dizer.
“Desculpa, me beija,
me diz que não é o que parece.”
Mas é sim.
E sempre foi.
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