Pedido ao tempo
Peço que o tempo pare, anseio parar com ele. Não envelhecer, só ser. Soltar o que se entrelaça ao meu corpo, não ver quem eu amo morrer, apenas desfrutar da paz que eu nunca tive por tempo indefinido, talvez para sempre. Entre uma calma compulsiva, diferente daquela que fez eu me perder, perder o que não tinha, o que tinha, o que poderia vir a ter. Ouça meu grito, tempo, deus do momento. Nessa reza escrita em que me apoio, há ódio, remorso e apego. Há menos de mim que antes: tudo de mim.
Guilherme Daniel
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