Perdi a doçura das rimas
quando te perdi na esquina das nossas vidas.
Ali, onde os caminhos se dobraram em silêncio
e o amor ficou parado entre despedidas.
Perdi também o sentido das palavras,
porque nenhuma soube explicar tua ausência.
Procurei nos versos, nas pausas, nas entrelinhas,
mas o vazio respondeu com sua permanência.
Desde então, a poesia anda incompleta,
como um livro fechado no meio da história.
Porque quando você partiu naquela tarde quieta,
levou consigo meus versos e a minha memória.
E agora escrevo com mãos que já não sabem
se ainda existe beleza no que ficou.
Pois no dia em que te perdi na curva da vida,
perdi também a poesia que em mim morou.
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Dizem que aos vinte e um
a gente já devia saber
quem é, pra onde vai,
o que quer ser.
Mas a verdade?
Aos 21 a gente é quase;
quase seguro, quase pronto,
quase adulto de verdade.
A tal crise dos 21
chega cheia de perguntas:
carreira, amores, futuro,
como se o tempo corresse
num salto apressado e duro.
Só que eu aprendi sorrindo
que ninguém tem o mapa na mão.
Todo mundo improvisa certezas
com medo escondido
e coragem no coração.
Aos 21 eu erro, mudo planos,
recomeço quantas vezes for.
Quero conquistar o mundo de manhã
e à noite só quero colo
e um pouco de amor.
E está tudo bem.
Porque crescer não é linha reta,
é rascunho, é construção.
É aceitar que ser adulto
não é ter respostas,
é continuar em evolução.
Então que venha a crise,
mas que venha leve.
Tenho 21, tenho sonhos,
tenho fé no que ainda me espera
e disposição pra ser breve
no medo,
e gigante na esperança.
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Ela guarda no peito uma espada de ferro,
forjada em palavras que lhe jogaram em volta do erro.
Sem saber como usar, se é para guerra ou defesa,
ela carrega o peso sem certeza e sem leveza.
Cada golpe que escuta, forja um novo aço,
cada julgamento alheio, um cinto tão pesado.
Dizem que é fria, dizem que é dura,
e o ferro se molda nessa amargura.
As vozes sussurram que ela não sabe amar,
mas só ela conhece o metal a pulsar.
Por trás do escudo, ela é chama e faísca,
buscando a coragem de tentar de soltar.
Quem sabe um dia, ao sol, sua espada reluza,
e ela se veja, inteira, livre e sem medo.
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Somos telas de linho cru,
vazias, prontas para os traços,
onde cada cor se entrelaça e flui,
na busca por tons, por abraços.
Somos gravuras que escondem o rascunho,
emolduradas de aparências e disfarces,
mas no fundo, ansiamos o esboço,
aquele azul que vem em dispares matizes.
Não há um só azul —
há o azul com toque de roxo,
um reflexo de céu noturno,
onde também mora o ocre e o laranja,
chama que vibra, quente e profunda.
E nesse pintar-se sem pincel,
buscamos mais que só cores e matizes:
buscamos o tom, a linha invisível,
que nos preenche e nos faz reais.
Seremos, enfim, a tela e o pintor,
nos tingindo de vermelhos, azuis,
até que o quadro esteja completo,
sem faltar nem uma única luz.
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Batatinhas quando nascem
se esparram pelo chão,
e meu amor, feito semente,
encontra em ti seu chão.
Espalha-se, busca raízes,
desenha sonhos no ar,
e em cada verso que digo,
minha alma aprendeu a morar.
Como as flores, vão crescendo
meus sentimentos por ti,
e entre céu e terra suspenso,
eu só penso em estar aqui.
Se as batatas se esparram
sem rumo, sem direção,
meu amor, quando te encontro,
é a paz do meu coração.
Então eu digo, em silêncio,
nesse campo onde nasci:
nada em mim se esparrama,
pois tudo me leva a ti.
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Sou feito de estrelas, de luz infinita,
mas também carrego um buraco escuro,
um ponto denso, onde a alma hesita,
no horizonte onde sou o futuro.
Me vejo em galáxias de possibilidades,
centelhas de sonhos, constelações de dor.
Sou brilho que nasce, mas em densidades,
afundo em mistérios do meu próprio torpor.
Em cada estrela que morre e renasce,
vejo meu peito em pulsações tardias.
Sou luz e vazio, numa dança que trace,
caminhos que fogem, mas também me guiam.
Sou universo em expansão e retração,
um paradoxo de força e queda.
Estrela e buraco negro em fusão,
um ser que se perde, mas nunca se entrega.
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É por ele que meu coração pulsa,
Nessa dança louca que nunca se repulsa.
Nos mares revoltos da paixão intensa,
Entro em pânico, mas ele é a minha crença.
Com medo me lanço, mas ele me segura,
Seu amor é abrigo, é a minha cura.
Me ensina a depender, a não temer,
A cada dia ao seu lado, me deixo envolver.
Perder tudo por amor? Ah, que alegria!
A verdadeira felicidade se revela em sinfonia.
Quero me manter enraizada, firmemente em ti,
Ver teu sorriso ao amanhecer, sentir que estou aqui.
Em todos os lugares, em cada amanhecer,
Quero estar contigo, não há o que temer.
Meu coração é seu, e o amor que emana,
Me ensina a viver, em cada drama e cada trama.
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Sou água que flui, sem forma, sem cor,
moldo-me ao espaço, sem medo ou temor.
Na taça, sou calma; no rio, sou forte,
encontro no vaso o meu próprio norte.
Em tempos de pedra, paciência sou eu,
espalho-me em volta, no meu ritmo e meu breu.
Não luto, me encaixo, me adapto ao redor,
sabendo que a força está em ser menor.
Pois o vaso define, mas eu sigo meu rumo,
na calma do fluxo, um instante, um resumo.
Sou água que aprende com o que o tempo traz,
no vaso da vida, me encontro em paz.
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No fundo do mar, a vida é um dilema,
onde peixes pequenos vivem sob um esquema.
Um tubarão voraz, com seu olhar de fome,
representa os problemas, o medo que consome.
Os peixinhos, unidos, decidem se levantar,
“Vamos espantar o tubarão, não podemos nos calar!”
Com vozes valentes, eles formam um coral,
desafiando o opressor, num grito triunfal.
“Espanta tubarão!” é a canção que ecoa,
mostrando que juntos, a força é boa.
A mudança é possível, basta acreditar,
e no fundo do mar, é hora de lutar!
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Distante e frio, um viajante no escuro,
Plutão vagueia, pequeno e obscuro.
Rodeado de estrelas que nunca alcança,
em órbita lenta, sua eterna dança.
Um planeta que foi, depois já não era,
perdeu o título, mas guarda a esfera.
Isolado, mas livre, no espaço a vagar,
onde o sol é um ponto a mal brilhar.
Ele carrega o mistério, a beleza escondida,
um mundo gelado, mas cheio de vida.
Plutão, solitário, no cosmos a fluir,
eterno enigma que insiste em existir.
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